05/06/2021 às 14h41min - Atualizada em 05/06/2021 às 12h34min

Laces: conheça as perucas hiperrealistas que estão fazendo sucesso no Brasil

Com uma imitação perfeita do cabelo natural, as laces se tornaram alternativa adotada por celebridades e anônimos para mudança de visual e empoderamento.

Melissa Pinheiro - Editado por Yuri Anderson
Imagem: Reprodução/Instagram
Atualmente é comum vermos celebridades como Jojo Todynho, Ludmilla e Anitta mudando de visual frequentemente. Mas você já se perguntou de que modo elas conseguem pintar, alongar, cachear ou alisar o cabelo tão rapidamente sem arriscar as próprias madeixas? É isso mesmo que você está pensando, elas usam perucas! A nova alternativa – que já é bastante comum entre as norte-americanas como Beyonce, Rihanna, Cardi B e as Kardashians – são as chamadas laces.

Apesar de ser do segmento de perucas, as laces possuem uma forma diferente e mais moderna que as tradicionais. Com uma imitação perfeita do nascimento dos fios de cabelo na cabeça, elas são nomeadas de “perucas de tela”. A sua produção é feita manualmente. Os fios são aplicados por uma agulha especial que implanta os cabelos na base, que é um tecido bem fininho, deixando uma aparência menos artificial e simulando o couro cabeludo, dando o efeito hiper-realista. Elas podem ser feitas de cabelo humano ou sintético, permitindo a mudança radical do visual sem danificar os cabelos naturais. Sendo assim, elas são fixadas na cabeça coladas (com cola ou fita dupla face adequadas) ou costuradas, e estão aí para serem bem aproveitadas.

O uso das laces é mais comum do que se imagina e vem conquistando cada vez mais o coração dos brasileiros. No país, Ludmilla é a pioneira no ramo. Seja nos palcos, na TV ou nas redes sociais, a cantora não repete cabelo. Tanto que, em 2016 ela começou a comercializar laces importadas do Estados Unidos, em seu salão chamado Lud Hair Boutique.
Mas não é somente a cantora que faz parte da lista dos que usam e abusam da extensão. Artistas como Iza, Lexa, Luísa Sonza e Pablo Vittar também amam aderir aos estilos diversificados.

A LUTA PELO FIM DO PRECONCEITO

Contudo, o caso mais recente e que ganhou destaque foi o da influencer digital Camilla de Lucas, em sua participação no reality show Big Brother Brasil. A blogueira entrou na casa mais vigiada do Brasil com as tranças box braids e semanas depois as retirou com a ajuda dos colegas. A carioca até deixou seus cabelos naturais por um tempo, mas logo em seguida apareceu usando a lace, que fez bastante sucesso e dividiu opiniões.



Por um lado, Camilla recebeu elogios de diversos telespectadores que adoraram o fato da sister mudar de visual. Por outro, a influenciadora foi alvo de discriminação por aparecer usando perucas. Portanto, após o programa a vice-campeã – que sempre defendeu com afinco a liberdade capilar – rebateu as críticas e esclareceu o porquê do uso das laces. Abrindo também o debate para a questão do preconceito encarado por diversas pessoas que possuem o cabelo crespo e decidem diversificar.

No programa Altas Horas (Rede Globo) Camilla explicou que sempre utilizou química no cabelo porque cresceu ouvindo que cabelos crespos são feios. Por isso, quando decidiu passar pela transição capilar – momento de retirada da química dos fios naturais – recorreu aos métodos que lhe são disponibilizados.

 
Quais são os métodos? Posso usar trança, como entrei no 'BBB', e também uso lace. Então, algumas pessoas perguntam: 'Ela está de peruca? Então significa que não aceita o cabelo dela?’ Não, gente. Eu aceito, amo o meu cabelo e também me amo de outras formas. Eu me amo com o meu cabelo crespo, com o meu cabelo liso e cacheado, e o importante é eu me amar. Então, quando eu entendi isso, percebi que sou bonita com qualquer tipo de cabelo. Até careca.
E mais uma vez reforçando a luta pela liberdade, recentemente Camilla de Lucas compartilhou em suas redes sociais fotos feitas para a revista Elle Brasil. Na legenda a influenciadora escreveu: “Me aceito como mulher LIVRE! Não aceito e nunca vou aceitar nenhum comentário discriminando qualquer tipo de cabelo que SEJA, e lutar contra a discriminação do crespo não me impede de usar o que eu quiser! Não confundam! Estudem e pesquisem. NÃO ME LIMITEM! ”. 

EMPODERAMENTO E AUTOESTIMA

Em contrapartida, apesar do grande preconceito, o uso das laces é também sinônimo de empoderamento e autoestima. É nesse sentido que, não só Camilla de Lucas, mas diversas empreendedoras e influencers seguem desenvolvendo meios para quebrar os tabus e transformar a vida de outras pessoas.

Especialista no assunto é a proprietária e fundadora do salão Queen Laces, Nanda Alves. Destaque na aplicação impecável das perucas, ela já recebeu em seu estúdio a rapper Azzy e a influenciadora digital Nath Finanças. Nanda fundou o salão um mês e meio após a realização de um trabalho da faculdade de marketing. Mas, apesar do surgimento inesperado da empresa, o objetivo principal sempre foi levar autoestima e autoconfiança para seus clientes. 

Sem nenhum recurso e apoiada nos seus conhecimentos sobre o mundo das laces, Nanda se ‘jogou’ no empreendimento online e deu certo.

 

Fiz a Queen Laces, primeiramente de maneira fictícia, inspirada na Beyonce e porque eu estava começando a conhecer esse ramo das laces. Estava planejando comprar uma para mim, só para ser usuária mesmo, porque eu achava tão lindo e falava ‘meu sonho’. A professora elogiou demais o meu trabalho, e foi através dele que eu descobri como que importava dos EUA para o Brasil, vi como aplicava e me apaixonei.


A empreendedora diz que hoje a sua maior motivação é fazer com que suas clientes sintam o que ela sentiu ao usar a extensão de cabelos pela primeira vez.
 

Quero fazer essas mulheres se sentirem tão bem quanto eu me senti na primeira vez que coloquei uma lace... Eu nunca tinha imaginado me sentir tão bonita, com tanta naturalidade. Eu lembro que eu fiquei apaixonada, recebi muitos elogios. E apesar dos altos e baixos que todas as pessoas têm, a lace recuperou minha autoestima.


Nanda Alves ressalta que, começar a usar laces também a fez se aceitar em outros aspectos da sua vida, não só em questão dos cabelos.
 

Eu me enxerguei como uma mulher bonita mesmo sendo uma mulher gorda. Em toda a minha vida a sociedade disse ao contrário, mas a partir desse momento eu reconheci que, sim! Eu sou uma mulher gorda, bonita, eu posso me produzir. E isso mudou totalmente a minha perspectiva sobre tudo. Eu me sinto mais segura e não me sinto menos do que ninguém.


SUCESSO NO EMPREENDIMENTO

O mercado de laces está crescendo muito. Mas, além dos cuidados necessários, uma boa aplicação e a manutenção correta é extremamente importante. É por isso que Nanda se destaca com a Queen Laces.  “O mercado está crescendo, mas ainda não é tão acessível. Lace de qualidade não é acessível. Tem muita peruca com cabelo de boneca velha sendo vendidas por aí. Por esse motivo eu acho que ainda não é acessível.” disse a empreendedora.

Localizado no Rio de Janeiro, a conta do Instagram do salão (@queenlaces) acumula 29 mil seguidores. Além de atender presencialmente, a proprietária compartilha conteúdos para aqueles que não podem chegar até ela.  “A minha proposta com a Queen Laces é abrir portas para as pessoas começarem a entender, se inspirar de alguma forma, para que a gente consiga ter um mercado igual, ou pelo menos 1% parecido com o que é no Estados Unidos.” contou.

 
Quando eu faço um cabelo, quando a cliente se senta na minha cadeira e chega a chorar, é exatamente isso que eu quero. Com a Queen Laces eu proponho mudar a vida dessas mulheres, mesmo que ela venha uma vez, mas que esse encontro seja marcante, completou a empreendedora.
O mundo das laces é mais que vaidade e aparência. O uso das perucas está transformando vidas. 
 

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