11/04/2022 às 15h00min - Atualizada em 11/04/2022 às 14h15min

Cinema asiático: Dez filmes para você conferir

De romance à terror psicológico, o Lab te guia entre os favoritos da crítica.

Vinicius Lima Vieira - Revisado por Flavia Sousa
O cineasta sul-coreano venceu duas estatuetas do Oscar 2020: em Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Filme. (Foto: Reuters).

O cinema asiático nunca esteve tão em alta. Nos últimos anos, obras audiovisuais vêm ganhando cada vez mais espaço, refletindo também nas premiações mais importantes do cinema e da televisão: em 2020, o filme Parasita (2019), do cineasta sul-coreano Bong Joon-Ho, levou para casa a estatueta de Filme do Ano. O longa se tornou o primeiro filme em língua estrangeira a ganhar um prêmio Oscar, e o primeiro da Coreia do Sul a vencer na premiação.

 

Outro filme do mesmo continente a levar um Oscar foi a animação japonesa A Viagem de Chihiro (2001), do diretor Hayao Miyazaki, também um dos fundadores do Studio Ghibli. Em 2002, o longa levou Melhor Filme de Animação.

 

Com isso, o Lab te indica dez filmes para você conhecer um pouco mais o cinema asiático. De Wong Kar-Wai a Shunji Iwai, a lista traz filmes do Japão, China, Taiwan, Coreia do Sul e Índia.


‘Chungking Express’ (Amores Expressos)

Brigitte Lin e Takeshi Kaneshiro em cena de Amores Expressos. (Foto: Reprodução/The Criterion Collection).

Brigitte Lin e Takeshi Kaneshiro em cena de Amores Expressos. (Foto: Reprodução/The Criterion Collection).

Hong Kong, 1994

Romance/Crime

Direção: Wong Kar-Wai

 

Dois policiais estão passando pelo término de um relacionamento. A primeira história é a de He Qiwu (Takeshi Kaneshiro), que ainda não consegue esquecer a ex. Seu caminho se cruza com o de uma misteriosa mulher de peruca loira (Brigitte Lin), por quem Qiwu se apaixona e que está envolvida em uma operação de tráfico de drogas, que dá errado.

 

A segunda história é a do Policial 663 (Tony Leung Chiu-Wai), que também não superou a ex. O agente conhece Faye (Faye Wong), uma mulher de espírito livre que sonha em conhecer a Califórnia. Sem o conhecimento dele, ela vai todos os dias ao seu apartamento e o limpa, uma forma de conhecê-lo mais intimamente, ao mesmo tempo que declara seu amor.

 

‘Love Letter’

Miho Nakayama (imagem) interpreta as duas protagonistas da trama. (Foto: Reprodução/The Movie Database).

Miho Nakayama (imagem) interpreta as duas protagonistas da trama. (Foto: Reprodução/The Movie Database).

Japão, 1995

Romance/Drama

Direção: Shunji Iwai

 

Carta de Amor, em tradução livre, conta a história de duas mulheres completamente idênticas em aparência, mas com personalidades distantes. Hiroko é uma mulher contida e reservada e víuva de Itsuki, que faleceu enquanto tentava escalar uma montanha há dois anos atrás. Ainda incrédula que o marido morreu, ela envia uma carta ao seu antigo endereço… e consegue uma resposta de alguém com o mesmo nome.

 

Esse alguém é uma mulher também chamada Itsuki, que possui a mesma aparência de Hiroko e que estudou com ele no ensino médio. Daí em diante, o filme aborda as diversas trocas de cartas entre as duas e as lembranças que Itsuki guarda dos tempos de escola, relembrando um sentimento que há muito tempo havia esquecido.

 

‘Summer Wars’ (Guerras de Verão)

Natsuki tenta derrotar o vilão digital 'Love Machine'. (Foto: Reprodução/Mubi).

Natsuki tenta derrotar o vilão digital 'Love Machine'. (Foto: Reprodução/Mubi).

Japão, 2010

Animação/Ficção Científica

Direção: Mamoru Hosoda

 

Kenji é um menino tímido, desleixado e muito bom em matemática que guarda uma paixão por Natsuki, uma colega de escola mais velha bastante independente e destemida. Um dia, Natsuki pede para que Kenji a acompanhe em uma viagem à casa de sua avô Seiko no interior, sem dizer ao rapaz que ele teria que fingir ser seu namorado para o aniversário da matriarca da família.

 

No meio disto tudo, Kenji conhece Nabisuke, um rapaz que fora adotado por Seiko e que é fruto de um relacionamento extraconjugal de seu falecido marido com outra mulher. Nabisuke é expert em computação e vive nos EUA à serviço do exército. Naquela noite, Kenji recebe uma mensagem codificada com diversos números que ele decifra, hackeando despropositadamente o Mundo de Oz, uma plataforma que liga e conecta jogos aos serviços mais importantes da sociedade.

 

‘Spirited Away’ (A Viagem de Chihiro)

Chihiro deve se separar dos pais e aprender a se virar sozinha em um mundo que não é o seu. (Foto: Reprodução/Studio Ghibli).

Chihiro deve se separar dos pais e aprender a se virar sozinha em um mundo que não é o seu. (Foto: Reprodução/Studio Ghibli).

Japão, 2001

Animação/Fantasia

Direção: Hayao Miyazaki

 

Chihiro é uma jovem de 11 anos que está se mudando para uma nova casa com seus pais, mas que não parece tão entusiasmada com a ideia, por ter que se despedir de seu antigo lar e de seus amigos. No caminho, um túnel sombrio e misterioso os leva à outra dimensão… a dos espíritos.

 

Lá, a jovem é separada de seus pais, que são transformados em porcos por uma bruxa má chamada Yubaba, e para trazê-los de volta ao normal, Chihiro deve passar por uma série de provações, se redescobrindo e mudando sua concepção de vida, para voltar ao seu mundo.

 

O filme aborda temas como chegada da maturidade, exploração infantil e os pecados capitais dos seres humanos, como gula, ganância e avareza.

 

‘Pather Panchali’ (A Canção da Estrada)

Os irmãos Apu e Durga. (Foto: Reprodução/The Criterion Collection).

Os irmãos Apu e Durga. (Foto: Reprodução/The Criterion Collection).

Índia, 1955

Drama de época

Direção: Satyajit Rey

 

Apu é um menino pobre que mora com a irmã mais velha e os pais em uma pequena casa em Nischindipur, na região rural de Bengala. Seu pai sai em longas viagens para prover sustento à família, que fica sob responsabilidade da mãe, uma mulher rígida que preza pela educação e pelo bem-estar dos filhos. A família é acometida por uma tragédia que muda a vida de todos.

 

A Canção da Estrada é o primeiro filme da Trilogia de Apu, que mostra a vida do personagem desde a infância até a fase adulta, com diferentes desafios em cada etapa de sua vida, e como ele lida com todos eles.

 

‘Parasite’ (Parasita)

Para ganhar dinheiro, a família Kim sabota os funcionários de uma casa abastada para mudar de vida. (Foto: Reprodução/CJ Entertainment).

Para ganhar dinheiro, a família Kim sabota os funcionários de uma casa abastada para mudar de vida. (Foto: Reprodução/CJ Entertainment).

Coreia do Sul, 2019

Suspense/Drama

Direção: Bong Joon-Ho

 

Ganhador do Oscar de Melhor Filme, o logna aborda a história da família Kim, que mora numa região muito pobre da cidade de Seoul, capital da Coreia do Sul. Em uma casa que fica abaixo do nível da rua, eles dobram caixas de pizza para gerar renda. Um dia, um amigo do jovem Ki-Woo (Choi Woo-Shik) sugere que ele falsifique um currículo e se passe por um estudante universitário para conseguir um trabalho como professor de inglês para a filha de uma família rica.

  


Dali em diante, a família inteira de Ki-Woo se infiltra aos poucos na residência dos Park, como parasitas (daí o nome do filme), como uma forma de subir de vida e conseguir dinheiro. O filme aborda a disparidade social existente na Coreia do Sul e faz uma crítica à sociedade capitalista.

 

‘Where is the Friend’s House?’ (Onde Fica a Casa do Meu Amigo?)

Filme é o primeiro da Trilogia de Koker. (Foto: Reprodução/The Criterion Collection)

Filme é o primeiro da Trilogia de Koker. (Foto: Reprodução/The Criterion Collection)

Irã, 1987

Drama Familiar

Direção: Abbas Kiarostami

 

Um rapaz de oito anos, residente da vila de Koker, na região de Rostamabad, enfrenta diversos obstáculos para devolver o caderno de seu amigo que mora na vila vizinha. O filme faz parte da Trilogia de Koker, com o segundo sendo uma busca pelos atores do primeiro, e o terceiro longa sendo uma retratação da gravação do segundo, uma espécie de filme dentro de um filme.

 

O longa aborda a relação de dominação entre adultos e crianças em famílias mais tradicionais, como somos ensinados a obedecer sem questionar mesmo que estejamos certos.

 

Tampopo

Cena de Tampopo. Filme é uma ode à comida. (Foto: Reprodução/Toho)

Cena de Tampopo. Filme é uma ode à comida. (Foto: Reprodução/Toho)

Japão, 1985

Comédia

Direção: Juzo Itami

 

Tampopo (Nobuko Miyamoto) é uma viúva e comanda um pequeno restaurante de ramen, típico macarrão japonês com caldo e carne de porco. Um dia, ela conhece Goro (Tsutomu Yamazaki) e seu parceiro de estrada, Gun (Ken Watanabe), dois caminheiros em viagem que defendem Tampopo de Pisuken (Rikiya Yasuoka) e seus homens.

 

Tampopo é, antes de mais nada, um filme sobre comida e uma celebração a ela. Durante o longa, diversas situações envolvendo comida são apresentadas ao espectador, mostrando como ela influencia a vida de diferentes pessoas de diversas maneiras: um casal tem um fetiche sexual em usar diferentes pratos durante o sexo, uma senhora de idade é flagrada furando alimentos pelo dono de um estabelecimento, uma mulher doente em seu leito de morte se levanta para preparar uma última refeição a sua família. Em ocasiões abrangentes, o assunto é sempre comida.

 

Perfect Blue

Mima se torna extremamente paranoica e desassocia o real do imaginário. (Foto: Reprodução/GKIDS Films).

Mima se torna extremamente paranoica e desassocia o real do imaginário. (Foto: Reprodução/GKIDS Films).

Japão, 1997

Terror psicológico/Mistério

Direção: Satoshi Kon

 

Mima Kirigoe é uma jovem que integra o trio idol, CHAM. Mima decide mudar de carreira e investir na atuação, para o desgosto de sua agente, Rumi, que fora uma idol um dia, mas cuja carreira teve que acabar por causa da idade. Para piorar as coisas, um fã maníaco conhecido como Me-Mania começa a persegui-la, a deixando desconfortável e paranóica. Eventualmente, Mima não consegue mais distinguir o que é real e o que não é.

 

A animação é inspirada no livro ‘Perfect Blue: Complete Metamorphosis’ (Azul Perfeito: Metamorfose Completa, em tradução livre), do escritor japonês Yoshikazu Takeuchi. Takeuchi permitiu que Kon adaptasse sua história em um filme contanto que mantivesse alguns aspectos originais. Diversos temas como indústria do entretenimento japonesa, saúde mental e o tratamento de mulheres tanto na indústria quanto pelo público são abordados.

 

‘The Handmaiden’ (A Criada)

Da esquerda para a direita: as protagonista Sook-Hee e Hideko. (Foto: CJ Entertainment)

Da esquerda para a direita: as protagonista Sook-Hee e Hideko. (Foto: CJ Entertainment)

Coreia do Sul, 2016

Drama/Romance/Mistério

Direção: Park Chan-Wook

 

Sook-Hee (Kim Tae-Ri) é contratada para trabalhar na casa de uma família abastada. Lá, ela conhece e se torna íntima de sua patroa, a Srta. Hideko (Kim Min-Hee). Hideko é abusada pelo tio desde pequena e está para casar com o Conde Fujiwara (Ha Jung-Woo). Entre diversas tramas armadas, o filme surpreende pelo uso de elipses, que são responsáveis pelas reviravoltas na trama. O filme foi aclamado pela crítica, contando com 96% de aprovação no site Rotten Tomatoes.

 

Além destes filmes, é importante citar outros tão bons e importantes quanto, como Lady Vingança (2005) e Oldboy (2003), ambos também de Park Chan-Wook; Amor à Flor da Pele (2000) e Anjos Caídos (1995), de Wong Kar-Wai e outras animações, como o bem-sucedido Your Name (Seu Nome, em tradução livre), do cineasta Makoto Shinkai, e que bateu a bilheteria de A Viagem de Chihiro no Japão.

 
Leia mais: Fora dos dramas e mangás, cultura asiática se destaca na moda e atrai atenção de grifes de luxo

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