20/06/2021 às 00h00min - Atualizada em 20/06/2021 às 00h01min

A revolta de StoneWall e o mês do orgulho LGBT

Manifestações de 1969 tornaram-se um símbolo da luta pelos direitos LGBT

Giovanna Toledo - Editado por Júlio Sousa
Johannes Jordan/Wikimedia Commons

Dia 28 de junho de 1969, a comunidade LGBTQIA+ de Nova Iorque se revoltou contra a opressão policial que frequentemente assolava o público de um bar chamado Stonewall. A revolta tornou-se um dos marcos mais representativos das lutas pelos direitos e por isso, junho foi o mês escolhido para demonstrar o orgulho. 

 

Toni Reis, presidente da Aliança Nacional LGBTQIA+, afirma que a cidadania da comunidade deve ser discutida o ano todo, porém deve ter as datas especiais. Em maio, é trabalhada a questão do enfrentamento à LGBTfobia, pois foi no dia 17 de maio que a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou o código 302.0 da classificação internacional das doenças. “Então, maio é para falar dos problemas e em junho do orgulho”, explica.

 

Durante a história, a homossexualidade “já foi tratada como pecado mortal, crime e depois doença”, conta Toni. Apesar dos avanços, um levantamento feito em 2019 pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Trans e Intersexuais (ILGA) mostrou que em 70 países a relação homossexual é crime. Entre eles, 68 têm leis explícitas contra a prática e as punições variam de multas, prisão ou até mesmo a morte, como no caso do Irã e Arábia Saudita. E, além disso, a transexualidade só deixou de ser classificada como doença pela OMS em junho de 2018.

 

Recentemente, em junho de 2021, um menino de 11 anos foi atacado por pais, alunos e funcionários de uma escola em Campinas após propor no grupo do Whatsapp, um trabalho sobre o mês do orgulho LGBT. A família registrou um boletim de ocorrências e publicou um relato no facebook para denunciar o episódio. O caso não é uma exceção.

 

Uma pesquisa realizada em 2016 pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, rede que reúne 308 organizações pelo Brasil, mostrou que 73% dos jovens entre 13 e 21 anos, identificados como LGBT, foram agredidos verbalmente na escola em 2015 por causa da sua orientação sexual. E ainda, 60% dos mais de mil estudantes brasileiros que participaram do levantamento dizem se sentir inseguros na instituição educacional por causa de sua orientação sexual.

 

Segundo um levantamento feito pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), divulgado dia 29 de janeiro de 2021, foram assassinadas 175 pessoas transexuais no Brasil em 2020. Esse foi o segundo ano mais violento, ficando atrás apenas de 2017 quando foram registradas 179 mortes. A média é de um assassinato a cada 48 horas.

 

Nas eleições municipais de 2020, houve um recorde de pessoas transgêneras concorrendo a vagas para prefeituras e para as câmaras de vereadores. Foram quase 300 candidaturas confirmadas em partidos de esquerda e direita, o número é mais do que o triplo de 2016, quando 89 pessoas trans concorreram. Segundo mapeamento da Associação Nacional de Transexuais e Travestis, 30 pessoas trans foram eleitas em 2020, e sete delas foram as mais votadas em suas cidades.

 

Aproveitando a data e o mês do orgulho LGBT, grandes marcas como Casas Bahia, C&A e Renner fizeram campanhas e produtos em homenagem à comunidade. Entretanto, nas redes sociais, algumas pessoas criticaram a atitude argumentando que eles só citam essa pauta neste mês, e não fazem campanhas sólidas sobre o assunto, transformando a homenagem em uma data comercial. 

 

Nesse sentido, Toni Reis pondera que existem pessoas contra o capital e elas têm embasamento teórico para isso, porém, não vê nenhum problema nas marcas fazerem publicidade sobre o tema, pede apenas para que as empresas tratem bem seus funcionários, fornecedores e clientes.
 

“Precisamos que as empresas entrem na luta pelos direitos humanos e não financiem programas que atentem nossa cidadania”.

 







Flávia Mantovani. Relação homossexual é crime em 70 países, mostra relatório mundial. Folha de São Paulo. 20/03/2019. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/03/relacao-homossexual-e-crime-em-70-paises-mostra-relatorio-mundial.shtml. Acesso em: 20/06/2021.

Paulo Saldaña. 73% dos jovens LGBT dizem ter sido agredidos na escola, mostra pesquisa. Folha de São Paulo. 21/11/2016. Disponível em:

https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/11/1834166-73-dos-jovens-lgbt-dizem-ter-sido-agredidos-na-escola-mostra-pesquisa.shtml. Acesso em: 20/06/2021.

 

Edilson Veiga. Há 30 anos, OMS retirava homossexualidade da lista de doenças. DW. 17/05/2020. Disponível em:  https://www.dw.com/pt-br/h%C3%A1-30-anos-oms-retirava-homossexualidade-da-lista-de-doen%C3%A7as/a-53447329. Acesso em: 20/06/2021.

 

Daniel Mello. Brasil teve 175 assassinatos de transexuais em 2020. Agência Brasil. 29/01/2021. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2021-01/brasil-teve-175-assassinatos-de-transexuais-em-2020. Acesso em: 20/06/2021.

 

Isadora Pupp. País mais transfóbico do mundo, Brasil tem recorde de candidaturas de pessoas trans em 2020. El País. 12/11/2020. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2020-11-12/pais-mais-transfobico-do-mundo-brasil-tem-recorde-de-candidaturas-de-pessoas-trans-em-2020.html. Acesso em:21/06/2021.


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