28/03/2020 às 20h14min - Atualizada em 28/03/2020 às 20h14min

Presidente da Uefa, Ceferin revela planos para não 'desperdiçar' temporada

Há três possibilidades a serem tomadas para que o futebol europeu aconteça em meio a pandemia

Fernanda Souto - Editado por Amanda Cruz
Aleksander Ceferin, presidente da Uefa. Foto: Getty Images

A temporada do futebol europeu pode ser desperdiçada em meio a crise do novo coronavírus (COVID-19) que se alastra por todo o mundo, com casos graves na Europa, principalmente na Itália e Espanha. Neste sábado (28), o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, revelou ao jornal ‘La Reppublica’ ter três planos para retomar a temporada para que não seja perdida.

“É claro que a interrupção do futebol simboliza que a Europa e o mundo pararam. Não sabemos quando essa pandemia terminará, mas temos um plano A, B e até C. Estamos em contato com as ligas, com os clubes, há um grupo de trabalho. Temos que esperar, como qualquer outro setor”, afirmou.

O que se espera, conforme a evolução da pandemia, é o retorno das atividades para meados de maio e se assim não ocorrer, pretende retomá-las em até mesmo no fim de junho. O esloveno também não descarta a possibilidade dos torneios terminarem no ínicio da temporada 2020/21. No entanto, se nenhum dos planos citados por Ceferin forem efetivados, será difícil contornar a situação. "Se não conseguirmos executar nenhum desses, a temporada provavelmente estaria perdida”, destacou.

Para o dirigente, o mais importante no momento é a saúde e sair da atual crise: “É difícil imaginar todos os jogos acontecendo com portões fechados, mas nesse momento não sabemos nem se vamos recomeçar, com ou sem torcida". Ceferin ainda, aproveitou para rebater as críticas sobre as partidas das oitavas de final da Liga dos Campeões entre Atalanta e Valencia. A partida do jogo de ida, que ocorreu no último dia 19 de fevereiro, pode ter contribuído para o contágio em massa do vírus na Itália. "Eu também vi uma crítica idiota sobre a viagem a Milão, mas em 19 de fevereiro ninguém sabia que a Lombardia seria o centro da epidemia", declarou.
 

O jogo foi realizado quando não havia nenhum caso registrado em Milão ou Bérgamo, uma das cidades italianas com mais casos do coronavírus atualmente. O duelo reuniu mais de 45 mil pessoas no Estádio San Siro e cerca de 3 mil eram torcedores espanhóis. O meia espanhol e capitão do Valencia, Dani Parejo, em entrevista a um programa de rádio da Espanha, lamentou que a partida entre os clubes tenha contribuído para a proliferação do vírus. O prefeito de Bérgamo, Giorgio Gori, afirmou que a partida “foi uma bomba biológica” para que o vírus se alastrasse.

"Naquela época, não sabíamos o que estava acontecendo. O primeiro paciente na Itália surgiu em 23 de fevereiro. Se o vírus já estivesse circulando, os mais de quarenta mil fãs que foram ao San Siro se infectaram. Ninguém sabia que o vírus circulava entre nós", disse o prefeito em uma entrevista ao 'TuttoSport'.

Um mês após o duelo, Bérgamo já tinha 3.800 casos confirmados e cerca de 5 mil em Milão. Além disso, boa parte da equipe do Valencia deu positivo para os testes do corona. O jogo de volta foi feito com portões fechados no último dia 10 de março. Porém, ainda assim vários torcedores se reuniram em frente ao Mestalla, em Valência. “Os torcedores que se reuniram em frente ao estádio estavam sob a jurisdição das autoridades espanholas,” concluiu o presidente da Uefa.


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