29/01/2021 às 14h17min - Atualizada em 29/01/2021 às 13h59min

Como o Santos superou problemas dentro e fora de campo para chegar à final da Libertadores

Peixe decide a competição contra o Palmeiras no próximo sábado (30)

Felipe Sousa - editado por Anna Voloch
Jogadores do Santos celebram gol contra o Boca Juniors na semifinal (Foto: André Penner/Reuters)
Para chegar à final da Libertadores, que será disputada no próximo sábado (30) contra o Palmeiras em jogo único no Maracanã, o Santos teve que enfrentar não apenas alguns dos melhores times do continente, mas também os seus próprios demônios: a crise financeira – e consequentemente política, salários atrasados, insatisfação dos atletas, jogadores lesionados e punições impostas pela FIFA. Em um roteiro de cinema, o Peixe tem a possibilidade de conquistar o quarto troféu e se tornar o clube brasileiro com mais títulos na história da competição.

A CHEGADA DE JESUALDO FERREIRA, A PANDEMIA E CUCA "BOMBEIRO"



O Santos surpreendeu em 2019: sob o comando de Jorge Sampaoli, a equipe apresentou um futebol vistoso mesmo com um elenco enxuto e conquistou o vice-campeonato brasileiro. No entanto, a relação com a então diretoria do clube, capitaneada por José Carlos Peres, foi turbulenta. Ao fim da temporada, após desacordo financeiro e de montagem do time para a temporada 2020, o treinador argentino deixou o clube. Para o seu lugar, a direção santista apostou em mais um treinador estrangeiro: o português Jesualdo Ferreira, tricampeão da Primeira Liga pelo Porto.

O português comandou as duas primeiras partidas do Santos pela Libertadores: Na estreia, vitória de virada sobre o Defensa y Justicia fora de casa. No jogo seguinte, mais uma vitória contra o Delfín na Vila Belmiro. No entanto, o desempenho não era dos melhores, especialmente no Campeonato Paulista. A paralisação do futebol devido à pandemia de Covid-19 foi mais um baque às contas do clube, que já contava com uma punição da FIFA referente a dívidas de contrações, sendo impedido de trazer reforços – mais tarde, a entidade impôs mais duas punições ao Peixe. Além disso, a diretoria descumpriu um acordo salarial e teve que agir para evitar uma debandada de jogadores na justiça. Nesse processo, Everson e Eduardo Sasha deixaram o clube rumo ao Atlético Mineiro.

No retorno do futebol em julho, o Santos foi eliminado nas quartas de final do Paulistão pela Ponte Preta: foi a gota d'água para Jesualdo, demitido na sequência. Cuca foi escolhido como substituto: com experiência e conhecimento dos bastidores do clube, o treinador blindou o elenco e conseguiu fazer com que os jogadores comprassem a sua ideia.

CLASSIFICAÇÃO, LESÃO GRAVE E POLÊMICAS

Já sob o comando de Cuca, o Santos embalou na Libertadores depois de um empate sem gols com o Olimpia na Vila Belmiro: vitórias contra Delfín e Olimpia (fora de casa), além do triunfo sobre o Defensa y Justicia na última rodada, fizeram com que o Santos avançasse em primeiro no grupo e em segundo na classificação geral. Porém, o capitão da equipe Carlos Sánchez rompeu os ligamentos do joelho e ficou fora do restante da temporada.

Com a crise financeira latente, o Santos chegou a sacramentar a venda de Soteldo ao Al Hilal, da Arábia Saudita, por 7 milhões de dólares. O venezuelano, porém, decidiu permanecer. Outro jogador que agitou os bastidores santistas em outubro foi Robinho: mesmo condenado pela justiça da Itália por violência sexual, a direção do clube chegou a anunciar a contratação do atacante, mas voltou atrás após forte pressão da opinião pública e de patrocinadores. Pouco antes do início do mata-mata da Libertadores, o quadro associativo do Santos aprovou o impeachment do José Carlos Peres devido a irregularidades nas contas do clube de 2019. Orlando Rollo assumiu interinamente a presidência.


MATA-MATA DA LIBERTADORES: UM GIGANTE POR VEZ


Nas oitavas de final da Libertadores, o Santos enfrentaria a LDU, segunda colocada no Grupo D, que contou com River Plate e São Paulo. Além dos equatorianos, o Peixe enfrentaria também a altitude de Quito e a ausência de cinco atletas e do técnico Cuca, infectados pelo novo coronavírus. Mesmo em situação adversa, o Santos se impôs e venceu por 2 a 1, com gols de Marinho e Soteldo – o jovem goleiro John também teve grande atuação. Na volta, a LDU venceu por 1 a 0 em jogo com muita confusão, mas não o bastante para tirar o Alvinegro das quartas de final.

Na fase seguinte, o adversário foi o Grêmio – o tricolor gaúcho chegara ao menos nas semifinais nas últimas três edições e queria repetir o feito. Na ida em Porto Alegre, o Santos saiu na frente com gol de Kaio Jorge e esteve bem perto da vitória, mas os donos da casa empataram de pênalti com Diego Souza nos acréscimos do segundo tempo. Na volta, o que se viu foi um atropelo santista: Kaio Jorge abriu o placar com 11 segundos de jogo. Marinho ampliou e o Camisa 9 transformou a vitória em goleada. O Grêmio chegou a diminuir com Thaciano, mas Laércio fechou o placar e decretou o triunfo do Santos.


O temido Boca Juniors seria o último obstáculo do Santos rumo ao Maracanã: na Bombonera, os brasileiros controlaram bem a partida, mas o 0 a 0 permaeceu – houve muita reclamação em relação a um pênalti em Marinho, o qual a arbitragem de vídeo sequer acionou o árbitro principal para revisão. Na Vila Belmiro, outro passeio do Peixe: Diego Pituca abriu o placar no primeiro tempo, Soteldo e Lucas Braga confirmaram a vitória categórica sobre os argentinos: 3 a 0.

RIVALIDADE CRESCENTE TERÁ SEU ÁPICE NESTE SÁBADO


Palmeiras e Santos tem protagonizado duelos quentes desde a segunda metade da última década: em 2015, os santistas conquistaram o Estadual; os palmeirenses venceram a Copa do Brasil. Também se encontraram nas semifinais do Paulista de 2016 (vitória Alvinegra) e 2018 (vitória Alviverde). Foram partidas marcadas por hostilidade e troca de farpas de ambos os lados.

Agora, em 2021, as equipes disputarão o jogo mais importante da história do confronto: para o Santos, a chance de se isolar como o maior brasileiro da história da Libertadores.

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