02/04/2021 às 00h09min - Atualizada em 02/04/2021 às 00h06min

Dancing With The Devil revela a força de Demi Lovato

Envolvimento com drogas, distúrbios alimentares e o renascimento pessoal são documentados em uma série exclusiva da artista

Camila Mascarenhas - Revisado por Mário Cypriano
Capa do novo álbum - Fonte: Divulgação / Vagalume

 

Lançada no Youtube em 23 de março, Dancing With the Devil é a terceira série documental de Demi Lovato, composta por quatro episódios, durante a overdose sofrida pela cantora em 2018. O objetivo de Lovato era contar a sua trajetória, mas percebeu que havia bem mais a ser dito, permitindo que as câmeras gravassem também os momentos difíceis.


Nesse processo, compôs o seu mais novo álbum de estúdio, que leva o mesmo nome do documentário, Dancing With The Devil.
 

 
A série é um retrato sincero da artista, que se abre sobre os problemas enfrentados e o renascimento. Não é apenas mais um documentário de uma estrela pop. Em meio a pandemia da Covid-19, uma produção como essa inspira a valorização da vida, a cuidar de quem somos, falar do que sentimos para podermos voar como as borboletas. Talvez seja essa a função de um documentário: contar uma história que toque as pessoas em algum lugar, o que Lovato fez com coragem.
 

“Perdendo o controle”


O primeiro episódio começa com a rotina de shows da cantora durante a Tell Me You Love Me World Tour, sua turnê mundial entre 26 de fevereiro de 2018 e 22 de julho do mesmo ano, totalizando 42 shows entre América do Norte e Europa. No decorrer da gravação, Demi aparenta estar feliz.  As performances impecáveis nos transportam ao universo da música, ensaios, fãs e figurinos.

Mas, ainda no começo, quando a cantora recebe uma mensagem de sua mãe afirmando que a turnê havia sido a melhor e que as coisas dali para frente só iriam melhorar, 
tudo muda. Neste momento, o filme apresenta os motivos que a levaram à overdose. Tudo começa durante a infância e a adolescência, na relação conturbada com o pai, que era alcoólatra e viciado em drogas. Demi presenciava os momentos em que ele era agressivo com sua mãe, temendo que algo ruim ocorresse e que ele acabasse sozinho.

Outro ponto relevante foi a sua participação em concursos de beleza quando mais nova, despertarando o lado competitivo e a perda da autoestima, chegando a deixar de comer enquanto não ganhasse os concursos. Além disso, na adolescência, atuou em séries televisivas, buscando a perfeição em todos os papéis. Nesse momento,  o documentário humaniza a artista, mostrando como é complicado crescer em frente aos holofotes.

Para tratar do transtorno alimentar, Demi recorreu a uma equipe de profissionais composta por assistentes, coach de bem-estar, nutrólogos, nutricionistas e terapeutas. Entretanto, a cantora se sentia controlada, ao invés de estar no controle. A equipe frisava que Lovato precisava se manter sóbria e saudável, moralmente e fisicamente, por ser um exemplo para os fãs. A vida extremamente regrada a deixou completamente infeliz, chegando ao seu limite. O espectador começa a entender que a artista, já traumatizada, estava à flor da pele e encontrou nas drogas o seu refúgio.

Cansada de viver sob o controle dos outros, depois de seis anos sóbria, Demi Lovato teve um ato de rebeldia: foi à festa de uma amiga, e quando acabou, ligou para um traficante e misturou todas as drogas disponíveis, substâncias que ela nunca havia experimentado na vida. E essa foi a ponta do iceberg. O primeiro episódio termina nesta cena, despertando a curiosidade e a agonia em quem assiste.

 
 

“A cinco minutos da morte”


O segundo episódio destaca a manhã do dia 24 de julho de 2018, quando os principais veículos de comunicação noticiaram a overdose de Lovato, que sofreu três derrames e um ataque cardíaco. Sua assistente se prontificou a chamar os paramédicos que tentaram reanimá-la, porém, sem sorte a levaram às pressas para um hospital.

Demi foi tratada pelo doutor Shouri Lahiri, que utilizou uma máquina que filtrava as toxinas no sangue, retornando-o limpo ao corpo. 
Na cena final, Demi reflete sobre a vida em um jardim de borboletas, sensibilizando o espectador com a sua história.
 
“As pessoas não têm ideia do quão pesado foi” disse a cantora.


 

“Retomando o controle” 


No terceiro episódio, Demi permite recomeçar, fazendo mudanças em sua equipe e se aproximando dos familiares, além de realizar o tratamento em clínicas de reabilitação. Não foi fácil no início, mas contribuiu para que pudesse retomar o que ama: compor músicas. Um momento marcante do episódio foi a sua volta aos palcos na premiação do Grammy de 2020, sensibilizando o espectador no decorrer da emocionante performance de Anyone.  
 


 

“Renascimento”


Por fim, no quarto e último capítulo ocorrem participações especiais como as de Cristina Aguilera, Will Ferrel e Elton John, que simpatizam com a história da cantora e a consideram brilhante. Ao longo do episódio, a rotina de Demi durante a quarentena é revelada, buscando a meditação para cuidar da saúde mental, além da notícia de seu noivado. 

Apesar de ter colocado um ponto final no relacionamento depois de quatro meses, motivo suficiente para uma possível recaída, a cantora não voltou a usar drogas pesadas, encontrando um certo equilíbrio entre fumar maconha e beber com moderação. Comprou uma casa decorada sob medida, cortou o cabelo como um ato simbólico de despedida para a “antiga Demi” e dedicou-se à música.

“A coisa toda é um processo de aprendizagem para mim, de não ter mais medo e seguir em frente com o que quero fazer”, disse a cantora.

No fim, Demi conclui que não viverá mais para os outros ou em função das redes sociais, abrindo asas para uma nova jornada. É o seu renascimento. 
 

 


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