01/10/2021 às 11h26min - Atualizada em 01/10/2021 às 11h24min

As tecnologias utilizadas no tratamento do diabetes

Gabriele de Sadri - Editado por Manoel Paulo
Foto: @gabidesadri - Gabriele de Sadri

Durante os dias 22 e 23 de maio de 2021, por transmissão via Facebook em grupo privado, ocorreu a terceira edição da Colônia Azul, evento voltado para a educação em diabetes. O evento contou com a participação de diversos profissionais da saúde, educadores em diabetes e influenciadores. Uma das educadoras presentes era Fernanda Patara, representante da Medtronic e responsável pelo anúncio do novo sistema Medtronic 780G, o mais recente sistema de automação do tratamento de diabetes.

 

Para entender os avanços que essa tecnologia irá proporcionar ao tratamento de milhares de pacientes, é necessário a compreensão do atual cenário dos diabéticos no Brasil. Hoje existem três perfis de tratamento mais comuns, são eles: o tratamento básico do SUS (Sistema Único de Saúde), os análogos e as bombas de insulina.

 

Tratamento inicial do SUS

Pacientes recém diagnosticados com diabetes tipo 1 pelo sus, recebem inicialmente um tratamento padrão e de “baixo-custo”. Esse tratamento é feito com a utilização das insulinas NPH e Regular aplicadas com seringas. Esses insumos são fornecidos pelos municípios pela farmácia do SUS, mas também podem ser obtidos gratuitamente pelas farmácias populares. É o tratamento mais simples de conseguir e por isso é o mais utilizado.

 

Análogos de insulina

Os insumos chamados de análogos de insulina, são aqueles que exercem a mesma função da insulina, porém não são exatamente iguais as insulinas encontradas na natureza. Esses análogos, por vezes, também são chamados de insulina sintética. Normalmente costumam apresentar alguns benefícios em relação às insulinas “verdadeiras”, por apresentarem, normalmente, picos de ações menores que proporcionam maior estabilidade facilitando o controle do paciente. Podem ser encontrados para aplicação via seringa ou canetas, os pacientes podem comprar por conta própria ou podem requerer do SUS via processo administrativo ou judicial.

 

Bomba de insulina

As bombas de insulina são os tratamentos mais tecnológicos disponíveis atualmente. Possui preço elevado e não é fornecida pelo SUS, apesar de ser possível obtê-la via ação judicial. Devido ao seu alto valor e a dificuldade de aquisição da mesma, são poucos os diabéticos que conseguem ter acesso a essa tecnologia. As bombas de insulina são conhecidas por automatizar parte do tratamento de diabetes. Elas são responsáveis por aplicar continuamente a insulina, via cânula, no paciente, desse modo ela simula melhor o trabalho de um pâncreas.

 

Bombas de insulina x Sistema de Pâncreas Artificial

O Sistema de Pâncreas Artificial, embora muito confundido com a bomba de insulina, apresenta ainda mais automações que simplificam o tratamento do diabetes. Uma vez que nesse sistema há a possibilidade da automação das correções das glicemias e das medições, além da aplicação de insulina.  

 

Os sistemas Medtronic

Os sistemas Medtronic são formados pela bomba de insulina e pelo sensor de monitoração da glicose e todos contam com a infusão contínua de insulina. Atualmente existem quatro sistemas disponíveis, são eles:

 

Minimed 630g: Lançado em 2009 é o modelo mais antigo e básico da Medtronic. Ele ao detectar uma hipo, suspende a infusão de insulina.

 

Minimed 640g: Lançado em 2015, trouxe um grande avanço sobre o modelo anterior ao conseguir prever as hipoglicemias. O sistema ao detectar a queda brusca da glicemia suspende a infusão de insulina a fim de evitar a hipoglicemia. Após verificar a normalização do quadro, o sistema retoma a aplicação das doses.

 

Minimed 670g: Lançado em 2017 em diversos países, porém não chegou ao Brasil. Além das funcionalidades apresentadas na 640g, ela traz consigo o ajuste automático das dosagens de insulina. Aumentando ou diminuindo conforme a necessidade do paciente.

 

Minimed 780g: Com lançamento previsto para 2

021, é o sistema mais avançado da medtronic e o mais próximo de um Sistema de Pâncreas Artificial. Esse sistema além de trazer as funcionalidades já presentes nos sistemas 640g e 670g, traz consigo também a correção automática de hiperglicemias.

 

Sistema de Pâncreas Artificial - Android APS

O Sistema de Pâncreas Artificial - Android APS não é regulamentado no Brasil e por isso não pode ser prescrito por médicos. Esse sistema foi desenvolvido pela própria comunidade diabética e interessados, contando inclusive com profissionais de saúde apoiadores dessa tecnologia.  

 

Para montar o sistema é necessário que o paciente faça uso da Bomba de Insulina da Roche juntamente com o Sensor de Glicose Freestyle Libre ligado ao transmissor MiaoMiao e possua um celular Android 8.1 ou superior para rodar o sistema. O sistema é coordenado por três aplicativos, sendo eles:

 

Android APS: Responsável por comandar a bomba, enviar as informações necessárias a mesma. Calcular as dosagens de insulinas necessárias para basal ou correções e suspender a infusão em caso de hipoglicemias.

Xdrip+: Recebe as leituras do MiaoMiao e as encaminha pro Android APS.

 

Ruffy: Faz a comunicação da Bomba com o Android APS.
 

Como funciona o sistema de Pâncreas Artificial - Android APS?

​O funcionamento do sistema é bem simples.
 

O sensor de glicose, vulgo Libre, faz as medições das glicemias que são transmitidas para o sistema via o MiaoMiao. O sistema ao receber essas informações toma as decisões necessárias, sejam essas, suspender, manter ou corrigir a dose de insulina. Ao realizar refeições, os pacientes inserem no sistema, através do aplicativo Android APS, as quantidades de carboidratos consumidos para que o mesmo calcule e aplique a dose de insulina necessária para cobrir o pico glicêmico da refeição. Apesar de não regulamentado, o sistema Android APS é o mais tecnológico e com maiores benefícios entre os disponíveis atualmente.


Preços dos insumos

As bombas de insulinas atualmente oscilam entre R$14.000,00 E R$20.000,00 a depender do modelo. Os sensores Freestyle Libre custam R$259,90 a unidade e duram 14 dias. Já o MiaoMiao compra-se apenas uma vez e custa aproximadamente R$1.500,00.

 

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