24/04/2021 às 22h27min - Atualizada em 24/04/2021 às 22h14min

Escritora Margaret Atwood faz poemas em homenagem às vítimas de feminicídio

Os oito poemas fazem parte do projeto intitulado de 'Songs for Murdered Sisters'

Daniela Alves Silva - Editado por Andrieli Torres
Fonte/Reprodução: Google

Em parceria com a autora de 'O Conto da Aia', músicos canadenses transformaram os textos em canções uma forma muito bacana para conscientizar e mobilizar um assunto que assombra todas as mulheres independente da classe social e idade, é um ato que vem tendo um crescimento gritante principalmente em tempos de pandemia e isolamento social.

De acordo com informações do site da Veja, a autora canadense Margaret Atwood, 81 anos, escritora do best-seller 'O Conto da Aia', que ganhou inclusive uma série em The Handmaid’s Tale, escreveu oito poemas em homenagem às vítimas de feminicídio para o projeto intitulado de 'Songs for Murdered Sisters' (Canções para as irmãs assassinadas, em tradução livre). Os textos nasceram de uma união da autora com o compositor Jake Heggie e o barítono canadense Joshua Hopkins, que musicaram as letras e lançaram, , um álbum digital.

A escritora tem uma  ligação direta  com a questão do feminício. Em 2015, Hopkins perdeu a irmã, Nathalie Warmerdam, assassinada pelo ex-companheiro em um dos piores casos de violência doméstica da história canadense. O homem, Brasil Borutski, foi condenado a prisão perpetua em 2017, pelo assassinato de outras duas mulheres – todas mortas no mesmo dia de Nathalie. “Eu me senti impotente para fazer qualquer coisa para ajudar minha irmã. Mas eu sabia que como cantor de ópera, eu tinha uma voz e poderia usá-la para contar a história da minha irmã e também para alertar sobre a epidemia global que é a violência contra as mulheres”, disse Joshua em entrevista ao jornal britânico The Guardian.
 
Margaret, que conhecia outras duas mulheres mortas por ex-parceiros, teve receios de participar do projeto de imediato, em razão da carga emotiva. Eventualmente, aceitou o desafio. “Fiz as ‘irmãs’ no plural porque elas são de fato – infelizmente – muito plurais. Irmãs, filhas, mães”, disse. Em um dos versos, ela escreve: “O que era minha irmã/ agora é uma cadeira vazia/ Ela não está/ Não está mais lá/ Ela agora é vazio/ Ela agora é o ar”.
 
O projeto Songs for Murdered Sisters recebeu o apoio da Houston Grand Opera e da National Arts Center Orchestra do Canadá. O álbum digital, na voz de Hopkins, será, por enquanto o fruto dessa parceria, enquanto não há expectativas de apresentações ao vivo e shows por causa da pandemia. Nas gravações, é possível ver atrás do cantor uma fotografia da irmã em um grande telão.

O feminicídio é o homicídio praticado contra a mulher em decorrência do fato de ela ser mulher (misoginia e menosprezo pela condição feminina ou discriminação de gênero, fatores que também podem envolver violência sexual) ou em decorrência de violência doméstica. A lei 13.104/15, mais conhecida como Lei do Feminicídio, alterou o Código Penal brasileiro, incluindo como qualificador do crime de homicídio o feminicídio.
 
Trazendo dados e estatísticas  sobre o feminicídio no Brasil, as informações são do site IBDFAM , Ao menos 648 mulheres foram assassinadas no Brasil por motivação relacionada ao gênero no primeiro semestre de 2020. O índice representa aumento de 1,9% em relação ao mesmo período, de janeiro a junho, no ano passado. Os dados foram divulgados neste domingo (18) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública - FBSP e integram o 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
 
O relatório dá conta de que a quarentena imposta pela pandemia do coronavírus pode ter influenciado o cenário. Isso porque a falta de políticas públicas podem ter dificultado ou impedido a busca das vítimas por ajuda. As chamadas por violência doméstica ao 190 subiram 3,8% nos seis primeiros meses de 2020, mas houve queda no registro nas delegacias, com exceção dos homicídios.
 
Na comparação entre 2019 e 2020, houve queda em notificações de lesão corporal dolosa (de 122,9 mil para 110,8 mil), ameaças (de 282,9 mil para  238,1 mil), estupros (de 9,6 mil para 7,4 mil) e estupros de vulneráveis (de 18,9 mil para 14,7 mil). Tais casos, de acordo com o anuário, dependem do comparecimento da mulher à delegacia.
 
Em 2019, o total de ocorrências foi de 1.326, um aumento de 43% em relação há quatro anos anteriores. Segundo especialistas, os números que crescem desde 2015 podem ser relacionados ao aprimoramento na notificação do crime bem como ao aumento do fenômeno da violência contra a mulher.
 
Em 90% dos casos, o criminoso é o companheiro ou ex da vítima. O racismo também perpassa a violência contra a mulher: no ano passado, 66,6% das vítimas de feminicídio eram negras. O percentual indica a maior vulnerabilidade dessa população, já que elas representam 52,4% da população de mulheres no Brasil.
 
Presidente da Comissão de Gênero e Violência Doméstica do Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM, a advogada Adélia Pessoa comentou o tema. A especialista destacou que a violência doméstica e familiar contra a mulher tem aumentado, em escala global, durante o período de isolamento social decorrente da pandemia causada pela Covid-19. “As mulheres e seus dependentes, em situação  de violência doméstica podem enfrentar obstáculos adicionais em meio à pandemia de Covid-19. Um deles é maior dificuldade de acesso aos serviços de proteção e ao sistema de justiça”, afirmou.
 
Segundo Adélia, ao lado dos estudos que apontam o aumento da violência, várias pesquisas também têm indicado a ocorrência de subnotificação de tais episódios às autoridades públicas, uma vez que as restrições decorrentes do isolamento acabam por dificultar o processo de atendimento às pessoas mais vulnerabilidades. Leia a entrevista na íntegra.

É importante que a  obra 'O conto da Aia, fique em evidência novamente após ser adaptada para série com representatividade e como a mesma pode ajudar mulheres a identificar e vencer as situações de feminicídio que acontece no mundo a fora e no meu caso foco especificamente no Brasil.

Vamos entender um pouco sobre essa obra que é um gênero distopico que nos faz imaginar um futuro possível baseado em uma visão crítica da sociedade atual em que levanta questões sobre a violação aos direitos das mulheres. O governo tratado na obra que é o de Gilead, há a construção de uma sociedade patriarcal e machista, após guerras e diversas crises sociais incluindo níveis baixos de natalidade, um grupo chamados filhos de Jacó tomou o poder e instaurou novas leis e regras sociais.  

A principal medida tomada por eles é pôr o fim aos direitos das mulheres e dividir toda a população feminina em castas com papéis extremamente definidos. Enquanto as mulheres inférteis são designadas como educadoras do novo sistema ou empregadas domésticas, as poucas mulheres que podem ter filhos, as chamadas "Aias", são aprisionadas e destinadas a gerar bebês para as famílias mais ricas.  Tudo isso é feito com base em escrituras cristãs.  

'O conto da Aia' foi construído para nos fazer pensar e repensar sobre muitas questões e problemáticas que existem atualmente, uma obra distopica que conseguiu idealizar e caracterizar vários elementos que existe na sociedade contemporânea.

Só de imaginar viver em uma sociedade totalmente baseada na estruturação de Gilead, onde as mulheres têm os direitos tomados, a identidade, o livre arbítrio, o direito de escolha, além de que elas acabam perdendo a sua representatividade enquanto cidadã do governo vigente.  

O feminicídio não é um tema novo, sempre existiu mas é importante trazer à tona essa temática por conta de toda a repercussão e impacto que esse mal traz as mulheres e a sua proteção no dia a dia. 



 
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