16/05/2021 às 00h00min - Atualizada em 16/05/2021 às 00h01min

O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM OS YANOMAMIS?

Imagem de criança indígena gerou visibilidade à situação caótica de saúde que a comunidade está passando

Emanuele Almeida - Editado por Júlio Sousa

A fotografia foi feita por volta de 17 de abril e a criança do sexo feminino retratada na imagem tem 8 anos e pesa 12,5 kg. Ela foi diagnosticada com pneumonia, anemia e desnutrição grave e se encontra internada desde 23 de abril, acompanhada pelos pais e conta com assistência social. 

 

A foto ajudou a dar visibilidade à situação vivida pelos yanomamis. De acordo com estudo financiado pela UNICEF, realizado pela Fiocruz e em parceria com o Ministério da Saúde, há tempos a população sofre com a incidência de casos de malária e com a desnutrição infantil crônica, a qual chega a atingir 80% das crianças de até 5 anos.

 

Segundo relato do líder yanomami, Dario Kopenawa, ao jornal O Globo, o caso da criança da foto não é o único. Para ele falta acesso a medicamentos e atendimento especializado:

 

“Os profissionais estão faltando para cuidar dos nossos parentes, por isso, no combate da malária, essa assistência não dá conta. As outras comunidades são fechadas por falta dos profissionais da Terra Yanomami. Esses pacotinhos, remédios não são suficientes, por isso tem o dobro de casos nos yanomamis", relata Dario. 

 

O que causa a contaminação?

 

Para autoridades em saúde o aumento dos casos de malária na população se deve, em grande parte, ao contato com pessoas não-indígenas - como garimpeiros - que disseminam vírus para os yanomamis. 

 

Isso se deve ao fato de os povos indígenas serem mais suscetíveis à contaminação de múltiplos tipos de bactérias e vírus. E se torna mais latente no contexto da pandemia de covid-19, em que o acesso dessa população ao sistema de saúde é precário. 

 

De acordo com o missionário católico Carlo Zacquine, 84, que trabalha com os yanomamis há mais de 50 anos, em entrevista à Folha de São Paulo, os postos de saúde têm muita dificuldade para arranjar medicamentos. Além disso, faltam profissionais e meios de locomoção para chegarem até as aldeias:

 

“O posto de saúde tem muita dificuldade para conseguir medicamentos. Faltam profissionais para revezamento e falta gasolina para deslocamento. Há três meses, eles usam a canoa com rabeta [motor] dos próprios yanomamis”, relata o missionário. 

 

Um dos medicamentos para o tratamento de malária que está em falta é a cloroquina. Para Zacquine, sobra cloroquina para a covid, porém falta para a malária. E tal fato acontecer em um contexto em que o Laboratório Químico e Farmacêutico do  Exército gastou mais de R$1,5 milhão para a fabricação de cloroquina chega a ser caótico. 

 

Além disso, de acordo com o relatório elaborado pelo Fórum de Lideranças Yanomami e Yekweana, crianças yanomamis são as mais atingidas pela covid-19, chegando a quase 10 óbitos. A pesquisa também afirma que a maior comorbidade entre os indígenas para o coronavírus é a malária.

 

O que o Ministério da Saúde diz sobre isso?

 

Segundo o Ministério da Saúde há medicamentos o suficiente para atender a região, além disso a pasta afirma que sempre envia suprimentos extras para completar o estoque quando acontecem surtos de malária. Entretanto, dados relatam que em 2019 os casos de malária entre os yanomamis chegaram a 17 mil - vale ressaltar que a população total desses indígenas chega a cerca de 38 mil.

 

Além disso, o Ministério também afirma que no distrito Yanomami 75% da população recebeu a primeira dose da vacina e 55% a segunda dose.

 

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