11/09/2020 às 11h41min - Atualizada em 11/09/2020 às 11h33min

Autoajuda é perda de tempo?

Pense que toda evolução que conseguir fazer é para o seu próprio bem.

Letícia Franck - labdicasjornalismo.com
Charge de Andrade, do blog 'É triste viver de humor'.
Em dezembro de 2015, fui jantar com meus pais em um ponto bem movimentado da cidade. Lembro que estava acontecendo algum tipo de confraternização ou coisa que o valha. Vocês sabem, essas festas de final de ano onde todo mundo se encontra e troca presentes ruins ou - com um pouco de sorte - ganha algo que foi pedido. Talvez fosse esse o caso ocorrido.
 
Em uma mesa frente à nossa, estava uma turma singela de pessoas entre seus 20 e 40 anos. Deveriam ser de algum curso ou eu sei lá. Nunca consigo entender lógicas de idade. Era um amigo oculto de livros (!) vejam só. Confesso que toda aquela movimentação me chamou mais a atenção do que a pizza que estava sendo servida em nosso rodízio. Devo ter perdido umas duas ou três, mas livros sempre me pareceram muito mais atrativos que comida. E olha que eu gosto muito da segunda opção.
 
Lembro de, na época, ouvir três ou mais pessoas com o mesmo livro: “Nietzsche para estressados”, de Allan Percy. Achei no mínimo curioso. Até aparecerem títulos como “Kafka para sobrecarregados”, “Oscar Wilde para inquietos”, “Hermann Hesse para desorientados” e por aí vai. Minha memória não é tão magnífica assim, caros leitores. Eu lembrava o nome dos autores, o restante eu pesquisei mesmo, vá.
 
Tudo isso para dizer que: eram livros de autoajuda e eu não tinha lido nada nesse sentido porque um: não tinha a mínima vontade e dois: nunca me incentivaram e/ou recomendaram algo dentro do gênero que me fizesse ir atrás. Logo, continuei em minha zona de conforto. É, na verdade, meio que até uma menina sorridente dizer: “Ah, que perfeito esse livro. Era exatamente o que eu queria faz tempo!”. Era “Shakespeare para apaixonados”. Pensei que eu deveria ler algo dessa série ou seja lá o que isso venha a ser. Só sei que foi assim que comecei. Devorei os livros de Allan Percy e comecei a me abrir mais para a desmistificação desse tabu envolto nos livros de autoajuda.
 
Ainda rola toda àquela polêmica acerca do gênero e do que pode ou não ser considerado literatura, mas na minha leiga opinião, tudo que dá para ler é literatura e pronto. Até uma bula de remédio. Não que eu vá sair por aí lendo bulas, mas enfim. Vocês me entenderam. Eu acho.
 
O crescimento foi tanto que em 2019, no ranking mais atual que temos, com base no PublishNews, onde todas as notícias sobre o mercado editorial e a indústria do livro, eventos literários e etc. permeiam, o primeiro colocado na categoria, “A sutil arte de ligar o f*da-se”, de Mark Manson, por exemplo, está desde 2018 na lista de mais procurados.  Em 2019 teve alcance de 386.555 cópias vendidas ao ano. É um cenário que se desenha bem. E um livro que já li. Aproveite e leia também.
 
Se você chegou até aqui, tenho indicações para fazer, mas antes quero dizer que livros de autoajuda não são essa perda de tempo que muitos acreditam. Eles podem, sim, mudar seu pensamento sobre diversos temas, já que se apresentam em vários subgêneros: vida, carreira, relacionamentos, mente, etc.
 
 
Veja alguns títulos que já li e se ninguém havia te recomendado, recomendado estão:
 
O poder do subconsciente, do Dr. Joseph Murphy: o livro que ajudou milhões de pessoas a alcançarem grandes objetivos apenas mudando a maneira de pensar.
 
O milagre da manhã, de Hal Elrod: segundo mais vendido do ano passado na categoria e não é à toa. Já é considerado o novo clássico da autoajuda. Hal Elrod explica os benefícios de acordar cedo (antes das 8h!) e desenvolver todo o nosso potencial e nossas habilidades.
 
O poder do hábito, de Charles Duhigg: também um dos mais vendidos. Com perspicácia e habilidade, Charles Duhigg apresenta um novo entendimento da natureza humana e seu potencial para a transformação.
 
Roube como um artista, de Austin Kleon: Verdadeiro manifesto ilustrado de como ser criativo na era digital. A obra ganhou a lista dos mais vendidos do The New York Times e mostra com bom humor, ousadia e simplicidade que não é preciso ser um gênio para ser criativo. Basta ser autêntico.
 
Por que fazemos o que fazemos?, de Mario Sergio Cortella: um verdadeiro manual para todo mundo que tem uma carreira mas vive se questionando sobre o presente e o futuro. Recheado de ensinamentos como "Paciência na turbulência, sabedoria na travessia", é uma obra fundamental para quem sonha com realização profissional sem abrir mão da vida pessoal.
 
Quem mexeu no meu queijo?, do Dr. Spencer Johnson: Um dos maiores sucessos do mercado editorial brasileiro em todos os tempos. História divertidíssima e esclarecedora sobre quatro personagens -dois ratos e dois humanos do mesmo tamanho dos roedores- que vivem em um labirinto, numa eterna procura por queijo -uma metáfora daquilo que se deseja na vida (sucesso, emprego)-. O labirinto é o local onde se procura por isso: a empresa onde se trabalha, a família, etc. É uma leitura rápida, mas que traz ensinamentos que vão permanecer por toda a vida.
 
A mágica da arrumação: A arte japonesa de colocar ordem na sua casa e na sua vida, de Marie Kondo: Se você não sentir vontade de sair jogando tudo fora depois de ler esse livro, volte e leia de novo. A obra se tornou um fenômeno mundial por apresentar uma abordagem inovadora para acabar de vez com a bagunça. Um método simples, porém transformador. Para saber, só lendo. Vale muito!

 
 
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