21/06/2021 às 00h48min - Atualizada em 21/06/2021 às 00h41min

Os livros de fantasia que conquistaram a geração z em meio a quarentena

Obras que se destacam entre os jovens são Holly Black e as veteranas J.K. Rowling e Cassandra Clare são nomes fortes no aquecido mercado de livros juvenis no Brasil

Daniela Alves Silva - Editado por Andrieli Torres
Foto/Reprodução: Google
A geração Z é composta por quem nasceu na primeira década do século 21. Por não haver uma exatidão na contabilização do tempo em relação ao surgimento das diferentes gerações, podemos considerar como geração Z quem nasceu no fim da década de 1990. O mais marcante desse grupo, é a sua íntima relação com a tecnologia e com o meio digital, considerando que nasceu no momento de maior expansão tecnológica proporcionada pela popularização da internet.

Uma das histórias que se destacaram no gênero de fantasia, foi Entre Fadas e Humanos - Holly Black: a autora aplica ensinamentos do mundo real a obra retrata Jude que é uma adolescente como tantas outras, exceto por um fato deveras peculiar: ela e suas duas irmãs foram sequestradas do mundo dos humanos e criadas no Reino das Fadas. Engana-se quem pensa que a nova moradia é um deleite mágico.
Os seres fantásticos de beleza incomparável são cruéis com as garotas: na escola, elas sofrem bullying e são tratadas como inferiores por um príncipe mimado. Sobreviver ali demanda resiliência e autoestima, características que Jude desenvolve aos trancos e barrancos. 

A garota não está só: os obstáculos vividos pela protagonista de O Príncipe Cruel, de Holly Black, são comuns aos milhares de leitores que acompanham seu amadurecer inclusive à própria autora, vítima de bullying aos 13 anos. “Meus livros são escapistas, mas refletem a experiência humana”, disse Holly para a Veja.

Apaixonada por seres imaginários, de vampiros a fadas, a americana de 49 anos usa como bússola de sua escrita uma pergunta inspirada na própria provação: o que é pior do que ser um adolescente no colégio? Com a pandemia, que privou os jovens do imprescindível convívio escolar e social, o questionamento ganhou nova dimensão.

Assim como Jude, a dita Geração Z dos nascidos a partir de 1995 encontrou na literatura fantástica um refúgio para a dura vida em tempos pandêmicos. Isolados em casa, com aulas on-line e “zerando a Netflix” ou seja, exaustos de consumir séries, os adolescentes passaram, quem diria, a ler mais.


Segundo dados do instituto de pesquisas Nielsen, o filão da fantasia young adult  os jovens entre 16 e 24 anos registrou em 2020 um crescimento de 61% no Brasil, com mais de 1,5 milhão de títulos vendidos. Para além da promessa de fuga da realidade hostil, os livros do gênero vêm cumprindo a missão de transmitir esperança com suas tramas épicas adocicadas. Se o personagem consegue sobreviver a tantas situações difíceis, os leitores se inspiram nessas histórias para passar por situações difíceis.
 
Livros que se destacam entre os jovens são Holly Black e as veteranas J.K. Rowling e Cassandra Clare são nomes fortes no aquecido mercado de livros juvenis no país. Mas quem puxa esse bonde é Sarah J. Maas. Em 2020, a americana de 35 anos ultrapassou no Brasil a marca de 1 milhão de livros vendidos. No mundo, já passou de 10 milhões.

Duas sagas fantásticas alçaram a autora às listas de best-sellers: Trono de Vidro e Corte de Espinhos e Rosas que será adaptada para a TV. Com a chega  do quarto livro da série, Corte de Chamas Prateadas. Atestando a popularidade de Sarah, o novo romance vendeu 2500 exemplares em meros cinco minutos de pré-venda pela Amazon brasileira.
 
A receita de seu sucesso se baseia em tramas apinhadas de seres mágicos, como fadas e serpentes aladas, e protagonistas empáticos, mas imperfeitos, envolvidos em disputas políticas e territoriais, além de romances complicados. “É quase um Game of Thrones para adolescentes”, diz Rafaella Machado, editora executiva do Galera Record, que publica Sarah e Holly no Brasil.

O selo da editora carioca fez apostas decisivas para o atual boom juvenil. A principal delas pode parecer fora de lugar: acenar com livros físicos quando a venda de e-books explodiu por causa do isolamento. A nova onda provou que os jovens, estão habituados ao consumo virtual, não resistem a lançamentos vistosos como boxes e brindes exclusivos.

Ações nas redes sociais e táticas para estreitar o relacionamento com os fã-clubes complementaram a estratégia que levou o Galera Record a tornar-se líder do segmento juvenil, superando a Rocco — que, mesmo no segundo lugar, ainda se mantém forte com J.K. Rowling e seu Harry Potter.
 
Curiosamente, a popularidade da fantasia se desdobrou em subgêneros inesperados.  Segundo a Rocco, a trilogia Winternight, de Katherine Arden, inspirada no folclore russo, e O Legado de Orïsha, série fictícia que bebe da mitologia iorubá, de Tomi Adeyemi, cresceram 30% durante A pandemia.

A quarentena foi importante para o impulsionamento e aumento da leitura de livros de fantasia em meio a tantos gêneros a leitora Luanda Aline de Freitas destacou que agora na pandemia, como estou lendo mais, estou também abrindo o leque e vivenciando outros gêneros, um deles foi a fantasia.

A leitora Isabela Parra que consome livros de gênero de Fantasia e Romance trouxe a estimativa de como ela era antes da pandemia. “Em torno de um livro por semana, totalizando 56 por ano. Depois da pandemia de dois a três livros por semana, tive algumas ressacas nesse período. Li 80 livros no ano. Em questão de consumo (compra), comprei 15 livros em 2019. Em 2020, comprei 130 livros.

Ela ainda destacou que o motivo de optar por esse gênero é que instiga a criatividade e que propicia a saída do mundo real para um mundo imaginário. Apesar de muitas vezes os personagens terem problemas reais, a fantasia dá um toque mágico e especial a história, deixando tudo mais interessante e instigante pela trama, as batalhas, a construção dos personagens, fazendo com que entremos de cabeça no gênero.

O mercado livreiro sabe bem quem foi seu principal aliado nessa vitória: a literatura juvenil ganhou terreno ao mesmo tempo que a rede TikTok se popu­lari­zou a comunidade BookTok, o movimento criado por usuários da rede para indicar livros foi visualizado no mundo mais de 9 bilhões de vezes desde 2019.

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