26/04/2019 às 14h25min - Atualizada em 26/04/2019 às 14h25min

Você está seguro no Facebook?

Manoel Paulo
Tecnoblog
Freepik
Nos últimos anos falar sobre vazamentos ou falhas de segurança no Facebook virou rotina, sempre tem algum problema sendo revelado. O que Mark Zuckerberg tem feito para melhorar? Eles cuidam de nossas informações como deveria? São perguntas constantes entre especialistas e de todos que utilizam a rede social.

O inferno astral do Facebook começa nas eleições americanas em 2016, quando Donald Trump se tornou o 45º presidente dos EUA. Muita coisa foi dita sobre a influência russa nas eleições, com a disseminação de notícias falsas, fazendo com que parte dos eleitores votassem no Trump e que foi utilizado o próprio Facebook para isso.

Informações de pessoas foram utilizadas de forma ilegal, o que originou o escândalo da Cambrigde Analytica, que utilizou da coleta de dados de um teste de personalidade que foi usado depois na eleição americana.

Mas não é somente a distribuição de Fake News o problema da rede, problemas de segurança que envolvem a privacidade dos dados dos usuários tem se tornado recorrentes.

A última foi o upload sem permissão, ou como disse o Facebook, “sem intenção”, a lista de contatos de 1,5 milhão de usuários da rede, desde e 2016.

Informação que foi confirmada após ser revelado que o Facebook estava pedindo senha dos e-mails dos novos usuários para a confirmar a identidade deles, ao invés, de enviar um código para o e-mail do usuário para realizar a confirmação.

Para Marcos Gomes, executivo de TI e Segurança da Informação na Innovativa Executivos Associados, o Facebook e outras redes sociais precisam ter procedimentos mais criteriosos. Por exemplo, monitoramento e auditorias frequentes sobre o uso e manipulações das informações de seus usuários.

“A situação é delicada, perigosa e pode comprometer, e muito, a segurança dos usuários. É um problema mundial e que inspira cuidados. Percebo que há diversas movimentações em busca de uma solução”, relata Marcos.

Os usuários quando entram em uma rede social sabem que seus dados serão utilizados, por exemplo, para segmentar os anúncios que é visto na rede, mas não pode deixar o dado do usuário com vulnerabilidade e nem mesmo ser usado de forma ilegal.

Existem leis para que os dados do internauta sejam protegidos. Na União Europeia desde maio de 2018 tem a GDPR (Proteção Gera de Dados) e no Brasil tem a LGDP (Lei Geral de Proteção de Dados), que entrará em vigor em 2020.

“Espero que realmente funcione. Neste caso é bom as empresas realmente se preocuparem com estas proteções, porque as multas são pesadas”, disse Marcos Gomes.

E o usuário que é a parte vulnerável nessa história. Deve se preocupar com essas questões de segurança?
Quando o internauta faz cadastro na rede e começa a publicar o que ele acha legal, o Facebook monta um vasto banco de informações sobre você, desde o conteúdo que gosta de compartilhar e curtir, ou informações básicas sobre a sua vida, aonde mora, se é casado ou solteiro e muito mais. Tudo isso é utilizado para distribuição de anúncios e a plataforma entregar conteúdo que o usuário gosta. Mas isso tudo pode ser vazado e cair em outras mãos e ser vendido.

“Quando nos cadastramos em uma rede social, nossos dados ficam sob custodia das empresas. Nada garante que estes dados não possam vazar e ter uma exposição excessiva, resultando em diversos problemas pessoais e também profissionais”, explicou o especialista Marcos Gomes.

Menos usuários

Em recente pesquisa do Datafolha, mostra que o número de brasileiros na rede social do Mark Zuckerberg está em queda.

Em 2017 o número de brasileiros que disseram que tinham conta no Facebook era de 61% e agora em 2018 é de 56%.

Essa é uma tendência que pode vir a ocorrer não somente no Brasil, mas no restante do mundo. No passado, dados divulgados pelo próprio Facebook mostrava uma queda de usuários na Europa e um congelamento do crescimento nos EUA.

Essa queda pode ser demonstrada quando conversa com algumas pessoas que já pensam em sair de alguma rede social, como diz Marcos Gomes: “Tenho conversado com diversas pessoas em palestras, em consultorias e muitas demostram preocupações com o tema. Algumas pensam em deixar de lado determinadas redes sociais, pois têm receios com os inúmeros vazamentos de dados que ocorrem.”

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