15/02/2021 às 11h11min - Atualizada em 15/02/2021 às 11h08min

Crescem crimes contra o pudor diante da pandemia

Os crimes são variados, porém os mais comuns são os insultos morais, posse da vítima e os casos de ataque físico

Ariel Vidal - Editor: Ronerson Pinheiro
A atriz Duda Reis com o seu ex-companheiro Nego do Borel - Foto: UOL/Reprodução
 
Os casos de relacionamentos abusivos têm aumentado cerca de 22% desde abril de 2020, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Durante o período da quarentena, os casos de mortes às mulheres aumentaram, mas atualmente muitas famosas têm divulgado nas redes sociais, o porquê não suporta mais serem vítimas de atos violentos. No entanto, campanhas têm sido feitas para auxiliar nas denúncias, porém ainda existem poucas adesões, por serem crimes contra o pudor, e nem sempre há como comprovar. Um indicativo mostra que as mulheres continuam sofrendo agressões, embora não procurem com tanta frequência às delegacias. Os crimes são variados, porém os mais comuns são os insultos morais, posse da vítima e os casos de ataque físico. 

Aconteceu na mídia
 
Recentemente a atriz Duda Reis expôs em uma rede social, que viveu um relacionamento tóxico com o cantor Nego do Borel por três anos. A modelo e digital influencer, conta que nesse período foi vítima de traições, agressões e toxicidade por parte dele. Após um áudio sobre as traições vazar, Duda resolveu revelar tudo o que sofria, e a atriz afirmou que o relacionamento era abusivo, pois foi vítima de xingamentos e outras formas de desrespeito. "Você sai destruída de uma relação abusiva, fato. Às vezes só vai enxergar tempos e tempos depois. Como se não bastasse eu ter saído com diversas feridas e traumas por causa do bom samaritano da rede social, recebe agora mais baixaria no meu celular e vou começar a expor mesmo", disse em sua rede social. "Quem passa pano para abusador é conivente, sim. Sinto muito, espero que não mexam comigo porque vou ter que dar um depoimento imenso do que eu passei em três anos e não conseguia sair de jeito nenhum por ter muito abuso. Sem contar os xingamentos, traições, desrespeito", continuou Duda Reis.
 
Relatos
 
Mariane* conviveu com uma pessoa por três anos, e descobriu que estava sendo vítima de um relacionamento abusivo. Ela conta que durante os primeiros anos tudo parecia normal, mas com o tempo o ciúme se tornou obsessivo. “Parecia uma doença, e eu via que aquilo não era para mim, pois estava me fazendo mal, até mesmo me afastou de pessoas que eu amava”, conta.
 
Ela explica que todas as vezes que tentava conversar para dar um fim sempre ele tinha uma notícia ruim, e adiou por mais tempo. “Um certo momento eu entendi que precisava pensar mais em meu bem-estar do que no outro, e assim tomar a atitude necessária. Mas quando eu tomei a decisão, ele não aceitou. Vieram as histórias tristes, ameaças de que iria se matar, mas eu já não aguentava mais, e cortei todos os contatos com ele e família”, completa.
 
Casos como o de Mariane são muito comuns, pois são histórias de mulheres desconhecidas da mídia, mas que podem inspirar outras a como sair da situação. A psicóloga clínica Caroline Duarte explica que é importante ressaltar que em casos de violência psicológica ou física, mas que não se caracterizam crimes por lei, a mulher também deve buscar apoio e se afastar do agressor. “Acredito que o primeiro passo é buscar apoio. Após sofrer uma violência a mulher se sente insegura, amedrontada, invadida e devido a isso muitas vezes recua na hora de denunciar, então acredito que o apoio de uma pessoa de confiança seja essencial.”, explica. 

*Nome fictício para proteger a imagem da vítima.



Editora-chefe: Lavínia Carvalho

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