12/09/2020 às 16h33min - Atualizada em 12/09/2020 às 16h20min

Divisão de tarefas domésticas: desigualdade de gênero e índices de educação entre países

Lays Bento - Editado por Ana Paula Cardoso

Entre o ranking de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Finlândia é o país com a melhor educação mundial. Apesar disso, mesmo sendo o primeiro local no qual as mulheres obtiveram o direito à voto, a elas ainda competem o serviço doméstico.

 

O país relativamente recente, que foi durante muito tempo pertencente a Suécia e Rússia (agora seus países vizinhos), só se tornou independente em 1917. Nos primórdios, a Finlândia tinha uma educação precária e, agora alcança ótimo patamar, contrariando a tendência mundial de um sistema rígido com provas e fruto de uma nítida diferenciação no acesso educacional por diferentes classes sociais.

 

Além disso, atualmente, passou a ser “antiquado” no país o uso de gênero no que tange aos esportes: as ligas de futebol com jogadores e jogadoras recebem tanto premiações, como investimentos igualitários. Por lá, até a licença de parentalidade de 164 dias abrange igualmente os pais, independente de laços sanguíneos com a criança ou sexo de cada membro do casal – grande avanço à comunidade LGBTQIA+.

 

Tarefa doméstica

Encarada como um mal necessário ou até como uma determinada espécie de opressão, a tarefa doméstica, desde os primórdios da humanidade, majoritariamente é designada às mulheres.  

 

Para a associação sem fins lucrativos, Elinkeinoelämän valtuuskunta EVA ry (Finnish Business and Policy Forum EVA), as mulheres são as mais escolarizadas no país com a melhor educação mundial e maior taxa de empregabilidade feminina local, apesar de serem, de fato, as que mais se dedicam às tarefas domésticas em solo nacional.

 

Enquanto isso, na América do Sul, em um ranking sobre divisão de tarefas domésticas mundiais, o Brasil ocupa a 17° posição entre os mais desiguais, atrás da Coreia e Japão.


O Brasil fica entre os piores da lista, na 17ª posição. E nem mesmo a Finlândia é párea: fica entre os 10 melhores países, mas não tem a questão totalmente homogeneizada.

 

O dado brasileiro se torna ainda mais curioso levantando em contrastação que, de acordo com dados do IBGE (2000), apenas 11% dos domicílios brasileiros contam com a presença de uma empregada doméstica.

 

Em “A Divisão de Tarefas Domésticas entre Homens e Mulheres no Cotidiano do Casamento”, estudo proposto por Bernardo Jablonski, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, os efeitos da desigualdade podem nitidamente gerar consequências.

 

“As mulheres ainda trabalham pelo menos duas vezes mais que os homens cumprindo as tarefas rotineiras do lar: cuidar das crianças, lavar e passar roupas, fazer compras no supermercado, limpar a casa, etc. As consequências dessa injusta divisão são vistas, frequentemente, em sentimentos de injustiça, sintomas de depressão e de insatisfação com o casamento por parte das mulheres”, diz a publicação.

 

 

 

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