12/12/2020 às 10h15min - Atualizada em 12/12/2020 às 10h00min

Turismo na Pandemia: 2020, um ano para esquecer

O turismo foi um dos mais afetados pela pandemia e muitas empresas do setor ainda não se recuperaram

Leonardo Leão - Editado por Camilla Soares
Crédito: Carlos Marlon

Poucos setores foram tão prejudicados pela pandemia quanto o turismo. Com a maioria dos países do mundo decretando quarentena, muitas pessoas se viram forçadas a remarcar ou até cancelar suas viagens. Esse período foi um dos mais difíceis para as empresas desse ramo, houve falências, demissões em massa e vendas de bens para cobrir os prejuízos.

Nos últimos meses, o turismo vem apresentando uma recuperação em algumas áreas. Segundo a consultora e palestrante internacional de turismo digital Marta Poggi, é o momento desse setor se readequar ao novo turismo e se preparar para a retomada e para os desafios em 2021. Ela destaca a dificuldade enfrentada pelo ramo neste ano, mas também demonstra confiança em relação ao futuro.



​Cruzeiros na Pandemia
Quando o coronavírus começou a se espalhar pelo mundo, uma das imagens mais comuns foi de cruzeiros impedidos de desembarcar sua tripulação por haver alguém com os sintomas da doença. Essas imagens ficaram registradas na mente de muitos e fez com que viajar em transatlânticos se tornasse uma atividade perigosa.

Nem mesmo as gigantes do setor escaparam, como Royal Caribbean Group e a Norwegian Cruise Line, que tiveram uma queda de 94% e 99% em sua receita no segundo trimestre deste ano, se comparado com o mesmo período de 2019. Esses resultados explicam as decisões tomadas pelas empresas deste ramo, como a venda de ações e de títulos, para sustentar suas dívidas, demissões de funcionários e até pedido de recuperação judicial. Outras decisões foram os cortes nos salários de executivos e a desativação de navios.

Para não perder todos os clientes e evitar o reembolso, as companhias passaram a oferecer remarcações e créditos para futuras viagens. Alguns países já permitiram a volta das atividades, mas outros ainda estão em processo de avaliação, como o é o caso do Brasil. Os navios da MSC operam com 70% de ocupação e em caso de ter alguém infectado à bordo, 10% das cabines serão destinadas para essas pessoas, todos os cuidados estão sendo tomados para ter um retorno seguro na próxima temporada de viagens no país.


Um setor em modo avião
Outra área do turismo que foi fortemente afetada pela pandemia foi o de transportes aéreo. Mesmo com resgates de diversos países, que somados ultrapassam o valor de US$ 170 bilhões, o prejuízo das companhias aéreas pode alcançar US$ 118 bilhões neste ano e US$ 37 bilhões para o ano que vem. A International Air Transport Association (Iata) pede para que os governos sigam realizando os regates e outros benefícios, como isenções de impostos, para auxiliar as empresas durante a maior crise da história dos transportes aéreo.

 A máxima no setor que diz “avião no chão é prejuízo” nunca foi tão verdadeira. As conexões devem ser mais demoradas, afinal os passageiros, a tripulação deverão passar por um longo processo de checagem e de higienização dos aviões antes de decolar, gerando mais gastos para as empresas. É esperado que as companhias gastem até US$ 7 bilhões por mês, no primeiro semestre de 2021, com manutenção dos aviões, salários de funcionários e demais encargos.

No Brasil, os números também são assustadores. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a demanda por  voos domésticos chegou a cair 93,09% se comparado com 2019, as ofertas de assentos diminuiu 91,35%. Mas a maior queda aconteceu nos voos com destinos internacionais, com 98,13% a menos, se comparado com o ano anterior.

Para superar essa fase algumas companhias estão eliminando suas filiais e outras estão apostando em fusões com aéreo linhas maiores, tudo isso gera menos ofertas no mercado e pode causar um aumeto nos preços das passagens. Mas com os avanços na produção da vacina contra o coronavírus, o setor de transportes aéreos espera que o retorno completo das atividades possa acontecer em breve. O crescimento no valor das ações dessas companhias ao redor do mundo demonstram a confiança do mercado nessa retomada.

Setor em retomada
Aos poucos, o turismo vai se recuperando, Marta Poggi cita os hotéis como exemplo de um ramo que já está se recuperando. Em sua opinião, esta recuperação foi causada pela opção das pessoas de viajar em seus carros próprios para cidades de até 300 Km de distância. Ela destaca o papel do brasileiro no setor, “92% das viagens aqui no Brasil são realizadas por turistas domésticos”.  Marta também destaca os protocolos orientados pelo Ministério do Turismo, pelo Sebrae e outras entidades, que foram seguidos pelos hotéis.

Marta Poggi se mostra otimista em relação ao futuro do turismo brasileiro, ela acredita no potencial natural e cultural do país. Marta reconhece que para alguns destinos é necessário melhorar em alguns pontos. A consultora aponta para o aumento nas viagens regionais e nacionais, ela também fala sobre destaque que os destinos menos famosos e pouco acostumados com turismo de massa vem recebendo ultimamente.

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