04/06/2021 às 11h55min - Atualizada em 04/06/2021 às 11h03min

Companhia de animais como refúgio no período de distanciamento social

Os animais de estimação contribuem para a saúde mental dos humanos e os ajudam a enfrentar o período

Fernando Azevêdo - Editado Talyta Brito
Arquivo Pessoal/ Camila Lustosa

A pandemia de novo coronavírus ditou novas formas de viver no mundo, a exemplo da imposição de um distanciamento social. O contato com outros humanos se tornou perigoso, sendo que muitos trabalhos e aulas agora são acompanhados de casa. Neste contexto devastador, no qual há tantas perdas e incertezas, ter a companhia de um animal de estimação se fortaleceu como um fator de tranquilidade. Os animais acompanham o ser humano desde os períodos mais antigos, passando das relações de trabalho a posições de grande afeto dentro de famílias. Ser responsável por um pet, mais que uma responsabilidade, mostra-se uma alegria, ainda mais no cenário pandêmico. 

 

O Guia de Saúde Mental Pós-Pandemia, da Pfizer, aborda consequências da pandemia na sociedade e a relação entre pandemia e a preocupação com a saúde mental. Estresse e ansiedade, por exemplo, vindos de mudanças bruscas nas rotinas das pessoas, estão entre tais preocupações. As interações com os animais são muito benéficas ao ser humano, como aponta a psicóloga Sabrina Karen: "Os bichinhos contribuem bastante mesmo, porque são seres inocentes, que dão amor sem esperar muito da gente. Eles contribuem na saúde mental gerando afeto, diminuindo o estresse. Querendo ou não, eles fazem os tutores rirem, dão carinho".

 

"Isso acaba fazendo com que as pessoas pensem duas vezes antes de fazer algo por ter um animal que depende deles", declara Sabrina.
 

 

"Ele é um refugiozinho"
 

 

Camila Lustosa, estudante e tutora do gato Ariel, tem percebido que seu bichinho a ajuda bastante a enfrentar este momento. "Ele é um refugiozinho. Acaba sendo um refúgio [...]. Eu não consigo imaginar o isolamento sem ele, não. Ia ser muito horrível", tranquilamente afirma. Um dos passatempos da estudante na quarentena tem sido ver vídeos fofos de animais. Após ver os vídeos, ela gosta de abraçar o próprio gatinho. O relacionamento entre pet e tutora agora é vivido 24 horas do dia. Sempre estão juntos. É por meio de arranhões que Ariel tenta comunicar alguma coisa a Camila, que diz que nem sempre está a fim de saber do que se trata. Provavelmente, ele quer dizer que precisa de um tempo só dele, sem abraços e brincadeiras. "Isso é péssimo ", Camila deixa bem claro.

 

Mesmo sendo arisco e dificultador do relacionamento com a tutora, Ariel significa muito para Camila. Ela relata que foi se dando conta disso, pois nunca havia tido um pet só dela. 

 

 

Em relação a sua saúde mental, a estudante destaca episódios difíceis nos quais até ver vídeos de Ariel andando e bebendo água, em um período que ela estava distante fisicamente, foi um passo para superar essas fases. "Eu estar com ele em casa acabou ajudando minha felicidade e minha estabilidade mental. Que eu nunca mais tive nenhum gatilho [...].  Acho que ele me ajudou bastante nisso. Fez  parte", conta sobre o fato de estarem próximos agora. 

 

"Eu fui ter ele em 2017. Eu tinha 19 anos, aí foi bem diferente. De lá para cá, ele virou uma parte essencial na minha vida, porque eu gosto muito de estar com ele. Sempre que eu chego em casa, eu vou atrás dele, para saber como ele está. [...] Eu gosto muito dele, sabe? Eu acho até que amo meu gato", Camila carinhosamente declara.

 

Bichinhos ajudam, mas também são afetados

 

O fato de estarem confinados junto com os humanos não é de todo benéfico para os animais de estimação. Pesquisa conduzida na Espanha e publicada na revista Journal of Veterinary Behavior, em 2020, aponta que pode haver mudanças comportamentais nos bichinhos. Ao mesmo tempo que auxiliam os humanos a suavizar os efeitos do distanciamento social, eles podem sofrer de estresse. Passear com os bichinhos respeitando o distanciamento social e se protegendo é um desafio real para quem tem um deles, até dependendo da localização geográfica. Animais que vivem em apartamentos, como é o caso de Ariel, que tem adquirido um comportamento sedentário, ficam privados de muitas atividades físicas importantes para a saúde animal. Segundo Camila, Ariel apenas come todo o tempo.

 

Adoção durante a quarentena

 

Quando responsável, a adoção significa uma chance de dar ao animal uma boa qualidade de vida. Em recíproco, os humanos também recebem melhora na qualidade de vida. A adoção é um gesto de solidariedade com bichinhos que não teriam lar de outra forma. Essa prática tem crescido durante a quarentena. Segundo a União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), houve 400% de aumento na procura por cães e gatos para adoção no período. A ONG é localizada na Zona Norte de São Paulo.



 

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