02/04/2021 às 21h39min - Atualizada em 02/04/2021 às 21h05min

Seda: Conheça a história da matéria-prima que virou tendência no BBB 21

A fibra natural dá vida a peças com tecidos leves, delicados e sensuais

Maria Fernanda Melo - Editado por Clara Molter Bertolot
Maria Fernanda Melo
A participante do Big Brother Brasil 21, Juliette Freire, tem feito dos looks que usa dentro da casa tendência em todo o Brasil. Além do delineado perfeito e das tiaras de princesa, a maquiadora aposta nos vestidos de tecidos acetinados, comercializados pela rede de lojas C&A.

O que poucos sabem, no entanto, é o que são os tecidos acetinados. Marcado pela leveza e brilho lustroso, esse material tem como base de produção o algodão ou a seda. Essa reportagem contará a história de uma dessas matérias-primas: a seda.

Entre tantas lendas, a origem

A seda foi descoberta na China. Entre inúmeras histórias que explicam esse achado, a que se destaca é a da imperatriz Hsi Ling Shi: enquanto tomava seu chá quente embaixo de uma amoreira, um casulo de mariposa caiu em sua xícara e, ao tentar retirá-lo, ela percebeu que um fio se soltou.

Mais uma vez, as mulheres fizeram história. Atualmente, na cultura chinesa, a imperatriz é considerada a deusa da seda. Em outros impérios, essa fibra, que logo foi transformada em tecido, tornou-se valiosa, e seu preço chegou a ser cobrado em ouro.

Mantendo a sua produção em sigilo por muito tempo, a China carrega essa indústria há mais de cinco mil anos. Incialmente, por ter sido artesanal, muitas mulheres se dedicavam a esse trabalho constante que era divido nas seguintes fases:

Rota da Seda

Com o passar do tempo, os trajetos em que o tecido dessa fibra começou a ser comercializado foi denominado Rota da Seda. Conectando os países do Oriente e Ocidente, esses caminhos se tornaram pontos de venda. Bens de todos os lugares passaram a ser comercializados, e a Rota da Seda movimentou a economia de muitos impérios.

Em 2014, a renomada marca Animale apresentou, na São Paulo Fashion Week (SPFW), um desfile totalmente inspirado na Rota da Seda. Com a estreia do estilista baiano Vitorino Campos, as peças tinham como referência desde Istambul, na Turquia, passando por países da Ásia até chegar à China.  

O contrabando dessa fibra era feito através das grandes navegações, como conta Denise Aguiar, empresária e diretora de uma escola de moda: “Escondiam os casulos nos trajes debaixo dos marinheiros, e quando descobertos, eram jogados ao mar. Há relatos de padres que também foram jogados no mar ao serem pegos com casulos”, comenta Denise.

Entenda um pouco mais sobre a Rota da Seda no vídeo abaixo: 


Cetim ou seda?

A seda é uma fibra, que quando transformada em fios, pode dar origem a peças 100% naturais. Já o cetim, é um tecido produzido por materiais sintéticos ou naturais, como a seda, o poliéster ou o nylon. Porém, ambos têm a sua origem na China.

No entanto, como explica a diretora Denise, o cetim também é uma forma construção de tecidos. Sendo assim, em uma das maneiras que, trançando diferentes tipos de fios, resulta em um tecido específico.   

Tendência em 2021

Além da influência de Juliette Freire, participante do BBB21,  a tendência dessas peças tem outra explicação. Paula Chiaradia, consultora de imagem e estilo pessoal, conta que os tecidos acetinados parecem ser uma aposta em que, mesmo com essa crise global, “o glamour é a fantasia que pode deixar toda esta realidade menos sombria".

Mesmo marcado pela sensualidade, os vestidos de seda ou cetim podem transitar tranquilamente entre looks de outros estilos. Como destaca Paula, a cor e modelagem da peça dizem mais sobre o estilo de quem a usa. Analisar uma roupa isoladamente não decreta o estilo de alguém.

O slip dress (vestido deslizante), sempre esteve presente na vida de Ana Carolina Dalcolmo, jovem de 26 anos, social media. Ela conta que a tradição vem das mulheres de sua família: “Tive blusas de seda, lenços e echarpes na adolescência, mas no Brasil ainda não havia slip dresses, principalmente para meninas maiores como eu”, comenta Ana.

A social media conta ainda, que apenas em 2017, aos 22 anos, quando já havia se mudado para Paris, comprou seu primeiro vestido de seda. Por compor seus looks misturando peças femininas com algumas consideradas mais masculinas, ela opta pelos vestidos de seda, pois trazem uma feminilidade à produção.



Sobre a “coragem” que muitas mulheres acreditam ser necessária para o uso de slip dress, Ana Carolina entende o motivo desse tabu. Devido ao tecido leve, esses vestidos marcam as curvas femininas, incluindo as que costumamos não gostar. Para a social media, essa é uma das razões que reforça a necessidade de ter um corpo padrão para utilizar peças com esses tecidos. 

Além disso, Ana explica que, junto aos processos de desconstrução e aceitação do próprio corpo, a autoestima vem de dentro, e mesmo utilizando a melhor e mais bonita peça do mundo, se não estiver se sentindo bem, o resultado é negativo. “É muito mais sobre nós mesmas do que sobre as peças!”, afirma a jovem.

Porém, a consultora de imagem, Paula Chiaradia, dá dicas para quem tem vontade de experimentar a seda, mas não sabe por onde começar. A avaliação da modelagem é essencial para se sentir confortável. Ela explica que iniciar utilizando uma camisa ou outro tipo de blusa, ao invés de um vestido, que é peça única, pode ser mais fácil.

Os acessórios acetinados também são uma ótima opção. Os lenços utilizados como cintos, tops ou em bolsas podem te introduzir à esta tendência. Entretanto, como afirma a consultora: “A moda é sinônimo de comportamento, e precisamos usá-la a nosso favor, e não ser escrava de tendências".







 
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