19/10/2019 às 11h05min - Atualizada em 19/10/2019 às 11h05min

Boas noites de sono são fundamentais para a saúde

Pessoas que possuem problemas para dormir com frequência devem procurar ajuda médica

Bruna Aiabe
Foto: Pixabay
Dormir é o momento em que o nosso corpo descansa e recarrega as energia para o dia seguinte. Por isso, é preciso ter noites tranquilas de sono, porém, muitas pessoas não conseguem dormir direito. Segundo um estudo da Royal Philips, 72% da população brasileira sofre com algum problema de sono. Os principais distúrbios são insônia, ronco, apneia, narcolepsia e síndrome das pernas inquietas.

Uma noite mal dormida não provoca apenas mau-humor, cansaço e sonolência. O médico do sono pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, Caio Bonadio, diz que o sono é fundamental para a preservação da função do nosso sistema imunológico. Além disso, também é importante para o coração, por isso noites mal dormidas com frequência podem até levar a um infarto ou derrame.

A quantidade de horas ideal pra uma boa noite de sono varia com a faixa etária. Os estudos da National Sleep Foundation, um instituto de pesquisa dos Estados Unidos, afirma que crianças (entre 6 e 13 anos) devem dormir de 9 a 11 horas, já os adolescentes, em torno de 10 horas. Os adultos devem ter de 7 a 9 horas de sono e, para os idosos, é recomendado entre 7 e 8 horas.

Com rotinas agitadas, muitas pessoas acabam dormindo demais no fim de semana acreditando que vão “recuperar” as horas de sono da semana. No entanto, isso é um mito. “O sono não é um banco ou um sistema de crédito. Uma vez feita a dívida, ela nunca é recuperada. O ideal é mantermos uma rotina regular de sono, inclusive aos finais de semana”, explica Bonadio. O médico também alerta que essas compensações aos sábados e domingos só prejudicam o sono e desregulam o relógio biológico.

Foto: Bruna Aiabe

Foto: Bruna Aiabe

Foto: Bruna Aiabe

Pessoas que têm sonolência excessiva diurna, usam remédios sem prescrição para dormir ou aquelas que possuem comportamentos anormais durante o sono devem procurar ajuda de um especialista”, avisa o médico.

Dor de cabeça, estresse e sonolência resumem as manhãs de Eritânia Silva. Como as noites dela não são tranquilas como gostaria, Eritânia procurou ajuda médica e descobriu que possui apneia.

Apneia do sono

Apneia é um distúrbio do sono que consiste em problemas na respiração, já que ocorre o fechamento recorrente da garganta durante o sono, diminuindo a passagem do oxigênio para os pulmões.

De acordo com o otorrinolaringologista Renato Pontes, além desse problema causar sonolência, sensação de cansaço, improdutividade, estresse, a apneia dificulta a pressão arterial, podendo causar AVC. Cerca de 30% da população adulta sofre de apneia do sono, sendo dois terços obesas, aponta a Organização Mundial da Saúde. A apneia possui diferentes graus, sendo diagnosticada por meio do exame do sono chamado polissonografia. Assim, o tratamento varia com a gravidade do caso.

O principal tratamento para os casos moderados e graves é o uso do aparelho CPAP. Ele funciona com uma máscara (parecido com o de inalação) que joga o ar para as vias respiratórias. Valdirênio Pestana, 36, iniciou o tratamento de apneia com o CPAP há menos de um ano e já consegue ter uma boa noite de sono. Antes de procurar ajuda médica, Pestana conta que tinha sonolência, dificuldade de concentração e memorização.

Muitas pessoas podem confundir ronco e apneia, mas são coisas diferentes. O otorrino alerta: “pessoas que sofrem com o ronco devem tomar cuidado. Ás vezes, o ronco pode ser um estágio inicial da apneia. É como se o corpo estivesse chamando atenção para corrigir isso antes que evolua para apneia”.

Ainda de acordo com Pontes, a principal prevenção para esse distúrbio é ter uma vida saudável, realizar atividades físicas e evitar fumar cigarro e consumo exagerado de álcool. Além disso, pessoas que possuem sinusite, rinite e aquelas que possuem alguma alteração anatômica devem ser tratadas para melhorar a respiração.
 



 


 
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