17/06/2021 às 22h17min - Atualizada em 17/06/2021 às 21h45min

Inclusão digital e a terceira idade: uma estreita e necessária relação

Como a pandemia do novo coronavírus acelerou a inclusão digital para os idosos e mostrou a importância da geração atual em facilitar esse processo

Larissa Bispo - Editado por Andrieli Torres
Foto/Reprodução: Google
Não é nenhuma novidade que o mundo está cada vez mais digital. Seja na vida pessoal ou profissional, é impossível não estar conectado 24h às tecnologias digitais. Essa realidade, porém, se configura de forma bastante diferente em uma faixa etária que ainda está se acostumando com o fato de que muitas das dinâmicas antes feitas através de meios analógicos ou presenciais hoje podem ser realizadas em um aparelho que cabe na palma da mão.

Não seria exagero dizer que essa transição quase forçada impactou a vida da terceira idade. Para uma geração nascida em uma época em que nada disso existia, lidar com essa demanda de informações digitais não é uma tarefa fácil, tampouco rápida. Afinal, as tecnologias digitais estão sempre mudando e cada vez mais alguns artifícios analógicos estão ficando para trás. Assim, pensar em uma rápida compreensão e manuseio é se basear em um manual utópico.

Com o cenário da pandemia do novo coronavírus e as implicações trazidas à esse grupo de risco em isolamento, os idosos, antes de tudo, precisaram aprender a cultivar uma boa relação com a tecnologia para que a relação social com parentes e amigos fosse mantida estreita durante esse período. E para que um abraço físico pudesse se tornar realidade de novo, foi importante, primeiro, abraçar esse desafio e enxergar o mundo tecnológico como um aliado.

É o caso de Francinete Lima, de 68 anos, que pôde manter contato com a família e os amigos através do celular. “Foi muito bom porque se não fosse isso eu ia ficar totalmente isolada, não ia ter como me comunicar de jeito nenhum. Nesse ponto eu até agradeço de existir o celular porque só assim a gente consegue se conectar com as pessoas tão longe”, relata.

Em um estudo realizado pela Kantar Ibope Media, 85% das pessoas com mais de 60 anos usaram a internet em 2020 para obter informações antes de realizar uma compra. Assim, vale pensar: a era digital está mesmo limitada aos mais jovens? É mesmo necessário negar acessibilidade a esse grupo etário e alimentar o pensamento de que são incapazes de entender ou aproveitar as vantagens que o universo tecnológico oferece?

Nos últimos dias, viralizou na internet uma publicação feita por Raphaela Martinez, através do LinkedIn, compartilhando sobre a maneira que encontrou de ensinar ao seu avô como usar o celular apenas desenhando telas, botões e a funcionalidade dos comandos. “Com uma sulfite e uma lapiseira decidi que meu “método de ensino” seria reproduzir em forma de desenho as telas e o passo a passo de como usar o celular”, ela conta no post.


Se estamos vivendo em um mundo onde a tecnologia rege boa parte do nosso cotidiano, é impossível não começar a pensar em maneiras de incluir a geração passada nele. Muitos deles, porém, encontram inúmeros obstáculos para lidar diariamente frente a esses aparelhos digitais. “A  maior dificuldade que encontrei é a de adaptação”, é o que salienta Francinete. Não é à toa que muitos desistem e enxergam a tecnologia como algo não feita para eles. 

A verdade é que, sim, os aparelhos celulares e seus aplicativos não foram pensados para esse público. Suas ferramentas, usabilidades, interface e muitas vezes a poluição visual presente neles dificulta o processo de memorização. Por isso, é importante também ressaltar a importância das empresas em pensar em estratégias dentro do digital que abracem seus clientes mais idosos. Se levarmos a inclusão digital como uma consequência, precisamos pensar também, como geração nascida nessa era tecnológica, em nosso papel para desburocratizar suas circunstâncias à esse público.

Mais do que deixá-los antenados, é também integrá-los nessa nova forma de sociedade virtual. É mostrar as possibilidades de tornar um hábito mais fácil, como também fazê-los sentirem que, apesar de nascer em uma geração diferente, foram feitos para enviar áudios no WhatsApp, compartilhar uma foto em rede social e até mesmo fazer uma transferência bancária. Precisamos olhar para eles e vê-los com a capacidade de entender e aproveitar o que a tecnologia proporciona de bom, porque idade nunca deve ser um impedimento quando estamos falando em aprender.

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