02/04/2021 às 00h29min - Atualizada em 02/04/2021 às 00h22min

José Saramago: personalidade além das fronteiras de Portugal

Nobel de Literatura, Saramago teve presença expressiva em manifestações artísticas, educativas, políticas e sociais ao redor do mundo

Bianca Nascimento - Editado por Gustavo Henrique Araújo
Foto: Reprodução/Google
As noites, debruçado entre os livros na biblioteca pública do Palácio Galveias, em Lisboa, fez com que José Saramago mergulhasse no mundo literário ainda na juventude. Na união das letras e conjunção de palavras que lia, imaginava as diversas histórias que poderiam se tornar grandes e distintos livros críticos com profundas narrativas.
 
Na pequena aldeia de Azinhaga, território do sul de Portugal, nascia no dia 16 de novembro de 1922 o escritor que mais tarde se tornaria o grande influente para que o reconhecimento internacional alcançasse a prosa da língua portuguesa.
 
Antes de se dedicar totalmente à literatura, Saramago desempenhou funções que possibilitou ter uma visão ampla do mundo. Trabalhou como serralheiro, mecânico, editor, tradutor e crítico literário.
 
O perfil humanista e crítico das atitudes de diferentes esferas presentes na sociedade também foi característica existente no seu estilo inconfundível de escrever e causar reflexão aos leitores.
 
Em 1971, tornou-se comentarista político no Diário de Lisboa, jornal local, desempenhando também a coordenação de um suplemento cultural. Também se integrou a Associação Portuguesa de Escritores, sendo diretor-adjunto do Diário de Notícias.
 
Autor de mais de 40 obras, aderiu à crítica à igreja católica como um dos objetivos para os seus livros, principalmente para a obra "O evangelho segundo Jesus Cristo", romance lançado em 1991, que foi censurado pelo governo de Portugal. Considerado uma ofensa para os católicos devido às polêmicas contidas na narração, uma delas expõe que Jesus perdeu a sua virgindade com Maria Madalena, apresentando a fragilidade humana.
 
Dentre os principais prêmios que foi nomeado, se encontra o Prêmio Camões, que recebeu em 1995, e o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998. Considerado o único escritor da língua portuguesa a ganhar a premiação. O motivo das premiações baseia-se na elaboração de profundas exposições sobre a sociedade contemporânea, questionamentos sobre o capitalismo e sobre o caráter efêmero dos seres humanos e os seus papéis no ambiente em que vive.
 

“Em consequência da atribuição do Prémio Nobel a minha atividade pública viu-se incrementada. Viajei pelos cinco continentes, oferecendo conferências, recebendo graus académicos, participando em reuniões e congressos, tanto de carácter literário como social e político, mas, sobretudo, participei em ações reivindicativas da dignificação dos seres humanos e do cumprimento da Declaração dos Direitos Humanos pela consecução de uma sociedade mais justa, onde a pessoa seja prioridade absoluta, e não o comércio ou as lutas por um poder hegemónico, sempre destrutivas”, disse José Saramago em autobiografia.

A Fundação José Saramago, lugar que foi construído para manter as suas obras, as suas ideias e pensamentos de forma que transcendesse a escrita e tornasse uma nova forma, foi a realização de um trabalho pela expansão da literatura e dos direitos humanos.
 

“No ano de 2007 decidiu criar-se em Lisboa uma Fundação com o meu nome, a qual assume, entre os seus objectivos principais, a defesa e a divulgação da literatura contemporânea, a defesa e a exigência de cumprimento da Carta dos Direitos Humanos, além da atenção que devemos, como cidadãos responsáveis, ao cuidado do meio ambiente. Em Julho de 2008 foi assinado um protocolo de cedência da Casa dos Bicos, em Lisboa, para sede da Fundação José Saramago, onde esta continuará a intensificar e consolidar os objectivos a que se propôs na sua Declaração de Princípios, abrindo portas a projectos vivos de agitação cultural e propostas transformadoras da sociedade.” (José Saramago)

Aos 87 anos, no ano de 2010, em sua casa na Espanha — onde viveu com a sua esposa, Pilar del Río, jornalista e escritora espanhola — morre de leucemia crônica, deixando além da sua herança, o seu acervo e marco na história da literatura portuguesa e mundial.
 
Principais obras de José Saramago:

Levantado do Chão (1980)
Memorial do Convento (1982)
O ano da morte de Ricardo Reis (1984)
A jangada de pedra (1986)
O Ensaio sobre a Cegueira (1995)
Ensaio sobre a lucidez (2004)
As intermitências da morte (2005)

 

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