02/04/2021 às 00h00min - Atualizada em 02/04/2021 às 00h01min

Brasileiros buscam alternativas para cuidar da saúde durante a pandemia

Atendimentos remotos cresceram em 47,9% no ano de 2020

Alexia Catherine - Editado por Júlio Sousa
Fonte: UEMG
Com a chegada da pandemia do novo coronavírus, e a instalação do isolamento social, o mundo foi obrigado a reinventar sua rotina.Trancados em casa, as pessoas buscam cada vez mais facilidade nas tarefas diárias, como em consultas online, evitando a ida ao médico e a exposição ao vírus. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, somente nessa área os atendimentos remotos cresceram em 47, 9% no ano de 2020.

“Antes algumas pessoas me procuravam solicitando atendimento online, mas eu não fazia, então acabava sendo uma procura bem pequena. Com a chegada da covid-19 aumentou muito, tem semanas que eu só atendo pacientes de forma online”, conta Camila Hernandes Agnolleto, nutricionista pela Universidade Anhembi Morumbi, em entrevista exclusiva ao site do Lab Dicas Jornalismo.

 
Segundo Camila, essa estratégia apresenta muitos resultados, já que as pessoas não precisam se locomover até o seu consultório e recebem o mesmo tratamento que recebiam presencialmente.
 
O Conselho federal de nutrição publicou em agosto de 2020 a Resolução 66º, autorizando nutricionistas a realizarem atendimentos remotos, inclusive a partir da primeira consulta, ato que antes do isolamento não era permitido. O prazo do decreto foi prorrogado inúmeras vezes e atualmente é válido até o fim da pandemia.
 
O apreço pelo conforto que a tecnologia oferece não é apenas dos pacientes, mas principalmente dos profissionais. “Seria interessante se liberassem efetivamente, porque funciona muito bem e acho que eles já perceberam isso. Hoje atendo o mundo inteiro morando no Brasil”, relata.
 
A ordem foi que todos os nutricionistas interessados preenchessem o cadastro no site oficial do Conselho para controle e legalização. Ela informa que o roteiro do atendimento não varia do presencial, a única diferença é o aferimento das medidas, que o paciente aprende através do material disponibilizado.

Entre os pontos positivos, Camila destaca a liberdade geográfica oferecida pela internet permitindo que esteja onde quiser. Além disso, o menor custo colabora para que mais pessoas acessem suas consultas, oportunidade que desperta a disposição para o autocuidado. Como pontos negativos, aponta a falta de relacionamento pessoal com o paciente e a impossibilidade de colher as medidas corporais.

 
Transitando da ocupação de médica para paciente, declara: “Já utilizei consultas online quando estava com covid e amei a experiência, principalmente porque não precisei ir ao hospital, o que nesse contexto colocaria outros em risco e pioraria meus sintomas, consultando em casa estava medicada em menos de 1 hora. É um serviço muito bom e acredito que o Conselho de Medicina deveria estabelecer isso permanentemente, pois ajuda muito as pessoas que não estão em estado grave”.
 
O momento atual esclarece que cuidar da saúde é essencial, desse modo a nutricionista aconselha que as pessoas sejam responsáveis pelo que comem, visto que a obesidade pode agravar os casos de coronavírus. “Beba bastante água, se alimente da forma mais natural possível, pratique atividade física regularmente e tome sol ao menos por 15 minutos, sem protetor solar”, aconselha.

Ressignificando a atividade física
 
Outro aspecto que auxilia ao combate da obesidade é a prática de atividade física. Em um momento em que não se pode aglomerar, a saída é buscar por treinos na internet, seja no Youtube, aplicativos ou aulas particulares. “A procura por aulas online cresceu, porém ainda tem muita gente que não gosta de treinar em casa por não sentir a mesma força de vontade que a academia proporcionava”, informa Vitor Gotardo Muniz, educador físico pela Universidade Santo Amaro e pós-graduando em treinamento esportivo.

Alunos interessados não faltam, mas muitos profissionais da área ainda não se adaptaram ao “novo normal”, resultando em usuários que se exercitam sem acompanhamento. “Isso pode gerar vários problemas, como o agravamento ou surgimento de lesões quando se executa algum movimento de modo errado ou que o seu corpo não suporta”, alerta.
 
O educador explica que o planejamento de aula segue o princípio da individualidade biológica, adequando um roteiro único dentro dos 40 minutos de aula. Para ele, o ponto positivo é a simplicidade em praticar em qualquer lugar ou horário dentro da rotina corrida de muitos brasileiros. Mesmo com o fim da pandemia acredita-se que o modelo remoto permanecerá por diversos motivos, como não precisar se deslocar à academia, ambiente desconfortável para muitos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o índice de depressão aumentou durante o distanciamento social, principalmente em crianças, adolescentes e profissionais da saúde. Para Gotardo, um dos meios de aliviar a tensão imposta pela pandemia é a atividade física. “Melhora a autoestima, o bem-estar e a qualidade de vida, além de diminuir os efeitos do coronavírus no corpo”, ressalta.


Nova vida, novos hábitos

Após sofrer um acidente de carro, a pedagoga Leila Dias realizou sessões de fisioterapia para reabilitar os movimentos das pernas e da coluna. A partir desse momento ela necessita da constante prática de atividade física para evitar dores. “Eu frequentava a academia duas vezes por dia, de manhã participava da musculação e a tarde da aeróbica. Alcancei muitos resultados, como perda de peso”, conta.

Impossibilitada de treinar presencialmente, Leila procurou um personal virtual para retornar à vida saudável. “Eu amei perceber que mesmo à distância tenho acesso a um profissional que ajuda a me cuidar melhor, principalmente adequando a minha rotina e permanecendo dentro da segurança da minha casa”, compartilha.

Além do investimento da aula, ela também adquiriu alguns aparelhos para complementar as atividades propostas pelo educador físico. Atualmente caminha 30 minutos por dia no deslocamento ao trabalho e planeja continuar com a prática online de exercícios, modo crucial para a sua saúde na pandemia.

 

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