07/11/2019 às 15h24min - Atualizada em 07/11/2019 às 15h24min

É bem difícil ser mulher

Juliana Barbosa - Editado por Socorro Moura
Pixabay

Não é fácil ser mulher. Sexo frágil é o que os homens dizem. Queria eu poder ver eles na pele de uma mulher por meras 24 horas. De preferência em um dia do período menstrual ou na cama de um hospital trazendo ao mundo uma vida nova, enquanto pede perdão por seus pecados, porque meus amigos é uma dor terrível. Isso quem me disse foi minha mãe, afinal de contas, ele teve cinco filhos.  

Pensar que os homens são exaltados nos 365 dias do ano, me faz questionar porque estipular datas para homenagear as mulheres. Oito de março, dia da mulher, segundo domingo de maio, dia das mães. Ah! Também tem o dia dos avós, que as mulheres tem que dividir com os homens, porque bem, é dia dos avós e não só das avós. 

Tive a infelicidade de ouvir de um amigo, o porquê de tantas reclamações se outubro é todo dedicado às mulheres. O sangue ferve. Para quem não sabe, o mês de outubro não é só dedicado ao halloween. Este mês, conhecido como outubro rosa, é dedicação a prevenção e diagnóstico do câncer de mama e câncer no colo do útero. É com certeza um lindo trabalho realizado por diversas instituições de saúde que buscam cuidar da saúde da mulher. 

Mas não me sai da cabeça, que o sistema capitalista apoia essa causa não por ser solidário ou complacente com a vida das mulheres, e sim porque quanto mais mulheres adoecerem, menos mão de obra eles terão para fazer girar a roda da exploração que gera os seus lucros. 

Quem dera se Joana D’arc estivesse entre nós para nos explicar como conseguiu ser chefe de um exército (masculino) durante a guerra dos Cem anos na França. Se bem que eu acho que Madre Teresa de Calcutá não gostaria de ver tantas vidas desperdiçadas em uma guerra sangrenta, considerando que seu lema era paz e caridade. Mas quem sabe, Margaret Thatcher possa nos ensinar suas técnicas, afinal de contas, ela foi a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra no Reino Unido e por três mandatos. 

É uma situação difícil de se aceitar e que se repete por séculos. Talvez, a culpa anteriormente tenha sido da ignorância. As informações eram retidas, as mulheres não tinham acesso à educação, não podiam trabalhar, não tinham direito a voto político e deveriam ficar de boca fechada, pois suas opiniões não eram relevantes. 

Mas agora, a culpa é do sistema político, econômico e social que insiste em afirmar que as mulheres ainda são inferiores aos homens. Apesar de muitas conquistas, advindas graças ao movimento feminista, ainda é de partir o coração, perceber que as mulheres são alvo da objetificação como um meio para obter um fim.  

Não consigo aceitar que Maria da Penha teve que ser submetida a um ato desumano de seu companheiro, para que a justiça brasileira entendesse que as mulheres precisam ser protegidas. Parece um círculo vicioso que nunca se encerra. Grandes conquistas foram obtidas por meio dos esforços de Maria da Penha em lutar para que outras mulheres não tivessem que passar pela mesma situação. Mas não anula o fato de que as mulheres ainda são vítimas de violência, seja física, psicológica, social ou econômica. 

A verdade é que não é fácil ser mulher. Não dá para basear a vida real com as produções cinematográficas. Não é como se de repente as mulheres fossem adquirir super-poderes ou encontrar um principe encantado que vá resolver todos os seus problemas. O verdadeiro poder está em resolver os pequenos problemas do dia a dia que se amontoam e viram uma bola de neve.

Ser mulher é lutar com paixão por tudo o que se deseja. É enfrentar a vida como se não houvesse amanhã por aquilo que ama, seja de avental ou de salto alto. Ser mulher é viver com intensidade, se doar pelo próximo sem abaixar a cabeça para os desmandos machistas de uma sociedade, que no final das contas, não faz ideia de como seria o mundo sem as mulheres. 

Ser mulher é ser gentil ao mesmo tempo em que é desafiadora. Ser amável mesmo no meio de uma guerra enquanto mira na direção do seu inimigo. Ser mulher é jamais desistir, mesmo estando face a face com a tão temida morte. 

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