12/03/2021 às 21h28min - Atualizada em 12/03/2021 às 20h26min

Usar salto alto não é andar sobre as nuvens

Considerado elegante, o uso frequente do calçado pode gerar desconfortos e riscos à saúde

Maria Fernanda Melo - Editado por Clara Molter Bertolot
Pedro Nekoi/Vice
A romantização do uso de calçados com salto alto esteve presente na vida de algumas mulheres desde a infância. Nossa querida amiga Cinderela comprova isso, pois, meia noite, antes do encanto acabar, a jovem que nunca esteve em um baile deixa o sapatinho de cristal para trás.

O estranho é que ninguém nunca perguntou como ela conseguiu descer correndo os degraus de um palácio, usando um salto de cristal. Nos contos de fadas, parece até que a gravidade não existe. Porém, sabemos que na realidade não é assim que funciona. Este calçado, tão usado nas festas de debutantes, por exemplo, ao longo da vida torna-se obrigatório em muitas profissões.

O salto alto, criado incialmente para o público masculino, com o tempo foi transferindo-se para o guarda-roupa do sexo oposto. Como aponta a história, dessa vez real, do rei francês Louis XIV (1648-1715), que não ultrapassava os 1,60m de altura, e para aumentar a sua estatura, era casado com estes sapatos.

Alguns anos depois, o salto alto passou a ser utilizado também pelas mulheres da realeza. Por muito tempo, ele esteve relacionado com a glamourização e elegância da nobreza. No entanto, ninguém avisou sobre as bolhas, calos, desconfortos e desequilíbrios que tantas mulheres teriam que enfrentar.

Como consequência de muitos estereótipos, empresas e profissões justificam o uso do salto alto com a necessidade de "seguir" um dress code.  A advogada Kamilla Guarnieri, de 26 anos, conta que, por um longo período, esse calçado era de uso inquestionável na advocacia, sobretudo em encontros no fórum: "Se você não estava de salto, dificilmente conseguiria passar uma credibilidade", disse a dvogada.  




Tão grave quanto os tabus, é ter a saúde comprometida devido ao uso frequente destes calçados. O médico ortopedista Rounilo Furlani Costa, de 48 anos, explica que, quando utilizado constantemente, o salto gera uma acentuação na curvatura da lombar, fato que intensifica as dores nessa região. Além disso, os joelhos recebem uma pressão maior e, no decorrer do tempo, ocasiona uma lesão na cartilagem do femuro patelar (uma articulação do joelho).

O especialista ainda ressalta que, "o 
uso do salto eleva o calcanhar para uma linha acima dos dedos do pé. Essa alteração provoca um desequilíbrio na distribuição do peso e altera a postura corporal, afirmou o médico". 

Em sua prática de medicina, Dr. Furlani diz receber pacientes com problemas de saúde provocados ou agravados pelo uso constante do salto alto. Entretanto, não é necessário desfazer ou doar os saltos que você tem em casa. O médico faz recomendações que podem tornar o uso desses calçados mais confortável e menos prejudicial. São algumas dessas opções: escolher saltos com altura que varie entre quatro e sete centímetros; alternar os dias de uso; e evitar modelos tão apertados.


A advogada Kamilla também explica como o cenário tem se transformado dentro da profissão: "Não vou falar que hoje não é qusito, até porque se você for em um fórum ou tribunal, a maioria das mulheres estarão de salto. Mas porque, talvez, sinatm-se bem, mais elegantes. O seu uso não é mais tão inquestionável como cinco ou dez anos atrás", relatou Kamilla.

Em 2021, ser elegante não significa estar de salto alto. Modelos como as sapatilhas e os sapatos mule mantém a proposta, mas com o conforto de caminhar com os pés firmes no chão. Convenhamos, até as princesas se atualizaram. 

 
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