06/08/2020 às 07h56min - Atualizada em 06/08/2020 às 07h47min

''Não achava que Luxemburgo fosse revolucionar'', afirma jornalista Danilo Lavieri

Jornalista do UOL concedeu entrevista ao Lab Dicas de Jornalismo

Matheus Aquino - labdicasjornalismo.com
Na imagem, Danilo Lavieri no CT do Palmeiras. Foto: Divulgação/Instagram
O Lab Dicas de Jornalismo entrevistou, nesta quarta-feira (5), o jornalista Danilo Lavieri, colunista do portal UOL. Na conversa, o comunicador opinou sobre o momento do jornalismo diante da pandemia, o prêmio que ele ganhou em 2019 e sobre o futebol brasileiro.

A pandemia do Covid-19 (novo coronavírus), tem feito a rotina do trabalho passar por mudanças. Com o jornalismo não tem sido diferente. Equipes têm usado menos profissionais em estúdios e redações, trazendo algumas limitações físicas e técnicas para exercer o trabalho, mantendo as precauções necessárias. No entanto, o jornalismo e os jornalistas tem desempenhado grande papel social.

Como tem sido o seu trabalho diário no jornalismo? Com a pandemia, você tem encontrado dificuldades ao exercer o ofício, ou tem se adaptado bem?

''Com a pandemia, o que tem mudado bastante pra a gente é encontro com as fontes, com os jogadores, com os entrevistados, diretores etc. A gente tem espaço reduzido nos estádios, poucas pessoas podem ir, aos treinos todo mundo é proibido de ir. Acho que a principal diferença tem sido isso. A tecnologia cumpre bastante do papel pra substituir, de conseguir falar com as pessoas por telefone, fazer entrevistas com outras pessoas por câmera, fazer reuniões. Tudo isso a tecnologia nos ajuda bastante, mas, obviamente, nada é igual a ir ao evento, conversar olho no olho. Obviamente isso faz muita falta'', contou.

Você venceu o prêmio Aceesp do Furo de 2019, como foi o processo de apuração da notícia envolvendo Neymar? Teve grande repercussão mundial. Além disso, qual o reconhecimento que você teve pela publicação da matéria?

Em 2019, veio a público a acusação de estupro de Najila Trindade contra Neymar. Segundo ela, o crime ocorreu em Paris. Em São Paulo, a delegada Juliana Lopes Bussaco determinou o encerramento do caso. No entanto, uma outra acusação, dessa vez no Rio de Janeiro, ainda está em processo contra o jogador.
A publicação da reportagem teve Danilo Lavieri como um dos principais colaboradores, juntos de: Felipe Pereira, Luis Adorno, Marcel Rizzo e Pedro Lopes (UOL). Com isso, foram vencedores do prêmio Furo de Reportagem 2019, pela Aceesp.

''O principal reconhecimento foi muito do mercado, por ter dado uma notícia dessas, desse tamanho. Era uma notícia muito importante, no meio de uma Copa América no Brasil, sendo o principal jogador, um dos principais jogadores do mundo, candidato a melhor do mundo já em outros anos. E era um negócio super sério, não era uma doençazinha, ou qualquer coisa pequena, era uma acusação muito séria. Então demandou uma apuração muito séria, muito rígida, com muito critério, ligando para 300 mil pessoas, um nervosismo como se fosse a primeira vez que eu estava fazendo jornalismo. Então eu acho que o principal reconhecimento foi o mercado. Lógico, teve o prêmio e claro, você querendo ou não, ganha um pouco mais de respeito, até no mercado mesmo'', contou.

Qual avaliação você faz para o trabalho de Luxemburgo até aqui? Não repete escalações, não apresenta bom futebol, mas está na final do Paulista.


Luxemburgo em coletiva de apresentação no Palmeiras.                                     Foto: Reprodução/Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo

Mesmo com a classificação para a final do Campeonato Paulista, o técnico Vanderlei Luxemburgo tem sido criticado por parte da torcida palmeirense, seja pelo desempenho tático e técnico, seja pelos confrontos em clássicos, não tendo marcado um gol sequer contra os principais rivais. Na noite desta quarta-feira (5), a equipe palestrina empatou com o Corinthians em 0 a 0 no jogo de ida da final do estadual. O jogo de volta será no sábado (8), às 16h30, no Allianz Park.

''O trabalho do Luxemburgo é mais ou menos o que eu tava esperando mesmo, não achava que ele fosse revolucionar, achava que ele iria apresentar algo mais ou menos como ele tá apresentando agora mesmo: com muita dificuldade de adaptação, tentar fazer alguma evolução. Acho legal o fato de ele estar dando oportunidade para os garotos, mas, vale lembrar que ele está dando essa oportunidade porque o time não tem dinheiro para ir ao mercado. Então, imagino que se o Palmeiras tivesse mais dinheiro, provavelmente ele teria feito às indicações dele, que provavelmente dariam menos oportunidades aos garotos por conta disso. Não esperava nada diferente. O grupo do Palmeiras é muito bom, querendo ou não, qualquer técnico brigaria ali pelo menos por G-4'', afirmou.

Por fim, quais as suas expectativas para o início do Campeonato Brasileiro?

O Campeonato Brasileiro terá início neste sábado (8), às 19h, no jogo entre Fortaleza x Athletico-PR. Contudo, alguns jogos foram adiados em virtude das finais dos estaduais. Por outro lado, a grande expectativa está no jogo do domingo (9), entre Flamengo x Atlético-MG, que marcará também a estreia de Domènec Torrent, novo técnico do Rubro-Negro.


Torrent comandando o treino no Flamengo.                                                                      Foto: Reprodução/Alexandre Vidal/Flamengo

 ‘’Vai ser um Campeonato Brasileiro extremamente corrido, com um jogo em cima do outro, muito estranho por não parar no fim do ano. Obviamente a principal diferença é não ter os torcedores, e vai fazer diferença principalmente para os times de massa, que costumam lotar os estádios, e costumam ter mais apoio, pressionar os adversários, juízes, enfim. Acho que essa será a grande diferença, e obviamente no sentido financeiro os clubes irão perder muito, por não poder arrecadar com bilheteria, sócio torcedor e outras coisas. Acho que vai ser um Campeonato que vai ter muita diferença nesse aspecto fora de campo, tanto no aspecto de pressão, quanto no aspecto de finanças. Então eu imagino que por conta disso os times acabem vendendo mais. Já estamos acostumados a ver os times vendendo, mas pode ser que aconteça ainda mais a falta de receita. Ter que lembrar que o Euro tá batendo seis... Sete pau... Então fica ainda mais atraente para os times fazerem as vendas’’, finalizou.
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