04/06/2021 às 11h21min - Atualizada em 04/06/2021 às 11h14min

590 anos da morte de Joana D’Arc

Uma jovem guerreira que virou santa

Ianna Oliveira Ardisson - Editado por Andrieli Torres
Fonte/Reprodução: Google
Lutar em guerras é uma função masculina? O estereótipo criado de mulher frágil e submissa nos leva a aceitar que guerras são para os homens. Para as mulheres resta ficar à espera de seus companheiros e cuidar do lar e das crianças no aguardo da volta do homem guerreiro. É incrível imaginar uma mulher que há mais de 500 anos se arriscou, desafiou esse lugar preestabelecido, e assim, participou de várias batalhas. Joana D’Arc de sua origem como camponesa vem a ser um símbolo de mulher guerreira que virou santa. Em 30 de maio se comemora o Dia de Santa Joana D’Arc a qual é a padroeira da França.   
 
Após ter tido uma visão em que recebeu uma mensagem de São Miguel Arcanjo, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida de Antioquia, Joana que era muito religiosa, entendeu que deveria conduzir os exércitos da França. Ela tinha visões e ouvia vozes desde os 13 anos em suas experiências religiosas.  Encontrou-se com o rei Carlos VII, quando ela tinha aproximadamente 16 anos, e o convenceu a participar da guerra. O rei a entregou armas, vestimentas e uma autorização para comandar uma tropa com cerca de sete mil homens.  Ela ficou conhecida como quem mudou o rumo da França na Guerra dos Cem Anos, conflito entre a França e a Inglaterra.
 
Joana passou por vários testes para ser aceita e poder participar das batalhas. Aprendeu a lidar com a armadura, cavalgar com seu cavalo e tomou a atitude de cortar os cabelos bem curtos, imagem clássica que vem a nossa mente ao pensar nessa personagem histórica. Quando preparada assumiu o posto de liderança a frente dos soldados. Tornou-se, assim, uma mulher líder do exército francês em cumprimento a uma ordem divina recebida.
 
O nome de Joana ficou amplamente conhecido entre franceses e ingleses após a vitória em Orleans em maio de 1429. Foi ela quem conduziu as tropas à vitória. Ela foi fundamental também para, em julho do mesmo ano, o Delfim Carlos VII ter sido coroado rei da França. A vitória em Orleans e a coroação do rei trouxeram ânimo aos franceses e representaram a virada da guerra.
 
Em 30 de maio de 1431, após ter sido acusada de heresia e bruxaria, o julgamento a sentenciou à morte na fogueira. Frente a seus inquisidores Joana demonstrou segurança e bravura, entretanto não se livrou de uma terrível sentença. Teve um fim trágico, aos 19 anos foi queimada viva amarrada a uma estaca de madeira. Conta-se que enquanto queimava ela gritava desesperadamente o nome de Jesus.
 
A revisão do processo que condenou Joana D’Arc começou a partir de 1456 e ela foi oficialmente inocentada após intervenção do Papa Calisto III. Assim, o processo que a condenou foi invalidado. No século 20, em 1908, o Papa Pio X reconheceu três milagres de Joana D’Arc, a cura de três freiras que teriam se recuperado após rezarem para ela. No ano seguinte, a igreja autorizou a beatificação dela e foi em 1920 que  o Papa Bento XV a canonizou, a transformou, então, na santa Joana D’Arc.

Em plena idade média, Joana se destaca como uma jovem que foi líder militar, representação feminina forte simbolicamente como referencial de mulher que foge aos estereótipos de frágil. Essa figura feminina representada por Joana D’Arc é ainda uma referência inspiradora de um poder feminino, uma guerreira cheia de atitude e não uma mulher submissa. Guiada por uma convicção religiosa, apoiada em sua fé, nos mostra como a confiança em si e em um propósito de vida a cumprir é capaz de dar forças para alcançar grandes objetivos.

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