11/06/2021 às 13h15min - Atualizada em 11/06/2021 às 12h16min

Dia dos Namorados: amor ou incentivo ao consumo?

Um dia onde um sentimento tão belo como o amor deveria ser protagonista, tem seus holofotes roubados pelo marketing que causa ansiedade e insegurança nos casais

Hellen Almeida - Editado por Andrieli Torres
Foto: Reprodução/Freepik

Ah! Que bela data é o Dia dos Namorados, não? A cidade é enfeitada por corações vermelhos de cartolina, quase que é possível sentir o amor no ar de tão predominante, e claro: o presente! Você deve presentear seu amor... será? Afinal, pelo o que esta data é marcada: celebrar o amor ou incentivar o comércio?

As vitrines estão lotadas de liquidações: “Compre agora e demonstre todo seu amor para seu docinho” é a base de incentivo de todas as lojas. Logo, fica subconscientemente compreendido que presentear materialmente quem ama é obrigatório: está correto? 

Quando esta data deixou de ser leve, criada para celebrar um sentimento tão belo e se transformou em uma pressão social que incentiva o consumo? Ou será que este sempre foi seu verdadeiro significado social?

Para responder a todos esses questionamentos e mais, convidamos casais para compartilharem seus posicionamentos acerca do tema. Ah, e caso deseje ler mais sobre relacionamentos amorosos, temos uma crônica aqui.

“A primeira impressão é a que fica”

Brenda Fonseca e Hudson Filho namoram há 4 meses, logo será a primeira vez que irão celebrar esta data e querem fazer algo mais íntimo:

“Nosso maior planejamento é ficar juntos a maior parte do tempo, talvez sair para fazer algo que gostamos”, afirma Brenda. 

Porém, não é todo casal que não é “atingido” pela pressão comercial quando pensam em celebrar esta data pela primeira vez. A jovem estudante de jornalismo, Cler dos Santos afirma que ela e seu amado (unidos a pouco mais de 1 ano) sentiram muita pressão neste dia, querendo passar uma boa impressão:

“Meu namorado ficou pilhado pensando no que me dar, e eu também [...] houve muita pressão externa e interna. Externa porque nossos amigos que trabalham ficam dando presentes o tempo todo aos seus parceiros. Interna porque é nosso primeiro namoro. Eu nunca namorei nem ele. Então ficamos nessa de passar uma impressão”, declara. 


 

Infelizmente, esta pressão sobre os casais é mais normal do que se imagina e a influência das redes sociais torna tudo mais intenso e maior do que deveria ser, há uma necessidade de mostrar perfeição no relacionamento. 
 

Sobre este aspecto, a estudante de jornalismo Isabella Leandra que se encontra em um relacionamento há dois anos comenta:

“As redes sociais desempenham um papel decisivo nesse ponto, é como se falassem: você precisa ser um namorado/a perfeito/a igual aquele casal que postou foto num jantar romântico, felizmente eu e meu namorado acreditamos que o relacionamento é muito mais do que postagens e declarações”, diz ela.

Dia dos Namorados: Amor? Competição? Marketing? Tudo isso e mais!

É tão romântico caminhar pelas ruas e ver fotos de casais felizes, buquês de rosas e caixas de chocolate sendo vendidos por toda a parte. Todavia, este cenário também pode trazer muita pressão ao casal.

Junte isso ao domínio das redes sociais, onde apenas um fragmento da vida é mostrado (o melhor, obviamente) e o prato de pânico e insegurança está servido. Sobre essa “comparação”, Isabella apresenta um posicionamento:

“Cria-se até um cenário” competitivo” ao ver um casal fazendo um programa romântico e diferente, gera diversas comparações e tudo isso colabora para pressionar a gente a comprar e postar nas redes sociais o quanto o nosso relacionamento é “perfeito”, alega.

Hudson e Brenda complementam ao reconhecer que toda essa insegurança gera um gatilho perfeito para as compras. Deixando claro que é uma celebração importante no aspecto econômico:

“É utilizada a fragilidade do momento para comercialização de vários produtos [...] acredito que o jogo de marketing e vendas em cima dessa data é muito importante para economia, talvez mais importante que a data em si”. Concordam.

A graduanda em jornalismo Isabella dá uma dica importante para lidar com toda essa pressão e ansiedade: esteja ciente de sua existência e tenha esperteza ao andar pelas lojas:

“Acho importante ter um olho crítico a elas (vendas) porque sempre vai ter pressão das lojas, anúncios e de outros casais pela internet”. Sugere.

Não se desespere, o amor ainda vive!

Então é isso? Um dia que carrega o nome do amor na realidade é repleto de insegurança, manipulação por parte do comércio e competição? Um jogo de sobrevivência? Bem, de certa forma sim, mas não se apavore! 

Lembre-se que mais importante do que presentear é se fazer presente na vida daquela pessoa que faz seus olhos brilharem e sua vida mais alegre. Brenda e Hudson aconselham: 

“Acho que a gente entende que um presente não é tão importante quanto estarmos juntos [...] Eu gosto de presentear, mas acredito que é possível presentear em qualquer outra data, não só no Dia dos Namorados."

Cler diz que ela e seu parceiro pensam que cada dia compartilhado com quem se ama, é digno de celebração, logo, por qual motivo esperar apenas esse dia? 

“Adoramos a data, mas não faz tanta diferença na nossa vida”onclui.

A graduanda Isabella dá uma dica para quem deseja presentear sem stress: 

“Nós gastamos menos e preferimos dar presentes mais simples e simbólicos (um desenho, cartinha, etc)”, estimula.

Afinal: o que é o Dia dos Namorados?

Para finalizar, Brenda, Hudson, Cler e Isabella respondem a esse questionamento, respectivamente, mostrando que apesar de todos os conflitos que rodeiam esta data, o protagonista deve ser o amor:

“Talvez a questão não seja mostrar o presente em si, mas esbanjar felicidade.”
“Acredito que seja um dia para celebrar o amor, de passar o dia com quem você realmente ama e fazerem coisas que gostam. O amor está muito além de um simples presente.”
“A partir do momento que eu namoro, todo dia é Dia dos Namorados.”
“Olhando pelo lado”romântico”, acredito ser uma data para celebrar o amor, a união e principalmente reativar aquela “paixão eletrizante” dos primeiros meses, visto que até muitos casais já casados também comemoram e fazem da data até mesmo uma forma de fugir da rotina.”

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