26/02/2021 às 11h04min - Atualizada em 26/02/2021 às 10h23min

Paralelo na pandemia: aumento na adoção e no abandono de animais

Representante de ONG teme que número de animais abandonados cresça ainda mais após a pandemia, em decorrência de adoções precipitadas

Marceli Maria - Editado por Ana Paula Cardoso
Foto: Petz/Divulgação
Os animais de estimação somam cerca de 139 milhões no Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2018. O medo de contágio da Covid-19, entre outras causas, aumentou o número de animais abandonados, mesmo não havendo evidências de que se contaminem ou que sejam transmissores do vírus. Mas, em contramão, a solidão do distanciamento social tem levado à um grande aumento na procura de animais para adoção durante a pandemia.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), estima que só no país existam mais de 30 milhões de animais abandonados, sendo cerca de 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães. Nas grandes cidades, a cada 5 habitantes há um cachorro, dos quais 10% estão abandonados, mas, na pandemia o número de animais abandonados tem crescido e pode piorar quando a quarentena acabar.

 
“Infelizmente, há uma grande probabilidade dos animais adotados neste momento serem abandonados após a pandemia, já que o distanciamento social, o home office, as aulas em EAD não durarão para sempre”, afirma Eliana, fundadora de uma ONG de resgate de animais em BH.
 
Desde o início da pandemia, houve um notório aumento de reportagens sobre maus tratos nos noticiários diários. Os dados obtidos pela organização SaferNet Brasil, indicam um aumento de conteúdos na internet demonstrando ou incitando maus tratos a animais durante esse período. Entre 15 de março e 30 de junho do ano passado, foram registradas pela entidade uam taxa de 482% mais denúncias sobre o tema em comparação com o mesmo período de 2019.
 
 
O ABANDONO


 
Parte do abandono pode ser consequência da desinformação. Muitas pessoas, com medo de que os animais sejam transmissores da Covid-19, acabam por abandoná-los sem antes buscar informações adequadas. De acordo com a OMS, não há justificativa para tomar medidas contra animais de companhia que possam comprometer seu bem-estar.
 
Outra possível razão para o abandono, é que muitas famílias estão lidando com a instabilidade financeira. Por isso, antes de adotar é preciso ter noção do gasto envolvido no cuidado de um animal. Para piorar o cenário, as feiras de adoção não estão ocorrendo de forma presencial com o intuito de evitar aglomerações e a circulação do vírus. A solução tem sido recorrer à internet.
 
Para Eliana, a probabilidade de abandonar o animal após a adoção, mesmo na pandemia, depende muito do cuidado ao avaliar as pessoas que chegam com intenção de adotar.

 
“É importante gastar tempo fazendo uma boa entrevista e avaliando o motivo da adoção, o processo adotivo precisa ser algo muito bem avaliado por quem faz a entrevista com o possível tutor, porque afinal, é de uma vida que estamos falando”, destaca.
 
O abandono acarreta em prejuízos para a saúde pública, já que pode ocorrer um aumento nos casos de zoonoses, como a raiva, a leishmaniose, verminoses, entre outras. Ainda pode aumentar a população de rua, já que muitos não são castrados e se reproduzem livremente, como também o aumento de acidentes automobilísticos.
 
 
A ADOÇÃO


 
A pandemia fez com que mais pessoas quisessem adotar um animal de estimação. Isso reflete como os animais podem ajudar as pessoas a lidarem melhor com o isolamento. Segundo a União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), esse período de isolamento social tem feito aumentar a procura por adoções, havendo um aumento de interesse em 400%.

Durante o isolamento, Paula Machado, que é mãe de uma menina de 8 anos, adotou uma cadelinha, a Laly, que, segundo ela, levou alegria e novidade contínua para a família que estava muito dentro de casa.

 
“Por causa do isolamento, todos estamos em casa, mas isso não vai ser para sempre, e é importante assumir a adoção com responsabilidade", afirma Paula.
 
Nesse cenário, é uma atitude natural, mas as pessoas devem trabalhar a expectativa antes de realmente adotarem um animal.

 
“Na ONG sempre tivemos a preocupação de falar sobre a posse responsável, independentemente da pandemia. Adotar um animal é um ato de muita responsabilidade. Não é simplesmente chegar, levá-lo para casa, ‘usá-lo’, enjoar dele e aí querer jogar fora e abandoná-lo. A posse responsável é um ato que tem que ser muito pensado”, enfatiza Eliana.

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