26/06/2021 às 19h15min - Atualizada em 26/06/2021 às 19h02min

Pandemia e a reestruturação no mochilão

Estilo de viagem teve de ser adaptado na pandemia para aqueles que continuaram viajando

Lara Cardoso - Editado por Mario Cypriano
O setor de turismo foi e está sendo um dos mais afetados durante a pandemia de coronavírus. Segundo o IBGE, o índice de atividades turísticas no Brasil caiu 36,7% em 2020, perdendo uma estimativa de R$ 51,5 bilhões em faturamento comparado com o ano anterior, de acordo com pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).
 
Muitas pessoas tiveram suas viagens impactadas, tendo que adiar ou até mesmo cancelar, e um grupo bastante afetado foi o de mochileiros. Os mochileiros são aquelas pessoas que adotam um estilo de viagem, o mochilão, um tipo de viagem para aqueles que desejam passar semanas, meses ou até anos viajando por várias cidades, estados e países, gastando bem menos que uma viagem convencional. Quem escolhe esse tipo de viagem, visa aventuras, acessibilidade, diversão, troca de culturas e experiências. O termo mochilão se deve ao fato das pessoas irem com pouquíssimas bagagens, carregando a clássica mochila enorme nas costas, mas malas de rodinhas não são descartadas, vai da preferência de cada um.
 
Para alguns mochileiros, a pandemia não foi algo que impediu as viagens, mas sim foi motivo de reestruturação para aqueles que não quiseram parar. O mochileiro e criador de conteúdo, Davi Góis, do canal Daviajando, é um dos que decidiu não parar, porque o desejo de viajar era maior, porém Davi sinaliza que saiu da casa da família, onde morava, para não expô-los ao risco e passou a viver em hostels trocando a moradia por trabalho voluntariado. O destino foi o Brasil mesmo, já que as fronteiras no começo da pandemia fecharam. Passou pelo Rio de Janeiro, Bahia, e agora está em Ilha Bela-SP, contudo, Davi também foi um dos viajantes afetados pela pandemia. Quando a pandemia se tornou mundial em março de 2019, Davi estava em Portugal e planejava ficar um mês em cada país da Europa “Tive que ficar três meses em Portugal, tudo fechado, tive que acabar voltando”, aponta.


Com as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde), viajar como antigamente, sem nenhum cuidado, já não é mais possível. Davi conta que muitas coisas mudaram “A quantidade de pessoas está menor, menor proximidade, utilização de máscaras”. Mas ainda é possível continuar, o mochileiro deixa dicas para quem não quer interromper um planejamento e poder curtir com segurança “Da para aproveitar muito com segurança, usando máscara, respeitando distanciamento, evitar lugares em alta temporada, e aproveitar um turismo mais próximo a natureza”, ressalta. Para quem ainda deseja ir para outro país, Davi diz que eles estão preparados para receber turistas “Diminuíram a capacidade dos quartos, alguns não estão servindo mais café da manhã ou servem no quarto”. E claro, exigindo todos aqueles processos básicos de proteção.

A mochileira Mariana Surian, também conta que não decidiu parar, mas que viajar tomando todos os cuidados é primordial. Ela também decidiu viajar somente pelo Brasil, devido as proporções do covid-19. Para Mariana, a forma de viajar mudou muito “(mudou) a forma de interagir, quais lugares são seguros de ir ou não, a forma de viajar”, conta.
 
Como a pandemia impôs muitas mudanças gerou também algumas dificuldades, a maior dificuldade para Mariana foi a interação social “A maior mudança e dificuldade para mim, foi a forma de interagir com as pessoas. Eu gosto de conversar, abraçar, sair pra conhecer lugares diferentes e com a pandemia, vi tudo isso mudar”, relata.
 
A mochileira também deixa dicas para quem deseja curtir com segurança “Viajando para praia, por exemplo, procurar praias mais vazias, que não sejam tão conhecidas, carregar sempre um pequeno recipiente de álcool em gel, usar máscara. É possível sim viajar, mas com muita consciência e cuidado.”, afirma.
 
Durante a pandemia, os proprietários de hostels também foram extremamente afetados. Reinvenção foi a maneira que os proprietários acharam para não fecharem as portas. Os quartos que antes eram compartilhados por várias pessoas, agora têm capacidade reduzida ou se tornou até mesmo privativo, protocolos de higienes mais intensos, aferição de temperatura dos hóspedes foram algumas das mudanças. Mas ainda há aqueles que em nome da segurança decidiram ser mais radicais, a proprietária Tatiana Paixão da pousada e hostel Casa de Paixão, em Caraíva-BA, decidiu fechar as portas temporariamente e ficou 9 meses fechada “Estou fechando por opção, e até por responsabilidade no local onde eu estou, com as pessoas, ser humano… não sei se estou sendo louca ou revolucionária”, diz Tatiana.
 
Há mais de um ano e meio de pandemia, a esperança por dias melhores e pela volta ao normal perdura nos viajantes e empresários do turismo. “A expectativa é que a gente consiga viajar novamente… espero que a gente consiga trabalhar melhor, sem neurose e mais tranquilo.” conclui Tatiana.




 
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