21/10/2021 às 19h23min - Atualizada em 21/10/2021 às 19h01min

Dia dos Professores: o que eles têm para comemorar?

Antonieta de Barros, mulher negra de origem humilde, foi quem criou a data comemorativa

Ianna Oliveira Ardisson - Editado por Talyta Brito
Fonte/Reprodução: Google
No último dia 15 de outubro comemorou-se o Dia do Professor.  Você sabe como surgiu essa data? Antonieta de Barros (1901-1952) instituiu o marco para dar destaque e valorização aos profissionais da educação. Foi ela quem criou o Dia do Professor, lei aprovada  em 1948, em Santa Catarina. O dia comemorativo tornou-se reconhecido nacionalmente somente em 1963 pelo então presidente João Goulart.
Antonieta de Barros nasceu em Santa Catarina. Órfã de pai foi criada pela mãe que era lavadeira. Aos 17 anos ela ingressou na Escola Normal, e para além do magistério se tornou-se oradora, jornalista, escritora e militante, com atuação na Liga do Magistério.


 
Antonieta ingressou na política em 1934 e foi a primeira mulher de seu estado a se eleger para uma cadeira na Assembleia Legislativa. Em seus trabalhos no Congresso Legislativo dedicou-se a propostas relacionadas a educação e situação dos professores.  Entre as propostas dela se encontra uma de grande relevância que é a que institui o dia 15 de outubro como o Dia do Professor. Essa ilustre mulher é lembrada até hoje como alguém que alimentava o sonho de construir um Brasil mais igualitário, com educação e trabalho para todos. Dentre suas reivindicações estão pautas ainda presentes em nossa sociedade como a educação para todos, emancipação feminina e valorização do negro e de sua cultura.
 
O Ministério da Educação publicou nessa semana um vídeo, no canal AVAMEC no YouTube, com o depoimento de um professor intitulado “Valorização dos Professores”. É bonita a situação mostrada e podemos perceber que uma recompensa que os docentes apontam é ver as conquistas de seus alunos assim como fez Leonardo Carrasco, professor do Ensino Médio, no depoimento dado. Outro ponto que ele destaca é o amor demonstrado pelos alunos que muitas vezes é o incentivo diário recebido por alguns para exercer suas atividades. Entretanto, vale destacar, que o derespeito e indisciplina são bem mais constantes que situações de demonstrações de afeto e carinho no dia a dia nas escolas.
 
Ainda em relação ao depoimento do professor Leonardo veiculado pelo Ministério da Educação é importante observar também que ele aponta a profissão como uma missão no final de sua fala. Quando se encara algo como “missão” a busca pela recompensa e retorno financeiro ficam apagadas. O foco de um “missionário” passa para o ajudar o outro sem receber nada, ou muito pouco, em troca, sem precisar de um reconhecimento no agora. Sendo assim, a vontade de lutar por melhorias fica silenciada. A declaração final do professor Leonardo, após assistir a um depoimento de um ex-aluno lhe agradecendo, é a seguinte:
“Eu consegui, cara. Isso é o mais importante, eu consegui. Eu amo essa profissão. Eu sei que é a missão que eu tenho. Eu vou continuar fazendo, até quando o papai do céu me der saúde.”
Será que os professores estão satisfeitos em suas funções e conseguem elencar motivos para comemorar nesse mês dedicado a eles? Morgana Dornelas é professora das séries iniciais do Ensino Fundamental e comentou como se sente em seu papel profissional. Sobre as expectativas dela em relação a docência e suas atribuições ela diz:
 
“Pensava que ser professora seria menos trabalhoso, que não teria que levar trabalho pra casa e conseguiria descansar nos finais de semana e nas férias. Que iria conseguir conciliar trabalho e família sem problemas. Pensava que seria mais bem reconhecida, teria um salário melhor.”

Diante dos desafios diários e falta de suporte a professora faz um desabafo sobre a realidade vivida:
 
“Nenhuma das minhas expectativas foram atendidas, e se eu tivesse a oportunidade mudaria de profissão.”
 
O que vemos no dia a dia são professores desmotivados e cansados da rotina estressante. Desvalorizados não apenas no quesito financeiro, mas também pouco valorizados pelos gestores, pelos familiares dos alunos e alunos. Vivemos uma história de descaso em relação a esses profissionais que para ser revertida, se possível for, demandará muito tempo e esforço.  

 

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