02/04/2021 às 12h07min - Atualizada em 02/04/2021 às 11h48min

Um ano de ensino virtual: a sociedade se adaptou a essa nova modalidade?

Professor, mãe e aluna da cidade Campos dos Goytacazes (RJ) compartilham experiências sobre o assunto

Hellen Almeida - Editado por Andrieli Torres
Foto: Ilustração de aluno no ensino remoto/EAD. Reprodução: ABRAFI
Há pouco tempo as instituições brasileiras de ensino completaram um ano de aprendizado virtual (remoto ou EAD). Em decorrência do alto risco de contágio da Covid-19, as escolas e universidades se viram obrigadas a enfrentarem o desafio de modificar o ensino tradicional para um formato o qual muitos estabelecimentos nunca haviam testado.

Como estudante, posso pessoalmente afirmar que inicialmente não foi uma modificação de fácil compreendimento, e não apenas para os alunos, como também os professores e responsáveis (pais, avós, entre outros).

Em decorrência disso, é interessante reunir três integrantes da minha cidade (Campos dos Goytacazes-RJ), estando entre eles: o professor de artes Arthur Miranda, a estudante de 6º ano Maria Clara Quintas e sua mãe e dona de casa, Danielle Quintas.

O objetivo é falar sobre como o ensino virtual impactou a vida de cada um, e, como estão lidando com isso após um ano e por fim, dicas pessoais para lidar com o momento atual.

Impacto na rotina

Essa deslocação interferiu no cotidiano dos entrevistados de formas distintas. Danielle afirma que inicialmente teve que estar ao lado de sua filha para ajudá-la a compreender o conteúdo. “Tive que dar um apoio a minha filha, ficando junto com ela durante as aulas, até pegar o jeito. O que inicialmente teve efeito em nossa rotina” afirma a mãe.

O professor, por sua vez, afirma que sua maior dificuldade estava presente em separar os momentos de trabalho e lazer. “O início foi difícil, pois dou aula no meu próprio quarto e não estava conseguindo separar meu momento pessoal com o profissional” diz Arthur.

Já a estudante de 11 anos, aponta o foco nas aulas e a falta de estímulo para estudar como seus maiores obstáculos até hoje. “É mais complicado ter atenção na hora da aula, e fico com preguiça de fazer as atividades de casa", alega a jovem.

Quadro atual

Em contrapartida, apesar dos impasses ainda persistentes, todos afirmam estarem mais familiarizados com a situação. Por exemplo, a dona de casa diz que apesar da desatenção e desestímulo ainda existentes por parte dos estudantes em sua percepção, a situação está controlada. “Eu acho que não só minha filha, mas muitos alunos estão tendo alguma dificuldade, pois não é a mesma coisa do ensino presencial, e eles acabam se desestimulando, ficam com preguiça de fazer as atividades de casa, apesar disso, agora a situação está sob controle”.

A discente declara sentir falta da presença de seus amigos e professores, e diz que em decorrência disso, ainda apresenta certos conflitos para entender o conteúdo dado. “Sinto falta da escola, do contato com os professores, e principalmente dos meus amigos. E apesar dos esforços, tenho ficado com dificuldade para compreender algumas coisas", admite ela.

O pedagogo e a aluna compartilham da mesma opinião: ele relata que o ensino remoto dificulta a comunicação entre aprendiz e mestre, uma vez que visualizar o estudante é complicado. “Nós não podemos controlar o que os alunos estão fazendo. No ensino presencial a gente chamava a atenção de quem não prestava atenção. Hoje com a aula remota, isso torna-se quase impossível".

Dica: ninguém solta a mão de ninguém

Para nossos leitores, os entrevistados separaram dicas e falas de apoio para quem se identifica com suas respectivas posições.

Como mãe, Danielle sugere ter paciência com seus filhos. “Todos estamos na mesma situação. Não cobre demais do seu filho, pois é tudo muito novo pra ele”, conclui.

O professor se direciona a todos seus colegas de trabalho, afirmando que é hora de ajudarem uns aos outros. “Se aconteceu alguma coisa no processo da aula on-line, procure um colega e peça ajuda sempre. Não é hora de ter vergonha!”. finaliza.

Por fim, Maria Clara sugere estudar além do horário acadêmico. “Tente estudar fora do horário da aula, será mais fácil entender o que é passado”.

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