26/04/2019 às 21h47min - Atualizada em 26/04/2019 às 21h47min

Síndrome de Burnout mais presente do que se imagina na vida dos brasileiros

Cresce cada vez mais o interesse em estudar a síndrome de Burnout pela medicina e pesquisadores no Brasil e países afora.

Daiana Pereira - Editado por: Thalia
Foto: Portal Drauzio Varella

A Síndrome de Burnout é considerada um ramo da depressão, que se iniciou a partir da sociedade moderna e estão relacionadas as preocupações do dia a dia no trabalho. E por conta das consequências disso, ou seja, exaustão no ambiente de trabalho, a síndrome passou a constar no quadro de referências de doenças da Organização Mundial de Saúde, OMS.

De acordo com a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, os casos de Burnout em 2018, atingiram 40% dos profissionais, devido ao nível de estresse que sofrem no cotidiano. Samantha Mucci, representante da área de Psicologia da Comissão de Residência Multiprofissional (COREMU/UNIFESP), explica que a síndrome está presente em três dimensões, que são: Exaustão emocional, que gera sensação de haver chegado ao limite; despersonalização do atendimento, que são relações interpessoais afetadas; e redução da eficiência e realização profissional.

Com a taxa de desempregro no Brasil estar na casa dos 12,2 milhões de pessoas, a síndrome de burnout se torna cada vez mais atuante, pois o medo de perder o emprego e conseguir atingir os resultados esperados nos empregos atuais geram o estresse e ansiedade, podendo enquadrar nos sintomas da síndrome.
Segundo dados divulgados pela World Health Organization, problemas associados à saúde mental no trabalho, como depressão e ansiedade, geram a perda de 1 trilhão de dólares da produtividade mundial anualmente. E o não tratamento desses sintomas, que caracterizam a síndrome de Burnout, leva a casos de depressão profunda, a qual é causadora da perda de 63,3 milhões anualmente pela indisposição no trabalho. O Brasil já se tornou o país com o segundo pior ranking de casos de depressão, atrás apenas dos Estados Unidos, onde a depressão é considerada um problema na saúde pública.

A Associação Nacional de Medicina do Trabalho, Anamt, em seu site , reforça que o esgotamento e a falta de produtividade no trabalho não é o único problema recorrente no Brasil. Pessoas que sentem que chegaram ao limite e não conseguem prosseguir com suas profissões já causou milhares de afastamentos e demissões. Ainda segundo a Anamt, “Só em 2016, foram 75,3 mil afastamentos desse tipo registrados pela Previdência Social no Brasil.”

Já a The National Center for Biotechnology Information, NCBI, afirma que tensão no trabalho parece ser um gatilho para problemas cardiovasculares presentes na síndrome de Burnout. Ou seja, mesmo com a presença do Burnout, uma doença mental, o indivíduo pode ter consequências físicas. Segundo a NCBI, “a síndrome altera a função cardiovascular e sua neurorregulação pelo sistema nervoso”, que faz a frequência cardíaca acelerar e a pressão se elevem.

Os sintomas, que passam despercebidos pelas pessoas em suas rotinas, atingem grande parte da sociedade e não são tratados por serem considerados “normais”. A Anamt informa que “cansaço extremo, angústia, ansiedade, problemas de sono, irritabilidade, distanciamento e sensação de frustração constante” são sintomas da síndrome de Burnout. Ao percebê-los, o aconselhável é procurar um psicólogo ou psiquiatra. Além disso, a prática de atividades consideradas prazerosas no dia a dia leva a uma saúde mental saudável, evitando assim a síndrome.


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