11/02/2021 às 22h13min - Atualizada em 11/02/2021 às 21h38min

Primeiro satélite 100% brasileiro, Amazônia 1, será lançado final de fevereiro

Após 8 anos de atrasos e adiamentos, o Amazônia 1 chega à Índia e tem data de lançamento prevista para 28 de fevereiro.

Celine Almeida - Edição: Manoel Paulo
http://www.inpe.br/amazonia1/
Arte: Junior Miranda / Homem do Espaço

O Amazonia 1 é o primeiro satélite de Observação da Terra completamente projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil.

O satélite terá a missão de fornecer imagens por dados de sensoriamento remoto para observar e monitorar o desmatamento no país, principalmente na Região Amazônica. 

Sua órbita será polar e, para cumprir o prometido de gerar imagens do planeta a cada 5 dias, conta com seis quilômetros de fios e 14 mil conexões elétricas, além de um imageador óptico de visada larga capaz de observar uma faixa de aproximadamente 850 km com 64 metros de resolução. Ele tem quatro metros de comprimento e vai ficar a uma altitude de 752 quilômetros.

Para o futuro, já estão previstos mais dois satélites - Amazonia 1B e Amazonia 2 e, assim como o Amazonia 1, serão formados por dois módulos independentes: um Módulo de Serviço, que é a Plataforma Multimissăo (PMM), e um Módulo de Carga Útil, com câmeras imageadoras e equipamentos de gravação e transmissão.
 

“Para termos o satélite preparado para envio para a base de lançamento contamos com o empenho de centenas de pessoas com o trabalho incansável de anos de preparação. Os desafios foram muitos. Como resultado, estamos a poucas etapas de concluir o ciclo completo de um satélite totalmente desenvolvido, integrado, testado no Brasil e pelo Brasil”, disse o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/MCTI), Clezio de Nardin, para a Agência Brasil.

O satélite não será lançado pela Base de Alcântara no Maranhão, pois ela não comporta esse tipo de lançamento. A Índia ganhou a disputa para o envio do satélite e Amazonia 1 pela base de Sriharikota.
 

Missão Amazonia

A Missão Amazonia consistirá em fornecer dados de sensoriamento remoto para monitorar o desmatamento na região amazônica e, também, da agricultura em todo o território nacional, além da região costeira, reservatórios de água, florestas naturais, desastres ambientais, entre outros.

Outro ponto importante da missão será para a tecnologia, pois pretende a validar a Plataforma Multimissão PMM, a qual consiste, de acordo com o INPE, em “reunir em uma plataforma todos os equipamentos que desempenham funções necessárias à sobrevivência de um satélite independente do tipo de órbita ou de apontamento”.

No geral, o objetivo da Missão Amazonia é consolidar o conhecimento do Brasil em desenvolvimento de missões espaciais e autonomia para atuar em missões dessa categoria, visto que os satélites anteriores foram desenvolvidos junto com outros países.

“Essa competência global em engenharia de sistemas e em gerenciamento de projetos coloca o país em um novo patamar científico e tecnológico para missões espaciais. A partir do lançamento do satélite Amazonia 1 e da validação em voo da PMM, o Brasil terá dominado o ciclo de vida de fabricação de sistemas espaciais para satélites estabilizados em três eixos”, informa o site do projeto.

 

Ganhos tecnológicos para o país

Os principais ganhos tecnológicos decorrentes da Missão Amazonia 1 são:

  • A validação da Plataforma Multimissão (PMM) como sistema, gerando confiabilidade e reduções significativas de prazos e custos para o desenvolvimento de futuras missões de satélites baseados na Plataforma Multimissão;
  • Consolidação do conhecimento do Brasil no ciclo completo de desenvolvimento de satélites estabilizados em 3 eixos, ganhando também maturidade nas atividades de integração e testes de satélites;
  • Capacitação no subsistema de Controle de Atitude e Órbita e Supervisão de Bordo, a partir da experiência do contrato com transferência de tecnologia com a Argentina;
  • Desenvolvimento na indústria nacional dos mecanismos de abertura do Painel Solar, que nos satélites da série CBERS foram fornecidos pela China;
  • Desenvolvimento da propulsão do subsistema de controle de atitude e órbita na indústria nacional, embora utilizando partes adquiridas no exterior;
  • Capacitação do país na realização de operações iniciais pós lançamento (LEOP);
  • Consolidação de conhecimentos na campanha de lançamento de satélites de maior complexidade;
  • Consolidação e aquisição de experiência nas tomadas de decisões e ações em condições críticas de operação;
  • Aquisição de experiência na execução de operações para encerramento do ciclo de vida da missão.

Outros satélites brasileiros

O Programa Espacial Brasil foi criado em 1979, cerca de 20 anos após o início da corrida espacial entre EUA e a União Soviética. O primeiro satélite brasileiro foi lançado em 1990, e desde então várias missões foram desenvolvidas.

SCD-1 e SCD-2 - parceria com os EUA

O Satélite de Coleta de Dados 1 foi o primeiro dispositivo nacional a operar em órbita. Criado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o SCD-1 foi lançado do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, com o foguete Pegasus, em 9 de fevereiro de 1993. Contribuiu para o monitoramento de bacias e rios brasileiros.

Sua missão foi complementada pelo SCD-2 em 1998, lançado do mesmo local e com o mesmo objetivo do SCD-1.
 


Projeto CBERS - parceria com a China

Em 1988, o Brasil assinou um acordo de cooperação com os chineses, assim, o Inpe e a Academia de Tecnologia Espacial da China (Cast) desenvolveram o programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, da sigla em inglês) e o CBERS-1 foi lançado em 14 de outubro de 1999, em Taiyuan, na China.

O
CBERS-2 foi lançado em outubro de 2003 e o CBERS-2B em setembro de 2007 e operou até o começo de 2010. Esses satélites também tiveram a missão de coletar dados e foram fundamentais para monitorar o desmatamento, as áreas agrícolas e o desenvolvimento urbano.

O CBERS-3 foi lançado em dezembro de 2013, mas devido a uma falha com o veículo, o satélite não foi colocado na órbita, resultando em sua reentrada na atmosfera da Terra. Após a falha desse lançamento, Brasil e China decidiram antecipar o lançamento do CBERS-4 em um ano, sendo lançado em dezembro de 2014.

O CBERS 04A foi lançado e colocado em órbita com sucesso em dezembro de 2019.
 


Microssatélites NanosatC-BR - parceria com Ucrânia e Rússia

Com uma massa de 1 kg, o NanosatC-BR1 primeiro satélite miniaturizado (CubeSat) brasileiro foi lançado em junho de 2014 a partir da base de Dombarovsky, no Oblast de Oremburgo, Rússia. O NanosatC-BR2 é o segundo objeto do Programa e ambos tem o objetivo de monitorar o campo magnético terrestre sobre o Brasil e estudar os fenômenos magnéticos da Anomalia Magnética do Atlântico Sul.
 


Para mais detalhes sobre objetos espaciais brasileiros, clique aqui.

 
 

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