06/05/2021 às 20h53min - Atualizada em 06/05/2021 às 20h44min

A reabertura daquele que sobreviveu ao fogo

A história do museu consumido pelas chamas e a celebração da Semana da Língua Portuguesa

Karina Almeida - Editado por Andrieli Torres
Fonte: Dianarchitect, CC BY-SA 4 - via Wikimedia Commons

21 de dezembro de 2015. Estação da Luz, São Paulo. Um grande ícone paulista é consumido pelas chamas. Na tragédia, um bombeiro civil morre por parada cardiorrespiratória. As imagens do fogo são assustadoras mesmo após mais de cinco anos. O desastre consome a fachada e o interior de um do local que abrigava um acervo dedicado a um dos mais valiosos bens imateriais de nossa cultura: a Língua Portuguesa. 

A história do local dá seus primeiros passos ainda em 1867. Isso porque em fevereiro daquele ano, ocorreu a abertura da Estação ferroviária da Luz, uma das mais importantes da cidade de São Paulo. Era um dos principais pontos da passagens de imigrantes que chegavam ao Brasil. Até hoje, onde podemos encontrar em circulação pela Luz diferentes tipos de pessoas, culturas, raças, classes sociais, sotaques e dialetos.

A edificação é um símbolo histórico para a cidade e passou a abrigar o acervo do aclamado Museu da Língua Portuguesa que inaugurou no dia 20 de março de 2006. No dia seguinte, o público pode conhecer o local e desfrutar de todo um acervo em memória a tal patrimônio imaterial tão valioso. Já em seus três primeiros anos de funcionamento, o museu protagonista dessa história foi visitado por mais de 1,5 milhão de pessoas. Tornou-se um dos mais visitados do Brasil e da América do Sul, segundo indica o SP Turismo.

Esse monumento sempre encantou públicos de todas as idades. As atividades celebravam a riqueza da língua desde suas primeiras manifestações, percorrendo as influências e peculiaridades que a fazem única e tão rica. Tendo a tecnologia como aliada, o museu permitiu“uma viagem sensorial e subjetiva pela língua, que incluía filmes, audição de leituras e diversos módulos interativos”, como ressalta o site do museu
 

O idioma era apresentado como uma manifestação composta de constantes transformações. Todo o seu acervo e constituição foram pensados por especialistas e profissionais distintos que estudam e trabalham com a linguagem e as sociedades. O primeiro andar do Museu sempre abrigou exposições temporárias em homenagem a grandes escritores da língua. Entre os aclamados estão Jorge Amado, Fernando Pessoa, Clarice Lispector,Guimarães Rosa e muitos outros. 

Em quase 10 anos de funcionamento, de 2006 até 2015, recebeu mais de 3,9 milhões de visitantes e concedeu espaço para mais de 30 exposições temporárias. Além disso, foram muitas apresentações, dos cursos, debates e palestras realizadas no local. Foi também condecorado com 12 prêmios durante esse período. 

E então as luzes se apagam por um tempo

Em dezembro de 2015, um incêndio de grandes proporções fez com que o tão aclamado museu apagasse as luzes. As chamas começaram no primeiro andar, se alastraram para os andares superiores e chegaram até a torre do prédio. O perigo de desabar era o medo de quem combatia o desastre e de quem assistia as transmissões. 

Menos de 48 horas após o incêndio foram realizadas ações emergenciais no local para garantir a segurança e preparar o conjunto arquitetônico para o restauro e recuperação. Já em janeiro de 2016, o Governo do Estado de São Paulo e outras instituições assinaram um convênio para reconstruir o Museu. Naquele mesmo ano começaram as obras para evitar novos desgastes e acidentes. Depois de uma longa trajetória, a fachada foi totalmente terminada no final de 2017 e a restauração foi oficialmente concluída em 2020.

O acidente sensibilizou muitas pessoas e fez com que a discussão acerca da preservação dos bens materiais e imateriais viesse à tona. No mesmo período, outros acidentes envolvendo monumentos reforçaram esse assunto. A destruição da memória física, cultural e das heranças não perdeu força. As pessoas passaram a perceber que conservar museus, objetos, documentos e valorizar culturas, línguas e dialetos é preservar patrimônios históricos culturais importantíssimos. 

Durante a semana em que se comemora o Dia Internacional da Língua Portuguesa, 5 de maio, o Museu contou com uma programação exclusiva com cinco dias de atividades gratuitas. Entre os dias 3 e 7 de maio ocorreram lives, vídeos e uma exposição temporária e presencial: a Língua Solta. O evento contou ainda com a presença de muitos artistas ilustres e deixou um gostinho de quero mais no público.

Após seis anos, o Museu abrirá as portas. A reabertura está prevista para o próximo semestre de 2021. Um final feliz cheio de expectativas mesmo em meio a uma pandemia. Com a volta do protagonista de nossa história será possível relembrar que a Língua Portuguesa é um patrimônio histórico cultural imaterial que precisa ser celebrado e, acima de tudo, valorizado e cultivado.  

Referências: 

Museu da Língua Portuguesa - Oficial (museudalinguaportuguesa.org.br)

Museu reabre para celebrar a Semana da Língua Portuguesa - Cultura - Estadão (estadao.com.br)

 

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