07/06/2021 às 21h57min - Atualizada em 04/06/2021 às 16h30min

A insegurança dos motoristas de aplicativos

As empresas de aplicativos têm investido em mais segurança, tanto para clientes quanto para os motoristas

Daniel Maia - Editor: Ronerson Pinheiro
Foto/Reprodução: André Feltes/Especial
 
A violência contra motoristas do transporte por aplicativo tem se tornado cada vez mais frequente. Bruno Oliveira, 36, morador de Campinas, no interior de São Paulo é um exemplo. Motorista há 6 anos numa empresa de aplicativos, ele diz nunca ter vivenciado uma situação semelhante, até entrar nessa triste estatística no mês passado.
 
“Nesse tempo de pandemia eu comecei a trabalhar no turno da noite também, com isso sabia que o risco se torna maior. Mesmo evitando lugares mais violentos, eu acabei aceitando a solicitação de uma corrida, pois me renderia um valor a mais. Ao entrar no carro seguimos viagem normalmente até que o usuário pediu para parar perto de um posto de gasolina, pois um amigo também ia entrar no carro. Foi aí que eu me dei conta que se tratava de um assalto, o suposto amigo dele entrou armado e me renderam levando R$280 reais e o carro, que graças a Deus estava no seguro. Não sei se foi pela pressa, mas o celular eles deixaram. Naquele instante entrei em desespero, e conseguir fazer a denúncia policial. No dia seguinte o policial entrou em contato e disse haver encontrado o carro a mais de 30 km do local do assalto. O carro foi abandonado após colidir com outro veículo. Eu ainda não retornei ao trabalho por medo, é uma sensação horrível, de impotência, que só o tempo de ajudará a superar.”, relata.
 
Para tentar amenizar situações como essas as empresas de aplicativos têm investido em mais segurança, tanto para clientes quanto para os motoristas. Também outros cuidados foram incorporados devido à pandemia, como a certificação de itens de higienização e o uso da máscara, procedimentos que devem ser seguidos, caso contrário o motorista ou cliente recebe uma notificação.
 
Lucca Lira, 23 anos, morador da capital Paulista, trabalha como motorista há 4 anos e apesar de não ter sofrido a violência diretamente relata vários acontecimentos. “A violência é o pior problema para nós motoristas, porque não tem nada pior do que você trabalhar na insegurança, sabendo que a qualquer momento você pode ser roubado”
 
Para tentar driblar ações como essa, Lucca destaca ter adotado algumas estratégias. “Eu mesmo no meu veículo tenho uma câmera de segurança que instalei e, ao mesmo tempo, criei várias estratégias para diversas ocasiões como, por exemplo, eu ando sempre com uma faquinha reserva no lado esquerdo da minha porta e com um celular extra num lugar imperceptível, caso eu seja roubado e eles peguem o meu aparelho principal, vou usar só para fazer ligação de emergência.”, conta.
 
O motorista enfatiza que o tempo fez com que ele ficasse mais atento, redobrando os cuidados. “Um dos roubos mais comuns é o de celular. Você tem que ficar de olho nos retrovisores, a todo momento, porque eles vêm sorrateiramente pelas laterais e enfiam a mão no carro e levam o celular. Outras situações também geram muito medo como o sequestro relâmpago, você está dirigindo e de repente aparece um carro e te fecha as passagens, dois a três a sujeitos veem em sua direção apontando uma arma para seu vidro, já o coloca no porta-malas, visto que você não tem para onde recorrer, você não aciona a polícia e ninguém sabe que você foi roubado e com isso eles te matam depois ou eles sequestram e te jogam em qualquer lugar.”, finaliza.

Em nota, as empresas asseguram estar buscando aprimorar a segurança de seus clientes e motoristas parceiros.
 
UBER
 
"Segurança é prioridade e a empresa está sempre buscando aprimorar sua tecnologia para fazer da plataforma a mais segura possível. Ao longo de 2018, a empresa passou a adotar no Brasil o recurso de machine learning, que usa a tecnologia para bloquear viagens consideradas mais arriscadas e lançou uma ferramenta que reúne os recursos de segurança para motoristas parceiros — inclusive um botão para ligar para a polícia em situações de risco ou emergência diretamente do app. 
 
Ouvindo motoristas e buscando o equilíbrio da transparência com a experiência dos usuários, a Uber lançou novo aplicativo para motoristas, que inclui a informação de qual será a forma de pagamento antes de o usuário embarcar e antes da viagem começar. Se o usuário escolher efetuar o pagamento em dinheiro, por exemplo, essa opção será exibida na tela do motorista.

A empresa começou uma nova rodada de testes para implementação do recurso que mostra aos motoristas parceiros o destino do usuário antes do início da viagem. Além disso, o aplicativo exige do usuário que quiser pagar somente em dinheiro que insira o CPF e data de nascimento, dados que são checados com a base de dados da Receita Federal. Todas as viagens são registradas por GPS, o que permite colaborar com as autoridades, nos termos da Lei, em caso de necessidade, e o motorista também pode compartilhar a localização, o trajeto e o horário de chegada, em tempo real, com quem desejar.
O aplicativo da Uber permite ainda que solicitações de viagens sejam canceladas por motoristas parceiros sinalizando motivo de segurança quando não se sentirem confortáveis.", diz a nota.
 
99
 
"A 99 é uma genuinamente preocupada com a segurança de seus passageiros e motoristas. O assunto é prioridade máxima, e um de seus três pilares fundamentais (promover transporte rápido, econômico e seguro). Para garantir que o serviço seja seguro, a 99 montou equipe especialmente dedicada, composta por mais de 70 pessoas incluindo ex-militares, engenheiros de dados e psicólogos. O time trabalha 24 horas por dia, sete dias por semana, cuidando exclusivamente da proteção dos usuários.

O app usa tecnologia de ponta para focar especialmente em prevenção. Algumas das funcionalidades desenvolvidas: câmeras de segurança embarcadas nos veículos e conectadas diretamente com a central de monitoramento da companhia. As câmeras começaram a ser implementadas em setembro e se encontram em fase de testes e expansão. Inteligência artificial que monitora o perfil de todas as chamadas, identificando situações de risco e bloqueando o acesso à plataforma. Assim, o sistema pode prever incidentes antes que eles aconteçam. Mapeamento de áreas de risco que envia aos motoristas notificações sobre zonas perigosas. O levantamento utiliza estatísticas internas da empresa e dados das secretarias da Segurança Pública.

Canal de atendimento exclusivo para incidentes de segurança: a assistência oferece auxílio imediato, que pode incluir o envio de um carro em ocorrências em que o veículo tenha sido levado, por exemplo. O aplicativo pede que todos os passageiros coloquem CPF ou cartão de crédito antes da primeira corrida. Todos os usuários estão protegidos em suas corridas: desde o aceite até a finalização das corridas, passageiros e motoristas são cobertos por um seguro contra acidentes pessoais de até R$ 100 mil.", diz a nota. 


Segundo a Sargenta Juliana Morais da Polícia Militar de Minas Gerais a PM tem feito operações para coibir essas ações. “Nessa situação de violência contra motoristas de aplicativos a PM andou fazendo muitas operações e ainda continua fazendo. É demandado para o pessoal na rua durante o turno fazer abordagens a veículos que estivessem transitando com passageiros na parte de trás, visto que seriam possivelmente motoristas dessa categoria. Eles são abordados até mesmo para repassar essa questão da segurança subjetiva  de modo a poderem trabalhar com um pouco mais de tranquilidade.”, explica. 
 
Questionada se a impunidade é um combustível para essa prática Juliana destaca a importância de medidas punitivas aos envolvidos. “A não correção do crime gera sim uma fragilidade no cumprimento da ordem visto que se não existe uma punição para o descumprimento dela automaticamente vai despertar mais e mais ocorrências.”, finaliza. 




Editora-chefe: Lavínia Carvalho. 

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