18/04/2021 às 13h57min - Atualizada em 18/04/2021 às 13h40min

O retrato da fome no Brasil em meio à pandemia

No contexto atual da pandemia de covid-19, 119 milhões de brasileiros conviveram com algum grau de insegurança alimentar

Isabel Dourado - Editado por Gustavo Henrique Araújo
Foto/Reprodução: Google

O atual cenário da pandemia de covid-19 restringiu a maior parte das atividades econômicas entre o ano passado e este ano, gerando um aumento no número de desempregos, o que impactou a vida de muitos brasileiros. A queda na renda pessoal e a consequente mudança no padrão de consumo foram pontos críticos para ampliar o quadro de famílias em insegurança alimentar.

 

Considera-se em situação de insegurança alimentar um domicílio com incerteza quanto ao acesso à comida no futuro ou que já apresenta certa redução de quantidade dos alimentos consumidos. 

 

Segundo um estudo técnico de 2016 do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), a experiência da insegurança alimentar e fome se dá na forma de um processo contínuo. 

 

Primeiro acontece a preocupação em ter alimento suficiente, após isso, é adota uma mudança na dieta (qualitativa e quantitativamente) com o intuito de prolongar os alimentos por mais tempo e, por fim, a diminuição real no consumo, que pode expressar a fome propriamente dita. A Escala Internacional de Insegurança Alimentar (EBIA) é medida de forma leve, moderada e severa.

 

“Felizmente a gente teve o auxílio emergencial que teve a capacidade de suprir essa perda de renda de grande parte da população, no entanto o auxílio emergencial não conseguiu atingir todos que precisavam desta ajuda”, afirmou o economista da XP Investimentos, Samuel Macedo.

 

Uma pesquisa realizada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN), apontou que 19 milhões de brasileiros se encontram em situação de insegurança alimentar.

 

A pandemia e a situação econômica do país nos últimos anos pioraram a alimentação dos brasileiros. Dados da pesquisa mostraram também que 59,4% dos domicílios brasileiros conviveram com algum grau  de insegurança alimentar no fim de 2020. 

 

Projetos sociais e ONGs que atuam à frente no combate à fome no Brasil tiveram as doações afetadas pela pandemia. As pessoas que antes doavam para as instituições passaram a diminuir a ajuda com contribuições ou também a receber algum tipo de amparo.

 

A fundadora do projeto social “Eu Posso Doar", Ana Flávia Brito, que ajuda famílias carentes de Brasília, afirma que tirar um alimento para destinar à doação é um ato de contribuição para pessoas que estão em uma situação de vulnerabilidade, ainda mais no contexto atual de pandemia. “Quando eu tiro um alimento da minha dispensa, eu estou contribuindo para um mundo melhor.”

 

A angústia de assistir às pessoas passando pela falta de acesso aos alimentos é vista como uma situação de partir o coração, segundo o testemunho do fundador do projeto social Dudu Noel, Eduardo Nolasco, de Brasília. "Realmente dói no coração ver o que as pessoas estão passando."

Diversos escritores brasileiros escreveram sobre o problema da fome no Brasil. Entre eles, Manuel Bandeira no poema O Bicho, Carolina Maria de Jesus na obra Quarto de Despejo, Gracilianos Ramos em seu celebrado livro Vidas Secas, entre outros autores. Apesar das obras serem do século passado, a fome ainda é uma realidade no país.

 

O acesso à alimentação é um direito previsto no artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos que afirma: “Toda pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde, o bem-estar, principalmente quanto à alimentação [...]” 

 

O direito à alimentação também é previsto como direito social na Constituição Federal no artigo 6. "São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação [...]"

 

A campanha #TemGenteComFome escancarou a realidade atual. A ação nacional busca arrecadar fundos para enfrentar a fome, a miséria e a violência na pandemia.

 

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