26/02/2021 às 22h15min - Atualizada em 26/02/2021 às 21h56min

O aumento nos preços das commodities

Devido a desvalorização de inúmeras moedas pelo mundo, o valor das commodities vem em alta nos últimos meses

Leonardo Leão - Editado por Maria Paula Ramos
Commodity Trade Mantra

 Neste momento de crise, muitos países pelo mundo, tanto desenvolvidos quanto os subdesenvolvidos, foram forçados a criar resgates econômicos através da emissão de títulos de dívidas para salvar sua economia. Os Estados Unidos está prestes a lançar um pacote de estímulos no valor de 1,9 trilhão de dólares. Esses resgates causaram inúmeras consequências, dentre elas a desvalorização da moeda. Que por sua vez gerou o aumento nos preços das commodities, como o petróleo, a soja e o ferro.

 Depois de enfrentar uma grave crise, com o petróleo em sua maior queda mensal e trimestral da história em março do ano passado. O mercado de commodities vem em uma forte recuperação e com os valores cada vez mais alavancados. O petróleo está sendo negociado acima de 60 dólares por barril, a soja está acima de 14 dólares por bushel e o valor do minério de ferro já bateu US$ 174 a tonelada neste ano.

 Para Marcelo Campos, redator da QR Capital, essa alta das commodities foi causada pela inflação de ativos. Ele explica que em 2020 ocorreram expansões monetárias em diversos países. Por tanto, as moedas fiduciárias, como o dólar, se desvalorizaram frente as commodities. Marcelo aponta também, para a assimetria da inflação. Os grandes bancos de investimentos são os primeiros a receber o novo dinheiro, por isso que a inflação tende a surgir a partir do sistema financeiro internacional, causando uma inchaço no mercado financeiro como um todo.

Desempenho das Commodities 


 Alguns especialistas veem com bons olhos o futuro da soja no mercado internacional. O grão está na casa dos 14 dólares, muito próximo da cotação recorde de 15 dólares, alcançada em julho de 2013. Além da soja, o trigo e o milho também  estão com seus valores em patamares elevados. No caso do trigo, ele alcançou US$ 6,71/bushel na ultima semana do mês passado, depois de uma série de altas no mercado, já o milho vem crescendo desde 11 de fevereiro. Esses números podem ser explicados pela alta demanda dos chineses por esses produtos e pelo clima desfavorável na América do Sul.

 Dentre todos as commodities, aquele que mais se destaca nesse momento de desvalorização da moeda diante delas é o petróleo, pelo menos na opinião de Marcelo Campos. Ele destaca o crescimento que o produto vem tendo no mercado. No início deste mês os contratos futuros do petróleo alcançaram seus melhores resultados desde o início da pandemia. O preço do petróleo ultrapassou os US$ 70 por barril. Os principais responsáveis por esse aumento foi o ataque  às instalações de petróleo sauditas e a aprovação do pacote de estímulos, pelo senado americano.

 Marcelo destacou o desempenho das criptomoedas recentemente, “estão voando este ano". As criptomoedas, como o Bitcoin que alcançou o valor de 1 trilhão de dólares este ano, vem sendo utilizadas por muitos como reservas de proteção contra a inflação das moedas fiduciárias. Metais como o ouro e a prata também são bastante procurados em épocas como essa. Commodities em geral são uma boa aposta para tentar escapar das consequências brutais dessa crise.

Tendência para o futuro
 Quanto às consequências para a economia global, Marcelo Campos aponta para uma perda no poder de compra, corrosão do valor e um processo de "emburrecimento" do mercado financeiro, que passará a atuar conforme os pacotes de estímulos dos governos em detrimento das variáveis reais de produção das empresas. Já para a economia nacional, ele prevê que a alta do petróleo pode causar um aumento nos preços das passagens aéreas, dos fretes e pode causar uma nova greve dos caminhoneiros.

 
 O aumento no preço do petróleo, somado a alta do dólar, pode causar uma alta no valor da gasolina e do diesel. Isso pode encarecer os alimentos e demais produtos consumidos no Brasil, que são transportados principalmente por caminhões. Segundo dados de 2015 do Plano Nacional de Logísticas, 60% da carga no país é transportada em rodovias. As consequências já estão sendo sentidas pelo consumidor, mas a tendência é piorar com o passar do tempo.

 Para Marcelo o aumento dos preços será uma tendência no futuro. Ele explica que essas variáveis do lado da oferta demora cerca de um ano para surgir efeito na inflação. Por tanto podemos presenciar um novo ciclo de alta nas commodities a partir do próximo mês, quando se completa os 12 meses desde o início mais severo da pandemia.

 Porém, Marcelo acredita que pelo fato do Brasil ser um país exportador de commodity, esse aumento pode ser positivo. Empresas como Petrobrás e Vale podem se beneficiar com esses valores e consequentemente contribuir para o reaquecimento da economia, mas ele ressalta que o desafio econômico do país permanece na esfera fiscal e nem mesmo um bom momento nas commodities podem diminuir esse buraco.


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