02/04/2021 às 13h51min - Atualizada em 02/04/2021 às 13h40min

Paulistão segue paralisado e Federação Paulista busca alternativas para a volta da competição

Entidade propôs ao Ministério Público partidas dentro do horário de toque de recolher, diminur quantidade de pessoas nos jogos e treinos e a criação de uma "bolha"

Maria Santos - editado por Wesley Bião
Sede da Federação Paulista de Futebol (Foto: Rodrigo Corsi/FPF)

O Campeonato Paulista permanece paralisado devido ao avanço do novo coronavírus no estado. O decreto, que começou a valer no dia 15 de março, não foi visto com bons olhos pela Federação Paulista de Futebol (FPF), a qual se empenhou para encontrar alternativas que evitassem a interrupção dos jogos, chegando a cogitar a possibilidade de entrar na justiça e até mesmo realizar partidas em outros estados. 

 

A paralisação foi uma recomendação diretamente do Ministério Público e integra também as atividades religiosas. No dia 11 de março, João Medina, do Centro de Contingência da Covid-19 do Governo Paulista, ao esclarecer a decisão, citou o pedido do MP: 

 

Estamos em uma fase emergencial. Têm prejuízo para todos os setores. Tem um sofrimento para toda a sociedade, toda a atividade econômica. Em relação ao futebol, estamos atendendo a um ofício, uma recomendação do Ministério Público Estadual. Isso fugiu da nossa alçada

 

A FPF se mostrou muito insatisfeita com a decisão determinada pelo governo, e em diversas reuniões com os clubes e sindicatos houve um consenso de realizar as partidas em outros estados fora de São Paulo. De acordo com o globoesporte.com, a entidade entrou em contato com as federações locais do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.

 

No Rio de Janeiro houve a recusa e em Minas Gerais as negociações caminharam a ponto da Federação marcar o confronto entre São Bento x Palmeiras, que ocorreria no dia 17 de março, no Estádio Independência em Belo Horizonte, mas o governo local também endureceu as regras e o jogo foi suspenso. 

 

Em reunião no dia 18 de março foi discutida a possibilidade de entrar na justiça para a realização das partidas. A questão foi debatida entre os 16 clubes da primeira divisão. Por meio de votação houve empate em oito a oito, mas a Ferroviária optou pelo voto contrário, acarretando na desistência da ação. 

 

  • Votaram a favor da ação na Justiça: São Paulo, Guarani, Ituano, Inter de Limeira, São Bento, Mirassol e Novorizontino.

 

  • Votaram contra: Corinthians, Palmeiras, Santos, Ferroviária, Botafogo, Ponte Preta, Santo André, Red Bull Bragantino e São Caetano.  

 

A entidade quer terminar o campeonato estadual na data prevista, que é dia 23 de maio. As equipes devem fazer uma maratona com direito a jogos de dois em dois dias, eventualmente alternando seus atletas para impedir o desgaste no retorno da temporada. 

 

Toda essa pressa tem sido relacionada ao recado enviado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), de que não irá mudar a sua tabela do Brasileirão, com jogos começando em 30 de maio. Sendo assim, a ideia é de que os estaduais terminem um fim de semana antes do dia 23 do mesmo mês. 

 

Na noite da última segunda-feira (29), a Federação Paulista apresentou ao Ministério Público um novo protocolo de saúde, visando a retomada de jogos na fase emergencial que foi prolongada até 11 de abril, além de projetar partidas a partir das 20h, incluso ao horário do toque de recolher. A entidade tem se mantido constantemente em contato com as autoridades para reforçar as medidas de proteção, como por exemplo a criação de uma “bolha” para os jogadores, reduzir o número de pessoas nos jogos e treinos, entre outras medidas. 

 

 

NOTA OFICIAL DA FEDERAÇÃO PAULISTA DE FUTEBOL

 

A Federação Paulista de Futebol, os 16 clubes do Paulistão Sicredi, os Sindicatos dos Atletas, dos Árbitros e dos Treinadores se reuniram virtualmente nesta segunda-feira. Abaixo, as deliberações deste encontro:

 

•    O Comitê Médico da FPF, presidido pelo Prof. Dr. Moisés Cohen, se reuniu na última semana com os médicos dos 16 clubes da competição. Do encontro, a partir do agravamento da pandemia, foi definido um aprimoramento do já rigoroso Protocolo de Saúde da competição. O modelo prevê a organização de ambientes controlados, em que os clubes ficarão isolados em centros de treinamento ou hotéis, se deslocando apenas para os jogos. O documento cita ainda maior frequência de testagens, redução de efetivo de pessoas nos jogos, entre outras medidas de controle. O conceito será levado ao Ministério Público Estadual, em reunião a ser realizada nesta noite, e ao Governo do Estado de São Paulo;

 

•    Os clubes e a FPF ressaltam que este cenário com a renovação da fase emergencial gera um enorme retrocesso no controle de saúde dos atletas e comissões técnicas, além de um enorme prejuízo técnico. Por esta razão, a FPF e os clubes apresentaram ao Ministério Público e ao Governo do Estado de São Paulo a necessidade de realizar partidas da competição no Estado de São Paulo até 11 de abril, sob este protocolo aprimorado e seguro do ponto de vista médico;

 

•    O Futebol Paulista, sob este mais rigoroso protocolo, seguirá contribuindo para o controle e prevenção do agravamento da pandemia, com testagens constantes em atletas, comissões técnicas e funcionários dos clubes, especialmente dos assintomáticos (maioria dos atletas).


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