25/09/2021 às 11h27min - Atualizada em 25/09/2021 às 10h42min

A jornada cinematográfica do Homem-Aranha antes do MCU

Até a era atual de Tom Holland, o Amigão da Vizinhança contou com outras sequências que continuam na memória dos fãs

Luann Motta Carvalho - Editado por Ana Terra

Após o lançamento do trailer de Homem Aranha: Sem Volta para Casa, o universo geek parou. Na web, por todos os lados os debates sobre o futuro filme do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) podiam ser vistos. A repercussão foi tamanha ao ponto do trailer ter chegado na marca de 355 milhões de visualizações em um período de 24 horas, quebrando o recorde de Vingadores: Ultimato, outro filme da Marvel que contou com 289 milhões.

Em resumo, a expectativa pelo terceiro filme do herói no MCU é enorme devido ao Multiverso Aranha. O retorno de alguns personagens das outras sequências, como o Dr. Octopus, Duende Verde e Electro, trouxe ainda uma chuva de discussões e rumores: em Homem-Aranha 3, teremos a presença de Tobey Maguire e Andrew Garfield?

Tobey e Andrew interpretaram o Amigão da Vizinhança antes de Tom Holland. Em meio aos elogios e críticas, a trilogia do diretor Sam Raimi (com Tobey) e o Espetacular Homem-Aranha (com Andrew) continuam sendo muito lembrados pelos fãs. Por isso, é válido relembrar como foi cada uma das sequências do Aranha antes do herói se juntar ao MCU. Confira abaixo!

A trilogia de Tobey Maguire e Sam Raimi

O início dos anos 2000 foi um ponto de virada para o ressurgimento dos heróis nas telonas. Até aquele momento, foram diversos os fracassos de adaptações dos quadrinhos. O cenário começou a mudar com o sucesso de X-Men (2000), do diretor Bryan Singer. A recepção favorável do longa dos mutantes abriu portas para a aparição cinematográfica do Cabeça de Teia, em 2002.

Após muita expectativa, o Homem-Aranha estava nas telonas. Para o delírio dos fãs, a adaptação da HQs se mostrava fiel e captava o clima necessário dos quadrinhos. A escolha de Sam Raimi foi por um Peter Parker mais velho, já na faculdade, e com dificuldades financeiras. Ponto para Raimi. A escolha foi certeira ao cativar as pessoas, que se sentiam representadas diante dos problemas de Peter.

Ao mesmo tempo, Peter não era um mocinho logo de cara. Com os poderes aracnídeos, o protagonista buscava aproveitar sua vantagem ao seu favor. No entanto, após a morte do Tio Ben, ele passa a entender que com “com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”. Nesse contexto, surge o Homem-Aranha.

Nesse enredo, temos um Aranha sem a essência piadista das HQs, mas com muitas outras características semelhantes – principalmente como Peter Parker. As batalhas que o personagem passa, tanto como Homem-Aranha, quanto como Peter Parker, auxiliam no engrandecimento do roteiro, com um elenco para gerar aplausos: além do próprio Tobey, temos Willem Dafoe, Kirsten Dunst, Rosemary Harris, entre outros atores. O resultado só poderia ser o sucesso estrondoso, que abriu o caminho para a melhor adaptação do aracnídeo nos cinemas. Em 2004, é lançado Homem-Aranha 2.

A sequência conseguiu o que poucas franquias conseguem na história: superar a obra original. Essencialmente, o filme continua com as mesmas escolhas do primeiro. Porém, a história está devidamente mais aprofundada, principalmente pelo lado de Peter. Tudo ao seu redor passa a ser envolvido por ações relacionadas ao psicológico. Isso é algo simbolizado na sua “perda” dos poderes, em determinada parte do enredo.

O antagonismo do Homem-Aranha está mais sombrio. No primeiro filme, temos um bom Duende Verde, mas que não se compara com a presença de Dr. Octopus, brilhantemente interpretado por Alfred Molina. Se as coisas estão mais difíceis para Peter, não seria diferente na sua batalha contra o crime.

Com o sucesso dos dois longas, era natural a espera por um terceiro filme igualmente bom. Infelizmente, Homem-Aranha 3 não possui a mesma qualidade, apesar de ter sido o mais rentável da trilogia. O roteiro dessa sequência é mais fraco e a mistura de vilões torna a história uma bagunça – a exceção é o arco do Homem-Areia, que consegue captar um bom desenvolvimento. Porém, é uma bagunça até divertida em alguns momentos, convenhamos.

Em uma entrevista, Sam Raimi reconheceu que Homem-Aranha 3 não funcionou como ele queria. De acordo com o diretor, o filme sofria com a pressão dos produtores, como no caso da aparição de Venom, um vilão que Raimi não queria adicionar na história. O cineasta admitiu também que foi um erro tentar superar o segundo filme, ao invés de desenvolver a história do terceiro.

Depois de vários desentendimentos com a Sony, Sam Raimi decidiu deixar a franquia e o projeto de um Homem-Aranha 4. Com isso, veio o reboot da saga e surge o Espetacular Homem-Aranha, dirigido por Marc Webb e estrelado por Andrew Garfield.
 
O Espetacular Homem-Aranha

Um novo Cabeça de Teia entra em cena. Em O Espetacular Homem-Aranha, diferente da trilogia de Sam Raimi, a escolha foi por um Peter Parker ainda no ensino médio. Não temos Mary Jane Watson. Peter conhece Gwen Stacy, interpretada pela ótima Emma Stone, e se apaixona pela garota – e uma Gwen que não foi subvalorizada como em Homem-Aranha 3.

O roteiro do primeiro filme está deveras envolvido com os pais de Peter, o que por si só já indica outra diferença relevante em comparação à primeira trilogia. Ao tomar conhecimento da antiga parceria do seu pai com o Dr. Curt Connors na Oscorp, Peter se dirige ao local e lá, ele é picado por uma das aranhas do experimento que seu pai e outros cientistas trabalhavam.

Assim, o passado dos pais de Peter norteia o enredo. Até mesmo na morte do Tio Ben, semelhante ao que já tinha acontecido no Homem-Aranha de 2002. Depois disso, o garoto passa a ter responsabilidades, luta contra o crime e se estabelece como um super-herói. Ao mesmo tempo, precisa dividir suas atenções como Peter Parker, como nos momentos amorosos com Gwen Stacy. Após o Dr. Connors se tornar o Lagarto, o Homem-Aranha passa por situações perigosas, presenciando uma morte importante, inclusive.

Andrew Garfield interpretou um Peter Parker mais descolado que o de Tobey Maguire. Por outro lado, o Homem-Aranha de Andrew possui mais tendência para as piadas. Além disso, as teias são desenvolvidas pelo próprio Peter, algo retirado diretamente das HQs. Digamos também que o romance entre Peter e Gwen está um pouco mais desenvolvido ao compararmos com a primeira trilogia – nesse caso, Peter e MJ.

E justamente esse romance que serve como gancho para o segundo filme, O Espetacular Homem-Aranha 2. Na história, Peter precisa decidir se cumpre a promessa com George Stacy, pai de Gwen, morto no primeiro filme. O herói promete ao capitão que se afastaria da filha para protegê-la de maiores ameaças.

O ponto mais positivo na direção de Marc Webb nesse segundo filme é, novamente, o relacionamento entre Peter e Gwen, extremamente bem realizado e que conta com excelentes atuações de Andrew Garfield e Emma Stone. No entanto, o enredo peca em algo parecido com o Homem-Aranha 3: muitos arcos ao mesmo tempo. Além dessa indecisão amorosa de Peter, temos o surgimento do vilão Electro (Jamie Foxx), a construção de Harry Osborn como uma espécie de Duende Verde, a solidão da Tia May depois da morte do Tio Ben, e ainda temos o segredo dos pais de Peter a serem revelados. Haja papel para o roteiro!

Portanto, foi mais um filme do Homem-Aranha com muito potencial que acabou por ser decepcionante. Apesar do impacto final, com a morte de Gwen Stacy, a imensidão de histórias por todos os lados produziu escolhas apressadas e sem muito fundamento – o que falar do arco de Harry Osborn ter levado bastante tempo para ser construído e a derrota do Duende Verde ter sido em poucos minutos?

Ainda assim, mesmo com os problemas, se esperava uma sequência com Andrew Garfield. Contudo, veio a chegada do Teioso para o MCU e a escolha de Tom Holland. Agora, a espera é por um filme que se torne um dos grandes eventos a serem lembrados pelo universo geek. Quem sabe teremos a oportunidade de rever Tobey e Andrew com o uniforme azul e vermelho outra vez? A conferir.

REFERÊNCIAS:
CARMELO, Bruno. “Homem-Aranha: Relembre as críticas do AdoroCinema para todos os filmes do super-herói até Longe de Casa”. ADORO CINEMA. Disponível em: <https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-149158/>. Acesso em 20 de set. de 2021.
FIAUX, Gus. “Homem-Aranha: os melhores momentos da trilogia de Sam Raimi”. LEGIÃO DOS HERÓIS. Disponível em: <https://www.legiaodosherois.com.br/lista/homem-aranha-sam-raimi-melhores-momentos.html>. Acesso em 20 de set. de 2021.
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