11/12/2020 às 11h02min - Atualizada em 11/12/2020 às 10h21min

Orlan: a arte que quebra paradigmas

A artista francesa que escolheu a cirurgia plástica como instrumento de reflexão social

Sheyla Ferraz - Editado por Bruna Araújo
Reprodução: Site oficial (www.orlan.eu)
A feminista e artista plástica Orlan nasceu em 30 de Maio de 1947, em Mireille Suzanne Francette Porte, na França. Suas obras são uma forma de protestos contra os paradigmas sociais e os padrões de beleza.Foram ao todo nove cirurgias com transmissão ao vivo na TV nos anos 90 para museus e galerias de arte, compondo, portanto, a obra “A reencarnação de Santa Orlan”. Ela se inspirou na Vênus de Botticelli, para mudar o queixo, na Monalisa para mudar a testa e na Europa de François Boucher para mudar os lábios, além de implantar chifres nas laterais da testa.
 
Durante as cirurgias, ela recitava poema, lia o extrato de La Robe, O vestido, de Eugénie Lemoine-Luccioni, embalava o momento com música e até a equipe médica participava de suas performances, se caracterizando de acordo com a temática escolhida pela artista.A anestesia era local de modo que a isentasse das dores e ao mesmo tempo a mantivesse consciente para fazer toda performance durante a operação e pinturas com o próprio sangue.

                                                                          


O pontapé inicial que deu seguimento a série de intervenções cirúrgicas, foi quando Orlan precisou ir às pressas para o hospital, e descobriu que estava grávida, porém, o feto estava se desenvolvendo fora do útero (gravidez ectópica).Ela fez da sala de cirurgia o cenário perfeito para levar a mensagem que pretendia e chocou o mundo com sua primeira apresentação durante um processo cirúrgico, no qual ela se mantinha lúcida e dava um show de deixar o público atônito e impressionado. Seus figurinos e cenários pregavam por si só a visão crítica de Orlan.

As intervenções cirúrgicas receberam o nome de “arte carnal”, em 1989, foi um manifesto intitulado pela própria artista. Ela carrega em sua arte um discurso que se contrapõe aos ditames sociais e políticos, a religião, a segregação cultural, ao poder masculino, ao racismo, etc. Orlan enaltece a liberdade do corpo e de si.
        
Seu desempenho artístico revela ousadia e impulsiona coragem aos espectadores a assumirem as diferenças, abrindo mão de se sentirem obrigados a se moldar a qualquer padrão por causa da pressão social, protagonizando as mulheres, mostrando e dando a elas o poder de serem além do que lhe é imputado socialmente. Orlan assumiu os riscos de possíveis resultados insatisfatórios pós-cirurgia, pois ela mesma afirma que, o que importa é o resultado artístico e não o resultado plástico.

Sua identidade artística é única e atrai o debate público, porque continua sendo relevante abordar os temas defendidos por Orlan, sua arte é atemporal. Desde o século passado ela se despiu para carregar sua verdade e por meio dela gerar mudanças na sociedade ao redor do mundo.Ela contraria o comum e aprecia o bizarro sem receio.

                                                                               
A convicção do que Orlan acredita é tão forte quanto fora há anos atrás, suas obras mais recentes continuam caminhando na contra mão do óbvio, tornando-se uma exímia artista com suas criações de esculturas, fotografias, performances que a legitimam, vídeos e realidade aumentada (características também descritas na biografia do seu site oficial).

Sua arte é a voz que grita para o mundo: Que se danem os padrões! 

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