11/09/2020 às 06h54min - Atualizada em 11/09/2020 às 05h25min

Companheiros de uma vida!

Conheça histórias de amor e solidariedade entre humanos e animais.

Juliana Aguiar - Revisado por Jéssica Natacha
ONG Abrigo dos Animais; OMS.
(Foto: Arquivo Pessoal/ Júlia Pequim)

Os animais são considerados os melhores amigos dos humanos. São dóceis, protetores, têm lá suas manias e muitas qualidades e, na maioria das vezes conquistam facilmente as pessoas. Tornam-se membros da família, são acolhidos com muito amor e carinho e é claro, com direito a vários mimos. Em consequência da pandemia da covid-19, houve a necessidade do isolamento social e uma nova adaptação no ambiente ao qual todos estão inseridos, no geral. Dessa forma, as pessoas que moravam sozinhas optaram por não ficar mais e adotaram animais de abrigos, um ajuda o outro! Nos Estados Unidos, por exemplo, durante a quarentena alguns abrigos ficaram totalmente vazios devido a enorme procura, os animais estavam todos em novos lares distribuindo e recebendo amor.


O Senado aprovou na quarta-feira (09/09), um projeto de lei (PL) que aumenta as penas para quem maltratar cães e gatos.
A legislação atual, prevê detenção de três meses a um ano, mais a multa. O projeto aumenta a reclusão de dois a cinco anos e multa, além de proibição de guarda do animal, uma inovação do projeto. O texto segue para sanção presidencial. 


No Brasil, existem instituições e voluntários que prestam apoio, solidariedade e acolhem os animais abandonados e/ou de rua. Entretanto, não é o suficiente! De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se mais de 30 milhões de animais em situação de abandono e o número só aumenta. A seguir, conheça a história de uma estudante que apoia e se dispõe a causa! 

 

Estudante de medicina veterinária, Júlia Pequim, atualmente com 21 anos, conta um pouco sobre as aventuras que passou desde o seu primeiro resgate até adotar um doguinho. Além disso, incentiva as pessoas com sua história.

Apaixonada por animais desde criança, Julia se encantava com os bichos todas as vezes em que visitava a fazenda de sua avó. Ela conta que sempre teve interesse na profissão de veterinária e quando as pessoas perguntavam o que ela queria ser quando crescesse, respondia “médica veterinária, quero cuidar dos animais. É algo que corre nas minhas veias e não sei ao certo como explicar, mas é um desejo que sempre quis desde muito nova”. Porém, como morava em apartamento, sua mãe não permitia que tivesse bicho de estimação em casa, não tinha espaço suficiente e infelizmente ela sofria com isso.

Aos 11 anos, Júlia fez seu primeiro resgate. Estava nas redes sociais quando viu uma publicação sobre um atropelamento de cachorro, como era perto da sua casa pediu para sua amiga acompanhá-la e a mãe da amiga levou as duas de carro. Na mão carregava uns bifes de carne e água para alimentar o cachorro e o levou para casa, infelizmente a mãe não concordou em ficar com ele e como conhecia uma amiga que fazia resgaste do tipo, acolheram o animal que foi enviado para uma clínica e depois adotado. 

A estudante começou a trabalhar como recreadora em um buffet infantil, já tinha 15 anos e recebia uns R$ 40,00 por dia. Na época, sua primeira cadela Bebel ficou muito doente e apesar da clínica veterinária cobrar além do que ela recebia, Júlia não desistiu do seu xodó. Infelizmente a cadela não resistiu e faleceu. Foi uma perda enorme que ela não sabia como reagir dali para frente. Aconteceu que um dia, ela foi acompanhar a tia de carro até uma borracharia e foi lá que conheceu a Amora, uma pitbull que foi abandonada na rua, estava muita magra e cheia de carrapatos, felizmente Júlia a adotou com todo amor e carinho e cuidou dela


Mais uma vez a história se repetiu, amora ficou doente e as condições de Júlia ainda não eram boas, mas ela teve a ideia de postar a receita nas redes sociais para receber apoio das pessoas e, deu certo. O tratamento foi um sucesso! A mãe dela ficou com receio de levar um cachorro tá grande para casa, ainda mais porque tinha um irmão pequeno, porém, quando aconteceu a pitbull foi gentil e calorosa e todos ficaram encantados. Amora morreu em 2019, a estudante recebeu uma mensagem enquanto estava no trabalho, correu para clínica, mas a situação era bem grave e a pitbull não resistiu. “Aquele dia, o mundo caiu para mim”, ela estava outra vez sem chão. Passado um tempo, estava novamente ela no meio de um resgate.

Dessa vez, era um filhote de três meses, que ela colocou o nome de Ted, foi encontrado numa rodovia totalmente desorientado. “Levei ele para a clínica, onde foi vacinado, vermifugado e realizado vários exames. Agora está pronto para a adoção”. Júlia presta serviço voluntário em prol dos animais que vivem nas ruas e são abandonados, cuida deles e os coloca para a adoção. Existe Organização Não Governamental (ONG), que faz trabalhos como esse, ajudam os animais a ficarem seguros, com saúde e ajudam a encontrar bons lares. Eles também aceitam voluntários que queiram fazer parte da causa.
                                                                                                  

A ONG Abrigo dos Bichos, em Campo Grande (MS), é uma delas! Diogo Zampieri é voluntário da instituição e aceitou falar um pouco a respeito do abrigo. Confira a seguir!

 

1. Quando a ONG foi criada?

A ONG foi criada em 2001, pela veterinária Maria Lúcia Metello, atual presidente do abrigo, inicialmente com o propósito de unir veterinários em prol da causa animal, oferecendo castração gratuita e recolhimento para animais em situação de abandono. Percebeu-se que havia interesse da parte da população em ajudar de alguma forma e fizemos a adaptação do estatuto foi adaptado, para que fosse de fato uma associação privada para que quaisquer pessoas pudessem fazer parte.

2. Como é feito o trabalho com animais em situação de abandono? Como vocês chegam até esses animais?
As pessoas nos enviam os casos por mensagens em redes sociais, aplicativos de mensagens e por meio dos voluntários da ONG. A partir do momento em que recebemos essas mensagens, nossa equipe se mobiliza, nos reunimos e avaliamos se conseguiremos atender o animal em questão ou não. Todos os animais que acolhemos são atendidos com qualidade 100%, se precisar de atendimento médico, será atendido imediatamente, independentemente do custo a ser gerado. Aliás, o fator custo, é uma das nossas grandes necessidades porque são bastante elevados. Há casos em que voluntários se interessam em atender por conta própria, principalmente quando são casos mais simples, que não geram tanto custo e, a gente divulga. Isso inclusive é um tópico que precisa muito se desmistificar, pois em casos assim os perguntam: “Por que vocês divulgaram e não atenderam?” A resposta é simples: Infelizmente não damos conta da demanda, a conta não fecha. 

3. Vocês recebem denúncias de maus tratos e/ou abandono? Vão até locais para fazer resgate desses animais?
Sim, recebemos muitas. Nós não temos poder de investigação, pois não temos condições, nem permissão para isso. Nosso procedimento é orientar o denunciante a reunir todas as provas possíveis como, fotos e vídeos e que faça a denúncia. pessoalmente, com sigilo total, caso se sinta mais seguro. A ONG reconhece que falta ação por parte de alguns órgão públicos, como um efetivo maior, a própria Decat (Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Atendimento ao Turista), por exemplo, precisa de mais carros e de pessoal para poder investigar. Infelizmente, a causa animal está deficitária como um todo na nossa cidade no nosso estado.

4. Vocês têm um espaço para acolhimento?
Não e muitos se surpreendem com essa informação, afinal, nosso nome é Abrigo dos Bichos. Acolhemos em lares temporários, de pessoas que conhecemos, entrevistamos e que se dispõem a cuidar do animal durante o tratamento necessário. Felizmente tem muitas pessoas que se prontificam a cuidar desses animais. Temos contato diário com cada lar temporário e acompanhamos todos os detalhes.

5. Há casos em que vocês acolhem animais e depois descobrem que não estavam abandonados, e sim perdidos, por que acabaram fugindo de suas casas?
Sim muitíssimos. Nós chamamos de tutor não identificado. Sempre tentamos encontrar o dono dele, divulgamos dizemos que encontramos e está sendo atendido pela ONG, e muitas vezes o dono aparece dentro de poucos dias. Explicamos que o animal foi atendido, o custo que foi gerado e perguntamos se ele tem como marcar com esses custos e custos futuros como tratamentos, alimentação. Uma vez que a gente acolha um animal, nós não simplesmente o devolvemos e dizemos ao dono faça o que quiser. Fazemos um trabalho de conscientização e se a pessoa não demonstrar interesse ou condições de cuidar do animal, tentamos ficar com ele. Assim como quando tem denúncia de maus-tratos e a ONG acaba sendo envolvida como fiel depositário, que é basicamente ficar com alguns animais enquanto a tutela definida, e durante esse processo arcamos com os custos e cuida do animal como se fosse nosso.

6. Com relação a índices, a quantidade de animais abandonados tem aumentado ou diminuído?
Nós não somos um órgão que faz esse tipo de pesquisa, não temos esse controle, reforço que somos todos voluntários não remunerados. A gente sentiu no começo da pandemia crescimento sim, em número de denúncias o que não significa que de fato, sejam animais em situação de abandono. Em contrapartida, algo interessante aconteceu, que foi o número de pessoas interessadas em adotar. Infelizmente essas pessoas, na maioria das vezes, querem adotar apenas animais filhotes, de pequeno porte, de raça, que dificilmente nós vamos ter. É importante ressaltar que não aconselhamos ninguém adotar baseado apenas por esses critérios. Atualmente, em média a cada cinco mensagens que recebemos, três são de abandono. Antigamente a cada cinco mensagens, apenas uma era de abandono.

7. Em qual estado de saúde esses animais chegam ao Abrigo?
Muito debilitados. Felizmente, em Campo Grande, muitas pessoas têm interesse em ajudar, mas sempre dão preferência para animais que não estão muito machucados, em situações que não são tão difíceis de acolher e encaminhar para doação posteriormente. Inclusive, a maioria dos protetores independentes geralmente não querem ficar com o animal, eles procuram um dono. Damos preferência para os animais que estão em situação bem debilitada e dificilmente serão adotados, são praticamente 99% dos nossos atendimentos.


8. Como funciona o processo de adoção? Quem pode adotar? Quais são os criterios?
Pessoas com mais de 18 anos, com residência fixa. É necessário apresentar obrigatoriamente um documento de identidade, comprovante de renda e assinar um termo de adoção, assumindo todas as responsabilidades como adotante. Duas voluntárias do abrigo fazem para conhecer e avaliar se o adotante tem condição de adotar. Sabemos que amor é gratuito, mas se a pessoa não tiver condições financeiras e emocionais de cuidar de um animal, a adoção não é feita. Na sequência dessa adoção, continuamos em contato com o adotante, acompanhamos se todos os critérios estão sendo seguidos.

9. Há casos em que os tutores se arrependam da adoção é devolvam o animal ao Abrigo? 
Como a instituição se mantém?
Sim já aconteceram casos em que os tutores se arrependeram e devolveram a tutela do animal para o Abrigo, mas não são muitos justamente por conta de todo esse processo de entrevista de acompanhamento. São poucos os casos onde lidamos com essa situação de devolução, que eu acho até que é um péssimo termo para falar em causa animal porque a estamos falando de vidas, de responsabilidade e não de um objeto. Mas entendemos e recebemos esse animal de volta e, tentamos encontrar outra família que pretendia ficar com ele e que tenha condições.
Esse é um tema que precisa se desmistificar. Muitas pessoas acham que a gente se mantém com ajuda do governo, não acontece, inclusive gostaríamos muito que isso acontecesse. O Abrigo dos Bichos sobrevive exclusivamente de doações e eventos, que não podemos realizar no momento devido à pandemia. As pessoas acham que um evento realizado no início do ano, garante ração para o restante do ano, por exemplo, o que logicamente não é possível, basta fazer uma conta simples da quantidade de ração que um animal de porte médio, a maioria os animais que estão atualmente na nossa ONG consomem, e veremos que a conta não fecha. O maior evento que realizamos durante o ano e, que não pudemos fazer em 2020, é a Festa Junina, que temos a expectativa de em torno de R$10.000,00. Digo lucrar para ter dinheiro para quitar dívida, não no sentido de deixar o dinheiro guardado. Também fazemos eventos menores como bazares beneficentes. Como a pandemia inviabiliza a realização desses eventos, estamos exclusivamente de doações contando com a solidariedade da população.

10. Deixo espaço para fazer suas considerações, falar sobre algum ponto que eu possa ter deixado de abordar e, também para convidar as pessoas a ajudar instituições, a adotar um animal.
Quero deixar dois recados: primeiro, chamar atenção para um caso que atendemos em 2019. Recebemos denúncias em que uma fazenda localizada na rodovia MS-040 estaria mantendo em péssimas condições vários animais de grande porte, porque são de uma raça específica e que eram vendidos para caça. Acionamos a Decat, que por sua vez acionou o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), eles fizeram a busca e apreensão desses animais, e o Abrigo dos Bichos se tornou fiel depositário. Aceitamos acolher esses animais durante o processo na justiça até que ficasse identificado qual era a condição desses animais e definir com quem iriam ficar. Desde o ano passado esse caso está em uma situação em que não é resolvida, o problema é que O Abrigo está arcando com o custo desses animais, já foram mais de R$30.000,00 em custos totais. Os animais chegaram muito debilitados, alguns vieram a óbto. Temos feito um trabalho muito difícil e intenso, com 11 voluntários, não recebemos ajuda de poder público. A partir do momento que precisam de mais foram deixados conosco nunca mais a gente teve ajuda de nenhum desses órgãos.  Esses animais que agora, depois de 9 meses estão saudáveis e podem ter um lar definitivo. Mas essa falta de resolução para o caso acarreta custos e nós ficamos impossibilitados de fazer novos resgates e de ajudar outras instituições que também estão passando por dificuldades nesse momento. Precisamos que as pessoas vejam a situação e cobrem do poder público mais resolução. O segundo recado é um convite às pessoas para que conheçam a instituição e o trabalho que realizamos. Em nossas redes sociais e site, tem muita informação de como fazer doações e, vocês podem acompanhar nosso dia a dia. Peço a todos que participem, se envolvam, procurem conhecer e cobrem do poder público atenção à causa animal. Fiquem atentos ao que acontece em suas cidades e estados, desconfie quando eu tiver alguma informação, projeto voltado para a casa animal e pesquise, procure saber quem será beneficiado com isso, como está sendo feito esse trabalho, porque muitas das ações que acontecem de causa animal, que parte do poder público, muitas vezes a gente não é consultado , na verdade a gente nunca é consultado, a gente nunca vê benefício disso , nunca chega pra gente esses benefícios. A causa animal é de interesse e responsabilidade de todo o mundo e não apenas de ONGs afinal é uma questão de saúde pública.

Mais do que água e comida, nossos amigos, sejam cachorros, gatos e todas as outras espécies merecem e precisam de amor, carinho e respeito. Eles não podem falar a linguagem dos humanos, são chamados de irracionais, mas às vezes, nos compreendem e demonstram esse entendimento, melhor do que muitos ditos “seres humanos”, têm sentimentos, alguns carregam passados de sofrimento e esse é apenas mais um motivo para que sejam respeitados.

A jornalista aqui pede licença para deixar registrado publicamente e para sempre, o amor que tenho pelo mocinho lindo da foto abaixo. Ele tem oito anos, foi adotado ainda filhote, seu nome é Dennis Bigodinho. Sim, um nome composto nada convencional que renderia outra reportagem, que quem sabe um dia , talvez!. E, independentemente de como o chamamos, ele é tratado com todo o amor e consideração. É o xodó da família. Nosso amigão!

 
(Foto: Arquivo Pessoal/ Juliana Aguiar)

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