30/09/2019 às 17h53min - Atualizada em 30/09/2019 às 17h53min

Crianças estão mais conectadas no mundo online, seja consumindo conteúdos ou produzindo

Segundo pesquisa,1 a cada 3 usuários de internet no mundo é criança. Veja a importância do monitoramento e a influência das redes sociais.

Isadora Becker - Editado por
Vídeo feito pela menina de 11 anos no canal “Gabi Soares”. Foto: Internet.
O uso da internet e redes sociais têm começado cada vez mais cedo e aumentado entre as crianças. Segundo o relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância - Unicef, 1 em cada 3 usuários de internet em todo o mundo é uma criança (“O Estado Mundial da Infância 2017: crianças em um mundo digital”).

A estudante Gabriela de Almeida, 11 anos, passa cerca de 3 horas por dia na internet. Nesse tempo costuma ver vídeos no youtube, jogar online e mexer em redes sociais, como o Whatsapp. “Quando eu estou sozinha, prefiro ficar na internet do que ficar brincando, mas quando eu estou com os amigos e eles não estão no celular, eu prefiro brincar”, afirma Gabriela.

Além de consumir conteúdos, a menina tem um canal no youtube há 3 anos. “Admirava bastante os youtubers que eu assistia e percebi que eu gostava, sempre fingia que estava gravando vídeo”, diz Gabriela. No canal chamado "Gabi Soares", ela produz vídeos contando coisas sobre a vida dela, como a rotina, vídeos de desafios e slime. 

 
Como fazer o monitoramento

Acompanhar as redes sociais dos filhos, o tempo em que ficam conectados e o conteúdo que consomem, é uma tarefa essencial para os pais. Esses atos podem evitar que as crianças se envolvam com assuntos impróprios e pessoas com más intenções.

O pai de Gabriela, Isaque Soares, diz que o monitoramento é importante, principalmente pelos spams e indicações do próprio google ou youtube, porque é dificil saber se é apropriado para a idade da menina. “Eu sempre pego o celular dela para conferir whatsapp e até as pesquisas no youtube, eu acho que é o caminho mais curto para evitar qualquer tipo de problema relacionado a internet", afirma Isaque.

A psicologa Janaína Moreira diz que os pais precisam assumir o papel de hierarquia e permitir ou não o uso dessa ferramenta que, se souber usar, pode ser muito útil.


Influência no comportamento

A internet traz benefícios para essa geração que tem crescido cada vez mais tecnológica, conectada e com acesso a informações. Existem vários jogos e aplicativos que estimulam o desenvolvimento cognitivo e afetivo. Porém, o mesmo acontece em relação aos riscos, pois possuem livre acesso aos mais diversos assuntos.

A frase “filho de peixe, peixinho é” pode se encaixar em alguns casos relacionados ao uso de aparelhos eletrônicos.  A psicóloga Janaina Moreira diz que quando os pais ficam muito tempo no celular, os filhos acabam copiando esse comportamento. “Eu que trabalho com crianças, é comum ouvir delas queixas em relação aos pais que não saem do celular”, afirma a psicóloga.

Com a correria do dia a dia, muitos pais acabam deixando as crianças mexerem na internet para poder descansar ou fazer as tarefas diárias. Buscando interação, as crianças acabam entrando nas redes sociais, compartilhando, curtindo publicações ou conversando com pessoas. “Se tratando de redes sociais, as crianças ficam expostas e vulneráveis, do outro lado pode ter outras pessoas que não estão com boas intenções”, 
diz a Janaina Moreira.
Por outro lado, algumas crianças usam a internet para se isolar. É um ambiente onde podem ser quem quiserem, moldam seu comportamento e identidade nas redes sociais, podendo desenvolver dificuldades em relacionamentos reais.

Segundo a psicológa, jogos online criam conflitos entre as crianças. As brigas podem começar na internet e se estender para o ambiente real, começam nos jogos e terminam pessoalmente, como na escola, por exemplo. “Como a internet nos permite fazer o que quiser, atrapalha o amadurecimento emocional das crianças, contribuindo para a dificuldade de aceitar frustrações”, afirma.

Existem vários benefícios na internet, segundo a psicológa, há jogos e aplicativos que podem contribuir para o desenvolvimento da criança e conectá-las aos assuntos atuais, contudo, “sem a supervisão do adulto, a internet passa a ser um vilão”.


Confira os dados - utilização de aparelhos eletrônicos entre as crianças:

Infográfico. Arte: Isadora Becker

Arte: Isadora Becker
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