22/03/2021 às 17h06min - Atualizada em 22/03/2021 às 17h03min

Rodrigo Ferreira: dançando dos palcos para casa

“Os dançarinos precisam de certo ambiente e esses ambientes estão fechados, então a gente tem que correr atrás”, afirma o dançarino

Lívia Tomé de Oliveira - Revisado por Mário Cypriano
Rodrigo em um dos passos de hip hop - Créditos: Arquivo Pessoal
Dançarino desde a infância, dono de uma paixão inabalável e uma grande curiosidade pela dança. Para o aluno de hip-hop Rodrigo Silva Ferreira, diretamente de Salvador (BA), existem dois caminhos: ou você nasce para dançar ou você aprende a dançar. Há cinco anos, quando ganhou uma bolsa integral para uma escola de dança, começou a ver a modalidade com outros olhos: “Depois das aulas comecei a ver tudo de outra perspectiva, acho que é a única coisa que me encaixo na sociedade.”, afirma o artista.

Em março de 2020 com a chegada do novo coronavírus e a vinda do isolamento social, o governador Rui Costa, do estado da Bahia, decretou que os comércios não essenciais fossem fechados, incluindo academias e estúdios de dança. Estes então encontraram uma saída, através das aulas à distância e on-line. 
Com os palcos vazios e escolas fechadas, Rodrigo se reinventou durante a pandemia e não permitiu que o isolamento o fizesse desistir da sua carreira. Sem espaço suficiente, internet instável e falta de silêncio em casa, o soteropolitano decidiu não participar do ensino remoto. Isso não significa que desistiria de fazer o que ama, optando por estudar de forma independente, aprimorando o que já sabia e explorando novos horizontes dentro da área.

Com as medidas flexíveis e a reabertura dos comércios em julho de 2020, voltou às aulas de uma forma totalmente distinta. No rosto, eram colocadas as máscaras e entre as pessoas existia a distância com todo cuidado possível. Para a classe artística foi um grande desafio, mas qual seria o maior deles? De acordo com Rodrigo, um dos problemas enfrentados foi dançar usando máscara, pois, quando precisava de ar ao se cansar, não sabia onde encontrar. Ainda assim, persistiu, pensando em um bem maior.

Mas e os espetáculos? Os palcos ficaram totalmente vazios? Limitaram-se apenas aos ensaios?  Como agiram na pandemia? Em dezembro de 2020, o dançarino participou do festival de dança da sua escola de uma maneira diferente. Utilizaram máscaras transparentes para dançar e trocaram os grandes palcos por um espaço ao ar livre e gratuito para quem quisesse assistir. “Tudo foi feito priorizando a saúde dos alunos e professores.”, diz ele.

Neste período de isolamento, onde não se pode sair de casa, a dança tornou-se um álibi importante para a saúde mental de mlilhares de pessoas. A sociedade descobre cada vez mais que não se trata apenas de movimentos, mas também de sentimentos. “Se não fosse pela dança, eu acho que iria pirar! Me ajudou a não me desequilibrar. [...] Com toda certeza, a música e a dança ajudam pessoas, podem não se curar, mas se sentem melhores. Para eu desistir disso, eu teria que morrer”, afirma o dançarino.


Em 2021, com mais de 4.000 novos casos e aumento dos óbitos, o estado da Bahia decretou novas medidas de restrições ainda mais rígidas. As atividades retornaram remotas e o desafio de se manter persistente na rotina continua com o foco e a esperança de que um amanhã próspero brevemente irá chegar.

Os desejos de Rodrigo dentro da dança pós-pandemia são variados. Ele cita querer se graduar na área e viajar pelo mundo, a fim de descobrir países e suas culturas. Conhecê-las de pertinho para poder levar a experiência para suas coreografias e como bagagem de vida.

Por hora, Rodrigo não vive financeiramente da dança e está à procura de um trabalho, mas acha meio complicado conseguir um emprego formal na situação atual. Mesmo assim, não fica parado e quando tem a oportunidade de ganhar uma grana extra, sempre se predispõe. Ao final, não só de dança viverá o homem, mas também de alimento para se manter.
 

Rodrigo dançando de máscara em um parque - Créditos: Arquivo pessoal

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