19/03/2021 às 19h27min - Atualizada em 19/03/2021 às 19h11min

Lucy Maud Montgomery: um olhar que atravessou gerações

A autora da amada personagem Anne, deixou seu olhar feminino sobre um mundo idealista e cheio de imaginação que faz um contraponto de qual seria a visão feminina do mundo atual

Jennifer Valverde - Editado por Andrieli Torres
Foto: Reprodução/Internet

Com a popularização da série ‘Anne with an e’, começou a ser questionado quem realmente era a criadora original da trama, que mesmo centenária não se deixou envelhecer pelo tempo. Mas, a relevância da vida dessa autora ultrapassa as histórias e chega até um detalhe, o seu olhar feminino na época dela. Que olhar é esse e qual é a visão feminina de agora? 

 

Lucy Maud Montgomery, ou ‘Maud’ nasceu em 30 de abril de 1874 (cerca de 147 anos atrás), em Clifton, na ilha do Príncipe Eduardo, no Canadá. Teve uma infância solitária já que havia perdido sua mãe ainda bebê, o que fez seu pai a entregar aos avós e ir embora, buscando-a somente quando fez sete anos. Quando ficou adulta se formou em pedagogia e logo começou a lecionar, mas ao decorrer do tempo percebeu que sua grande paixão era a escrita, então focou-se na criação de histórias, publicando seu primeiro texto em 1890 em Charlottetown. 

 

Em sua criação mais famosa, a série de livros que falam sobre ‘Anne’, uma garotinha ruiva que ao decorrer da história evolui não somente fisicamente mas mentalmente também, a autora apresenta um reflexo de si mesma, tanto no quesito da criação do universo da trama, já que se passa no mesmo local onde a mesma nasceu e cresceu, a Ilha do Príncipe Eduardo; quanto na personalidade da sonhadora Anne.

 

E o que isso pode nos dizer sobre Lucy? 

 

Lucy era uma mulher à frente de sua época, com um olhar que não se era esperado que uma pessoa do sexo feminino pudesse ter; e, ela transmitia isso, tanto na escolha de vida, de mesmo em um tempo onde as vozes femininas não tinham tanta força, resolveu virar escritora e transmitir seu olhar, o olhar de uma garota sobre a sociedade, sobre preconceitos. Ela tornou uma personagem feminina em um ícone de mudanças em seu próprio vilarejo, o que se espalhou e ultrapassou décadas. 
 

A autora, mostrou o quanto a imaginação é importante em um mundo que sempre foi tão sério e cheio de regras; Maud ao criar suas histórias sempre retornou ao tema da necessidade de expressar pensamentos, aliás não importando quem sejam, homens ou mulheres.

 

“Fico tão feliz por você ter expressado esse pensamento, Priscilla, ao invés de ter apenas pensado e guardado para você! Este mundo seria um lugar tão mais interessante… Ainda que seja muito interessante de qualquer modo… Se as pessoas expressassem seus verdadeiros pensamentos.” (Anne de Avonlea, pg 115)

 

Ao criar sua heroína, a escritora apresenta a aceitação e os preconceitos envolvendo a jovem órfã e ruiva em uma sociedade onde ser uma dessas coisas era algo não muito comum, ou quase nada comum.

 

Anos se passaram e o olhar de Lucy ainda se encontra muito atual. Mesmo com as revoluções femininas, o aumento da tecnologia, o ser humano ainda é movido pela imaginação, aliás, ele precisa disso para poder ver a vida de uma forma diferente. Talvez Maud estivesse à frente de sua época quando escreveu sobre uma garota teimosa e sonhadora em um tempo onde meninas deveriam ser caseiras e polidas. Mas, é certo se dizer que o olhar dela sobre a sociedade muito se parece com o olhar feminino atual, é claro que em alguns pontos muita coisa mudou, a popularização do voto feminino, o crescimento de mentes intelectuais femininas e um mundo mais aberto a discussões e pontos de vista. 

 

Então, pode-se arriscar a dizer que mesmo em um mundo tão avançado a sociedade ideal, pensada por Lucy, ainda está longe de existir. Mas, do ponto de vista feminino as coisas evoluíram, e o olhar da mulher de hoje é cheio de idealizações, liberdade de pensamento e conquistas que antes eram retraídas por uma sociedade que não compreendia o papel da mulher e sua importância dentro e fora de uma casa. 

 

Maud faleceu em 24 de abril de 1942 em Toronto (Canadá), mas, deixou sua marca e sua visão de que a vida pode e deve ser mais apreciada, mais idealizada. Deixou seu olhar de que uma garota pode quebrar estigmas, não importando a época ou físico dela.

 

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