06/09/2019 às 10h41min - Atualizada em 06/09/2019 às 10h41min

O Guia do Mochileiro das Galáxias

Resenha

Alessandra Araújo - Editado por Socorro Moura
Alessandra Araújo
Existe uma porção significativa de palavras científicas e de acontecimentos além-Terra em O Guia do Mochileiro das Galáxias, como este enorme e singular título, provavelmente, já sugere. Nessa ficção de Douglas Adams, que se descreve como sendo o primeiro volume de uma trilogia de cinco, encontramos uma aventura cujo desenrolar está carregado de sátiras e questões existenciais por todos os lados.

A aventura tem seu início em nosso habitual planeta Terra, quando o humano conhecido como Arthur Dent, um inglês engolidor de chá, está prestes a ter sua simplória casa demolida por um grande trator amarelo. Acontece que alguém que ele próprio desconhece decidiu que aquele local seria perfeito para se construir um desvio afim de que os carros pudessem circular de uma maneira mais favorável.

Sendo um humano que bebe chá e costumeiramente gosta de ter onde morar, Arthur não se sentiu confortável em permitir a demolição da sua casa. Portanto, deitou-se na frente dela, onde estava localizada uma poça de lama qualquer e se pôs a protestar.

É bem possível, até então, que tais acontecimentos sejam tidos como normais. Afinal, construções são erguidas e derrubadas o tempo todo, bem como as pessoas gostarem de ter onde morar. É aí que, Ford Prefect - não o carro, mas o ator desempregado amigo de Arthur, que também é um E. T. disfarçado - entra em cena, revelando que há quinze anos pousara na Terra, vindo de um outro planeta para atualizar o livro que guia mochileiros em todo o Universo e que dali a pouco, o mundo estaria literalmente por acabar.

É bem verdade que o mundo acabou como previu o alienígena. No entanto, Arthur e Ford, de maneiras surpreendentes, conseguiram escapar ao que foi terrivelmente devastador e também o começo das histórias mais loucas que os humanos jamais viram; envolvendo naves, um robô triste e tudo mais que no Universo pudesse cruzar seus caminhos.

O Guia do Mochileiro das Galáxias, muito embora tenha vários termos científicos complicados, é uma leitura razoavelmente simples. Um leitor assíduo não gastaria três dias para lê-lo completamente. Isso porque ele é cheio de sacadas bem-humoradas, inteligentes e facílimas de se entender.

O que nele é claramente perceptível é a embutida crítica do autor, em situações que ridicularizam o funcionamento da sociedade, ou o sistema político. Os humanos em si são menos que do que imaginam que são.  Vejamos o presidente da Galáxia, em vias de exemplo, ele valor nenhum tem, é descrito no livro como uma reles figura que está onde está para servir de fachada para aqueles que realmente governam o Universo. Não se sabe quem. Por enquanto.

E por fim, esse tal sentido da vida, que todos querem saber qual é. Esse tal conhecimento sobre as verdades absolutas que regem todos os seres e que queremos todos saber por onde está. Essas são questões abordadas com uma singularidade realmente interessante, há quem possa ficar boquiaberto, absorto com o que possa encontrar a esse respeito na obra. Nos escritos de Adams, essas dúvidas existencialistas são postas sob uma ótica suspeitamente cômica. Talvez até intrigante.

Não se recomenda a leitura para aquele que não simpatiza de maneira alguma com visões alternativas do surgimento da vida. Poderia ser um tanto frustrante. Todavia, o livro combina com vários interesses distintos que acabam por se conectar entre si. É certo que tendo lido o primeiro volume da série, poderá haver a vontade de seguir adiante com os demais livros e talvez entender a razão pela qual o guia nos alerta tanto a não entrar em pânico.
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