15/04/2019 às 09h42min - Atualizada em 15/04/2019 às 09h42min

O fenômeno Stranger Things

Terceira temporada é aguardada com expectativas

Ana Paula Figueiredo
Quando a série norte-americana Stranger Things estreou em 15 de julho de 2016 na Netflix, os criadores e irmãos, Ross Duffer e Matt Duffer, talvez não imaginassem o sucesso que seria. Mas, as histórias das crianças Will, Lucas, Dustin e Mike, e os mistérios sobre a personagem Eleven atraíram a atenção do público e ganhou muitos fãs, desde os mais jovens até uma geração um pouco mais vivida.

A série é uma produção original da Netflix, que é um serviço de transmissão online de filmes, séries e documentários. A trama criada pelos irmãos Duffer apresenta suspense, aventura e acontecimentos estranhos, por meio de uma história que combina ficção científica e terror.Já no primeiro episódio Stranger Things mostra o desaparecimento de Will na pequena cidade em que residem, Hawkins. Em meio as buscas dos moradores da cidade para encontrar o menino, surge Eleven, uma menina com poderes sobrenaturais. Além da trama que já poderia prender a atenção do público, Stranger Things ainda presta homenagem aos clássicos do cinema das décadas de 70, mas principalmente dos anos 80 e cultura pop da época.

É possível ver em Stranger Things referências e inspirações de diferentes filmes como ET – O extraterrestre (1982), Conta Comigo (1986), Os Goonies (1985), Os Caça-Fantasmas (1984), Poltergeist (1982), entre tantos outros. Por isso para muitos fãs a palavra-chave que define a série é nostalgia.

Fenômeno

O cineasta e professor Ulisses Costa atribui o grande sucesso de Stranger Things a uma combinação de fatores, além do bom planejamento. “É notável que Stranger Things é um produto bem pesquisado quanto às tendências mercadológicas, além de trazer a nostalgia para o público mais antigo, e também possui elementos suficientemente modernos em termos de dramaturgia”, analisa. “A série em termos de trama, contém personagens e arco de maior intensidade dramática, e isso são riscos mais altos. Mas também por isso a série consegue abranger dois públicos, o mais antigo por causa da nostalgia, e o mais novo pela modernidade de agora.” Costa explica que, todo o trabalho por trás da série tem o compromisso e interesse de buscar elementos que sirvam como base de referências. “Os criadores da série são dois irmãos que trabalham junto com um grupo de roteiristas e diretores, e eles decidem em conjunto o que pode ser referenciado, como filmes, músicas, brinquedos. Eles buscam isso em suas próprias referências e nas do mercado”, aponta.



Expectativas

De acordo com Costa, com o passar do tempo, muitas séries passam a fazer derivações do mesmo ponto. Porém, ele acredita no potencial de Stranger Things para não ficar na estagnação dos mesmos assuntos e abordagens. “Com o universo de Stranger Things proposto desde a primeira temporada é possível explorar bastante, pois é um produto feito com propriedade, acredito que vão conseguir manter o grau de interesse”, afirma. Para Costa, não há problema que os atores mirins tenham crescido um pouco e o tempo entre as gravações de cada temporada tenha se estendido. “Isso é normal nas séries, e pode-se mostrar o crescimento deles e pode funcionar, como funcionou muito bem em Harry Potter, em que as crianças cresceram ao longo dos filmes.”

Mistura de referências

A técnica em eletrotécnica Luana Helena da Silva, 27, é fã da série, já assistiu as duas temporadas e aguarda ansiosa pela terceira que estreia em 04 de julho.
Luana conta que foi a combinação de elementos que a motivou a assistir Stranger Things. “A série me chamou a atenção na época porque logo que surgiu era algo que mesclava um tanto de ficção, algo mais lúdico, com algo que realmente poderia existir nessa realidade paralela, já que existem alguns estudos sobre isso”, explica. “A série colocou isso de uma forma atrativa, é um terror, suspense, mas tem todo um toque científico e lúdico ao mesmo tempo. Acho que é uma forma interessante de chamar atenção, mesclando essas duas nuances.”

Para Luana, as alusões utilizadas na trama também são atrativas para o público. “São muitas as referências, os criadores mesclam bastante os dias atuais com as coisas mais antigas, referências dos anos 80 e 90. Mesclam bem as décadas e isso é o mais legal e diferente da série”, afirma.Sobre a terceira temporada, Luana diz que uma das suas maiores expectativas é saber se haverá mais exploração sobre o mundo invertido: “Ou se vai ter alguém que vai poder falar mais sobre isso, se vão frequentar mais esse mundo, se vai ter alguma tradução do que realmente se trata o mundo invertido.”

“Me despertou uma nostalgia”

Segundo a assistente de Marketing Digital, Natacha Nonnenmacher Kötz, 32, no início da divulgação da série, antes mesmo da estreia, a produção não lhe chamou tanta atenção “por parecer um pouco infantil.” Mas, Natacha relata que com o tempo, mudou de opinião. “Conforme eu fui lendo e ouvindo a trilha sonora, me despertou uma nostalgia que me obrigou a assistir e eu amei. Acredito que, atualmente, a nostalgia é algo que desperta muito a curiosidade do pessoal da minha faixa etária por despertar sentimentos e sensações que não sentíamos há bastante tempo”, destaca.

Para Natacha, o enredo, juntamente com o elenco, elementos estéticos e visuais, fazem de Stranger Things uma série envolvente, além de reavivar memórias já adormecidas. “Depois de assistir ao primeiro episódio, começou a me remeter a clássicos da minha infância e adolescência como ET - O extraterrestre, por exemplo. Aí já era tarde! Fui pega em cheio pela trilha sonora, figurino, elenco incrível!”, avalia. “Além do suspense que prende bastante, sem aqueles clichês que, atualmente, a maioria dos filmes e séries não consegue mais fugir. A mobília e decoração também foi algo que me chamou bastante a atenção. Impossível assistir sem lembrar ‘nossa, eu tinha esse telefone’ ou ‘na casa da minha avó tinha esse mesmo sofá’. Então, basicamente, comecei a assistir pela nostalgia, mas depois também me surpreendeu a trama sem clichês.”

Natacha conta que, para a próxima temporada, tem um pouco de medo em função do elenco não estar mais tão infantil. “Achei que demoraram muito para gravar entre uma temporada e outra. Acho que deveriam ter gravado direto e a Netflix ter disponibilizado por temporadas. Mas, como sou apaixonada pela série, tenho esperanças de prender minha atenção. Só espero que eles não percam a noção de durabilidade da série, tornando ela muito mais extensa do que deveria”, analisa. “Outra coisa que adoro nela são os finais da temporada: eles podem ou não ter uma continuação. Aqueles finais sensacionalistas, como o de Dark, me incomodam um pouco.”

Popularidade

Stranger Things se tornou tão popular, que a página da produção no Facebook contém mais de seis milhões de curtidas. No perfil @strangerthingstv são 6,5 milhões de seguidores. O sucesso foi grande e a Netflix lançou em 2017, após a segunda temporada, O universo de Stranger Things, com sete episódios que desvendam os mistérios da série por meio de bate-papo com parte do elenco e criadores. Stranger Things teve 31 indicações ao Emmy, incluindo Melhor Drama. A próxima temporada já tem data marcada pela Netflix, 04 de julho.
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