25/10/2021 às 00h00min - Atualizada em 25/10/2021 às 00h01min

Nobel da Paz 2021 concedido a dois jornalistas por suas lutas pela liberdade de expressão e informação

Para a presidente do Comitê do Nobel, Berit Reiss-Andersen, os jornalistas premiados “são representantes de todos os jornalistas que defendem este ideal em um mundo em que a democracia e a liberdade de imprensa enfrentam condições cada vez mais adversas"

Marcus Martins - Editado por Júlio Sousa
Foto: Reprodução/Prêmio Nobel


O Comitê Norueguês Nobel anunciou, na sexta-feira (06), a premiação a dois jornalistas com o Nobel da Paz 2021. Maria Ressa e Dmitry Muratov são destaques ao pautarem suas atuações profissionais na luta a favor da liberdade de expressão nas Filipinas e na Rússia, respectivamente.

    
Para a presidente do Comitê do Nobel, Berit Reiss-Andersen, os jornalistas premiados “são representantes de todos os jornalistas que defendem este ideal em um mundo em que a democracia e a liberdade de imprensa enfrentam condições cada vez mais adversas".
 

No cenário atual, onde a imprensa tem o seu papel desacreditado e por muitas vezes alvo de violência e repressão, a premiação possui um caráter simbólico e transmite um recado sobre o real papel do Jornalismo, em um cenário onde as fakes news tomaram conta, seguindo de ataque contra a democracia.
 

“É muito importante mostrar que a mídia tem um papel crucial na sociedade, onde o debate é uma parte natural da sociedade democrática, mas também para expor o que não é verdade, onde os governos estão escondendo fatos de nós sobre conflitos e guerras. Sem a mídia você não pode ter uma democracia forte, sendo esta uma defesa contra conflitos e guerras”, salienta. 

 

Sobre Maria Ressa



Cofundadora e diretora-executiva do site Rappler, Maria Ressa, filipina de 58 anos, tem forte luta a favor da liberdade de expressão e contra a propagação de notícias falsas, principalmente promovidas pelo violento governo das Filipinas, presidido por Rodrigo Duterte, no poder desde 2016.

No ar desde 2012, o site se tornou um dos maiores porta-vozes contra o governo de Duterte, marcado por forte repressão contra as drogas e perseguição a opositores, dando total poder à polícia para realizar execuções em nome da guerra às drogas. Para o Comitê do Nobel, Ressa “tem se mostrado uma defensora destemida da liberdade de expressão. Rappler chamou a atenção da crítica para a polêmica e assassina campanha antidrogas do regime de Duterte”.

    
Por sua atuação, Ressa tem sido alvo pelo governo e pessoas ligadas a ele de várias acusações, e pelo menos 7 processos. Em um deles, a jornalista foi julgada por difamação, sentenciada em julho de 2020, tendo recorrido da decisão e pagado fiança para ficar em liberdade enquanto aguarda o resultado de um recurso posto por sua defesa. Se for condenada, pode pegar até seis anos de prisão. "Vamos continuar a resistir a todos os ataques contra a liberdade de imprensa", disse, à época do julgamento.

 

Sobre Dmitry Muratov

 
 

Já o outro ganhador do Nobel da Paz, o russo Dmitry Muratov, 59, é um dos fundadores e editor-chefe do jornal Novaya Gazeta, fundado em 1993, que já teve seis de seus jornalistas e colaboradores mortos em decorrência da cobertura independente feita pelo jornal.

    
Na Rússia, o jornal se destaca por sua cobertura crítica sobre a atuação das forças militares russas interna e externamente no país, corrupção, violência policial e fraude eleitoral.

 

De acordo com o Comitê, “O jornalismo baseado em fatos e a integridade profissional da Novaya Gazeta o tornou uma importante fonte de informação sobre aspectos censuráveis ​​da sociedade russa raramente mencionados por outros meios de comunicação”. 


E, apesar das retaliações sofridas, segundo o Comitê, Muratov reafirma seu compromisso com a liberdade de expressão tendo “[recusado] a abandonar a política independente do jornal. Ele sempre defendeu os direitos dos jornalistas”.


Em entrevistas, Dmitry tem ressaltado que a láurea é para toda a equipe do jornal, como também em memória aos jornalistas mortos do Novaya.

 

Premiação

Além da honraria em ganhar o prestigioso prêmio, cada um dos jornalistas receberá 10 milhões de coroas suecas (cerca de 6.6 milhões de reais no câmbio de hoje).


Em 2020, o vencedor foi o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA), premiado por seus esforços para combater a fome e trazer melhores condições para a paz.

 

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