30/04/2021 às 11h38min - Atualizada em 30/04/2021 às 11h23min

Tragédias shakespearianas e cenário pandêmico

Peças de Shakespeare escritas durante quarentena fazem analogia à pandemia de Covid-19

Isabelle Gesualdo - Editado por Gustavo Henrique Araújo
Foto/Reprodução: Google

As obras de William Shakespeare passaram a conversar com leitores de uma maneira inédita na pandemia. As tragédias shakespearianas inspiram leituras sobre novas perspectivas, de valor atemporal, relacionando o cenário caótico da época com o caos pandêmico presente. O poeta nasceu meses após o fim da Peste Bubônica, que devastou boa parte da população de Stratford-upon-Avon, em 1564. 

 

Apesar de Shakespeare ter sobrevivido à Peste Bubônica, décadas depois uma nova peste assolou a capital britânica, entre 1603 e 1613, com efeitos ainda mais devastadores. O bairro onde o escritor morava foi um dos mais atingidos, o que o levou a ficar recluso. Além disso, todos os teatros onde Shakespeare atuava foram fechados por mais de nove meses, indicam historiadores.

 

Foi neste período de isolamento que Shakespeare escreveu  “Rei Lear”, a peça representa um cenário de caos, mortes e desespero vividos na época. Cenário não muito diferente do vivido no Brasil atualmente, em que atingiu a marca de 400 mil mortes causadas pela Covid-19. 

 

Além de “Rei Lear”, outras obras fazem analogia com a realidade atual. “Hamlet” e “Macbeth”, por exemplo, têm fragmentos voltados às dores e angústias de se viver em pandemia.

 

"Deus, eu poderia viver enclausurado dentro de uma noz e me consideraria um rei do espaço infinito, não fosse pelos meus sonhos ruins." (“Hamlet”, ato 2, cena 2)

Liana Camargo, autora do livro “O que você precisa saber sobre Shakespeare antes que o mundo acabe”, explica que a metáfora da casca de noz é uma ótima analogia para o período de confinamento. A casca de noz seria o isolamento social, necessário para a proteção contra o coronavírus.

"Os maus sonhos têm sido acentuados por um governo que fechou os olhos para a realidade da pandemia. Vivemos um pesadelo coletivo, maximizado pelo negacionismo e pela falta de atuação de quem tem o mando", diz Liana.
 
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