10/04/2022 às 18h59min - Atualizada em 08/04/2022 às 10h55min

Veganismo crescente gera nova perspectiva de mercado

Avanço do mercado vegano amplia variedade de produtos para o consumidor e movimenta a economia

Lucas Aguiar - Editado por Maria Paula Ramos
Foto: Lucas Aguiar

O veganismo tem ganhado cada vez mais força em diversos segmentos do mercado. O aumento da comercialização de produtos veganos é impulsionado, principalmente, pela consciência de clientes mais preocupados com os animais, com as causas ambientais e atentos com questões de saúde e bem-estar.


No Brasil, estima-se que 4% da população seja de vegetarianos (cerca de 7,6 milhões de pessoas) e uma grande parte dessa porcentagem é composta por veganos. De acordo com dados do Instituto Ipsos, reforçam que 28% dos brasileiros têm procurado comer menos carne.

 

Um relatório divulgado pela consultoria de mercado Grand View Research indica que o mercado global de cosméticos veganos deve atingir US$ 20,8 bilhões até 2025, uma taxa de crescimento anual de 6,3%. Para os produtos cruelty free (livre de crueldade animal), a previsão é de alta de 6% entre 2017 e 2023, segundo análise da Market Research Future.

 

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), de janeiro de 2016 a janeiro de 2021, o volume de buscas pelo termo ‘vegano’ aumentou mais de 300% no Brasil. O programa de certificação vegana da SVB também é um termômetro do crescimento deste mercado. 

 

O Programa Selo Vegano já contempla mais de 2,9 mil produtos de cerca de 160 marcas diferentes desde seu surgimento. A maioria das marcas são de alimentos, mas também há produtos cosméticos, de higiene pessoal, suplementos alimentares, produtos de limpeza, lavanderia e calçados.

 

“Os cosméticos veganos apresentam duas características principais: não têm nenhum insumo de origem animal ou insumo testado em animal e nem o produto final é testado em animal. Hoje, não só a questão ambiental importa, mas também a relação com o produto, o que ele significa, de onde ele vem, se existe sofrimento ou exploração na produção daquele produto. Tudo isso vem sendo agregado ao conceito de um consumo mais consciente. E o produto vegano agrega muitos desses fatores”, afirma o presidente da SVB, Ricardo Laurino.

 

Anna Flor, 19 anos, conta que começou a parar de consumir produtos de origem animal há alguns anos quando assistiu um documentário sobre a temática do grande desmatamento e outras questões ambientais e de saúde que o consumo de carne provoca. Ela explica que ao pesquisar mais sobre a “indústria da carne" percebeu a crueldade cometida contra animais e, assim, optou por não colaborar com esse processo. 

 

“Eu não conseguia mais comer sem sentir culpa. Essa culpa de que eu estava tirando a vida de um ser vivo e dando lucro e apoiando, de certa forma, que as pessoas continuem fazendo isso.”, averba Anna.

 

De acordo com Anna Flor, o mercado tem crescido bastante nesses últimos anos. Ela diz que muitos produtos como os veganos industrializados ainda não são tão acessíveis e baratos como alguns produtos comuns. Porém, ela afirma que a maior procura dos consumidores pode modificar esse cenário. 

 

“O mercado está crescendo bastante e eu acredito que é por causa da procura. Tem muito mais gente procurando, se conscientizando sobre o que está consumindo e querendo se empenhar para fazer a diferença. Essa escolha ocorre por fatores externos, mas também é pela nossa alimentação e a forma como enxergamos o alimento.” conclui.

 

Rodrigo Margoni, especialista em vinagres e sócio-proprietário da Almaromi Viccino, empresa pioneira na produção de vinagre de maçã sem conservantes no Brasil, dedica especial atenção à qualidade de seus produtos. 

 

“A preocupação constante em oferecer um alimento saudável faz com que procuremos certificações que atestem boas práticas e excelência no que produzimos”, afirma o especialista.

 

A procura por produtos com certificações tem se intensificado cada vez mais. Isso demonstra que tanto o público que consome, como as empresas estão envolvidos em prol do veganismo mais acessível, tendo em vista a preocupação com alimentação saudável, qualidade de vida e cuidado com o meio ambiente.

 

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