30/04/2021 às 11h45min - Atualizada em 30/04/2021 às 11h37min

O desinteresse pela literatura nacional

Uma população que lê pouco e desconhece muito sobre sua própria literatura

Karen Belém - Editado por Andrieli Torres
Fonte/Reprodução: Shutterstock
Eu sempre ouvia das pessoas que livros nacionais eram difíceis e chatos de ler, eu que, até então não tinha lido nenhum, concordava com essa afirmação e continuava a me fechar ainda mais para essa literatura.
Essa fala era muitas vezes até legitima, para um adolescente, por exemplo, ler 'O Guarani' de José de Alencar não seria lá uma das obras mais atrativas. O que não fazia sentido, ou não faz, é sempre associar livros brasileiros a esse contexto chato e desprezível apenas por serem brasileiros.
 
Em 2017, das 20 obras de ficção mais vendidas no Brasil, somente quatro eram títulos brasileiros. Em 2018 esse número aumentou para seis e continuou nessa mesma média em 2019.
 
Muitas pessoas ainda continuam a repetir esse discurso baseando no que ouvem, no que acham e principalmente, no que não leem. Talvez um dos maiores contribuintes para esse desinteresse em obras nacionais venha exatamente do fato de sermos uma população que lê pouco e desconhece muito sobre sua própria literatura.
 
Carlo Carrenho, proprietário do website Publishnews também relata que esse não é um problema exclusivo do Brasil, a França segundo ele, pode ter grandes escritores, mas Harry Potter talvez tenha vendido mais do que todos eles juntos.

Para ele, lançar um novo autor, que não tenha uma plataforma anterior (como uma celebridade, por exemplo) é sempre muito arriscado para as editoras. Por isso, elas preferem investir nos autores estrangeiros, consagrados, que já vendem milhões de exemplares no exterior.
 
O Brasil possui diversos autores de qualidade que se estende a diversos gêneros e interesses. Saber indicar boas obras e apresenta las a seus receptivos públicos é difundir uma das grandes riquezas do nosso país e isso não significa deixar de consumir ou desconsiderar obras estrangeiras, o que seria de grande ignorância, mas abrir mais possibilidades e referências sem generalizações ou ideias preconcebidas.

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