10/04/2021 às 21h25min - Atualizada em 10/04/2021 às 21h12min

A tradução da poeta Amanda Gorman no centro do debate literário promove discussões nas redes sociais

Por conta das criticas e comentários negativos, Marieke Lucas Rijneveld desistiu de fazer a tradução de "The Hill We Climb"

Daniela Alves Silva - Editado por Andrieli Torres
Fonte/Reprodução: Google
A escritora e poeta holandesa não binária Marieke Lucas Rijneveld, que aos 29 anos se tornou a mais jovem pessoa a receber o importante prêmio Booker Internacional, traduziria para sua língua natal poemas da americana Amanda Gorman -que, aos 22, ganhou projeção ao declamar "The Hill We Climb" (a colina que subimos) na posse do presidente americano, Joe Biden.

A escolha agradou a Gorman, segundo a editora holandesa Meulenhoff. A única exigência feita pela poeta americana era que o tradutor tivesse um relacionamento pessoal com sua poesia, em estilo e tom. Mas por conta das criticas e comentários negativos Marieke Lucas Rijneveld desistiu de fazer a tradução de "The Hill We Climb" (a colina que subimos).
 
É muito Importancia de se ter um debate voltado a esse aspecto da traduçao pois sem ela muitos livros que fizeram sucesso ao longo dos anos não teriam alcançado milhões de pessoas em varios paises. 
 
Alguns aspectos são levados em consideração na hora da escolha do tradutor da obra  e que tem a empatia e o comprometimento de fazer a  tradução, trazendo as ideias e sentimentos que os autores  retram em suas obras
 
Quem é Amanda Gorman
 
 A jovem poeta Amanda Gorman, 22 anos, foi a surpresa e a figura mais inspiradora na cerimónia de posse, em 20 de janeiro, do pressente Joe Biden e da vice Kamala Harris, no Capitólio de Washington.  
 
Ela emocionou a América e o mundo. Todos que acompanharam a posse presidencial nos Estados Unidos pelas redes sociais ou veículos de comunicação terá na memória aquela vibrante interpretação do poema The Hill We Climb (a colina que escalamos) que ela própria escreveu. A mensagem no poema é poderosa, dita com uma forte  convicção: "canto à fraternidade, à união do povo e da nação americana" (um país mortificado mas inteiro), após a funda divisão gerada na presidência Trump. Este apelo de Amanda Gorman à coesão torna ainda mais absurdos os episódios seguintes.

A poesia de Amanda emocionou tanto as pessoas  que de toda a parte surgiram varias editoras a querendo publicar a tradução da poesia desta inspiradora afro-americana.   
 
O inicio da polêmica

Com o interesse dos Países Baixos, foi a Meulenhoff, grande editora de Amesterdão, com um enorme catálogo de traduções de escritores aclamados.

A Meulenhoff  atribuiu a tradução de Amanda Gorman a uma também poeta, Marieke Lucas Rijneveld, 29 anos, escritora premiada com o International Booker Prize. Marieke faz questão de se apresentar como pessoa não binária (faz sentido perguntar: e o que é que interessa para o caso que seja uma pessoa que se identifica igualmente como homem e como mulher?), particularidade que a editora Meulenhoff considerou interessante por terem, autora e tradutora, história de ativismo e convergência de combates: Amanda Gorman milita nas questões raciais e na luta contra a discriminação, Marieke Lucas luta pelo reconhecimento da identidade não sexuada. A escolha traz assim causas e elementos que poderiam provocar certa aproximação entre a  autora e a tradutora.

Mas a partir dessa decisão começaram a aparecer alguns questionamentos e matérias fazendo comparações referente a escolha da tradutora. A coluna de opinião num influente jornal de Amesterdão, o De Volkskrant, em que a cronista e ativista negra Janice Deul (define-se fashion/cultural activist) critica a entrega da tradução a um ser branco “já que para captar todos os matizes do significado dos poemas [da negra Amanda Gorman] há que ser negra como ela”.

 
A opinião de Janice Deul abriu polémica que inflamou o mundo editorial e redes sociais não apenas nos Países Baixos, e a Viking Books, editora de Amanda Gorman, detentora dos direitos de publicação do livro e uma grande casa editorial nos EUA, reabriu consultas sobre a publicação.

Perante os argumentos raciais na discussão, Marieke Lucas, que já tinha avançado parte do trabalho de tradução, incomodada e talvez intimidada com o ruído irracional, comunicou à editora que decidiu renunciar a tarefa e cancelar o contrato de tradução de The Hill We Climb.
 
Só para entendermos como essa situação absurda que estamos vivendo, o preconceito, intolerância e incompreensão ajudaram a uma tradutora a não concluir o seu trabalho  que é  a obra de outra ativista que luta pelos diretos e problemas na sociedade.
 
Existem várias obras que o autor e o tradutor não tem nenhuma afinidade aparente. A intenção de ter a  representatividade é algo importante mas os traços de preconceito são bem perceptivos em uma área que não é tão aberta assim, onde não se ver tantos tradutores negros ou de outras classes representativas da sociedade que muitas vezes tem que lutar pelos seus direitos de ter mais voz na sociedade, então é importante que os tradutores como em qual outra profissão seja julgado pelo seu trabalho e não pela a sua imagem como individuo.
 
Devemos fazer questionamentos sobre o motivo desta classificação da capacidade profissional em relação a cor da pele do tradutor. Temos que observar e entender que o tradutor tem que passar a mensagem do autor independente da sua cor, raça, gênero ou etinia, o que importa é o seu trabalho de passar  a mensagem que o autor construiu na obra. 


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